Artigo da seção pessoas Sulanger Bavaresco

Sulanger Bavaresco

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deSulanger Bavaresco: 08-09-1969 Local de nascimento: (Brasil / Santa Catarina / Videira)

Biografia

Sulanger Bavaresco (Videira, SC, 1969). Professora, atriz, diretora, produtora e gestora cultural. Desde pequena, na cidade de Bom Sucesso (Santa Catarina), sente-se atraída pela literatura e pela arte, fazendo pequenas participações em eventos culturais na escola. Aos 14 anos, muda-se para Blumenau, momento em que o teatro passa a se fazer mais presente em sua vida.

Em 1985, residindo em Florianópolis, ingressa no grupo Fórmula Arte. A partir de 1987, atua como técnica de cultura na Fundação de Cultura de Florianópolis Franklin Cascaes e integra o Grupo Dromedário Loquaz. Participa de diversas montagens da companhia, dirigindo e atuando, e tem papel ativo na continuidade do grupo após a morte de seu diretor, Isnard Azevedo, ocorrida em 1991. Em 1992, licencia-se em educação artística - artes cênicas, no Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Uesc), onde também realiza especialização em teatro-educação. Cria o Festival Nacional de Teatro Isnard Azevedo em 1993, evento que coordena durante sete edições e do qual continua a participar como integrante da comissão organizadora.

Em 1997, passa uma temporada em Londres e aprofunda seu conhecimento sobre o universo dos musicais e da ópera. Na volta ao Brasil, trabalha como diretora e assistente de direção em diversas óperas e operetas, entre as quais se destacam La Serva Padrona, O Empresário e Cantata Café, todas com a Camerata Florianópolis. No mesmo ano, dirige o espetáculo Quinnipak - Mundos de Vidro. Entre 2005 e 2008, administra o Teatro da União Beneficente Criativo Operária (Ubro), espaço cultural vinculado à prefeitura municipal. Em 2011, é empossada na Academia Catarinense de Letras e Artes, em reconhecimento à sua atuação na área teatral. Em 2012, estreia o projeto Árias Públicas, que leva o universo do canto lírico para ruas e praças do centro de Florianópolis.

Análise

Sulanger Bavaresco é uma das poucas diretoras teatrais catarinenses que mantém uma produção constante. Seu histórico com o Grupo Dromedário Loquaz imprime influências claras em seu trabalho, principalmente no que diz respeito ao uso de espaços não convencionais e à interferência da arquitetura na cena, uma característica marcante de sua prática. A maioria dos projetos teatrais dirigidos por ela utiliza locações específicas, com forte enfoque na criação cenográfica e iluminação, em parte fruto da longa parceria com o cenógrafo e arquiteto Sylvio Mantovani, um dos fundadores do grupo. Seja no teatro ou na ópera, Bavaresco tem contribuído significativamente com a produção cênica catarinense, inclusive adaptando textos literários para a cena.

Em sua primeira direção junto ao Dromedário Loquaz, no espetáculo Agnus Dei (1995), Bavaresco explora a potencialidade do prédio tombado pelo patrimônio histórico da Faculdade de Educação da Udesc. A peça, de Leonore Fleischer, aborda o conflito entre ciência e religião e a diretora investe na força dramática da relação entre as três personagens centrais (irmã Agnes, madre Ruth e doutora Martha Linvinston) para trazer densidade à trama. A montagem transcorre no pátio interno do prédio, no hall, nas varandas, nas escadas e nas portas. Com elementos cênicos como bancos de jardim, um portão, um sino, castiçais, cestas e baldes, o grupo realiza uma encenação vigorosa que promove uma articulação cuidadosa entre elenco e objetos de cena.

Em Quinnipak - Mundos de Vidro (2002 e 2005), a diretora leva o público para uma antiga fábrica de bordados de Florianópolis, onde ainda restam teares e equipamentos antigos que passam a compor a cenografia da pequena cidade imaginária criada pelo italiano Alessandro Baricco (1958), autor da novela adaptada por Bavaresco. O crítico teatral Edélcio Mostaço comenta: "Sulanger Bavaresco evidencia seu controle sobre a encenação, que flui enxuta e coerente todo o tempo. Espetáculo evocativo de um tempo que já se foi e de sonhos corroídos pela realidade, Quinnipak explora bem os artifícios que possam resultar no tom lírico que a perpassa".1

Jardim das Delícias (2008), com texto assinado pela diretora, une segredos de família e maldições, devassidão sexual e Igreja. A cena, de forte carga simbolista, se passa nas instalações de um pequeno teatro, explorando os seus bastidores, portas, janelas e passagens entre cômodos, finalizando no quintal, obrigando o público a se deslocar pelo interior do sobrado em busca da cena.

A partir de 2009, sua atuação se concentra principalmente na direção cênica de óperas, montadas junto à Camerata Florianópolis, contribuindo com um segmento em franco desenvolvimento no estado.  Antes de dirigir, atua como diretora assistente de diversas óperas e operetas. Em La Serva Padrona (2009), de grande força teatral, as cenas desenvolvidas com recitativos musicados permitem variado jogo de cena entre os intérpretes e provocam o imediato envolvimento da plateia. O espetáculo circula por diversas cidades catarinenses, com apresentações tanto em teatros formais como em salões paroquiais e espaços alternativos, aproximando o grande público de um gênero comumente visto como elitista. Em A Cantata do Café (2011), concerto semi-encenado com a presença da orquestra no palco, o público frui de trechos de cantata e de ópera, com textos em alemão e italiano legendados para o português.

Em seu trabalho Árias Públicas, de 2012, contemplado com o Prêmio Funarte de Artes na Rua 2011, a diretora investe na saída do palco convencional, local por excelência de realização de óperas, para permitir a fruição do gênero por um público que raramente tem a oportunidade de fazê-lo. O espetáculo acontece na rua, no centro da cidade, onde um grupo de cantores, músicos e dançarinos surpreende o público desavisado com trechos de Puccini, Verdi, Mozart e Bizet utilizando sacadas, balcões e janelas dos prédios do comércio local. A apresentação não é previamente divulgada na imprensa e alguns dos intérpretes se vestem com uniformes de garis, confundindo-se, inicialmente, com profissionais que trabalham na limpeza pública presentes no local. O trabalho recebe forte receptividade tanto da plateia quanto dos artistas envolvidos e da imprensa em geral, constituindo-se em uma iniciativa inédita na cidade (e no estado) no que diz respeito ao gênero ópera.

Como gestora pública, Sulanger Bavaresco trouxe importante contribuição à cena teatral catarinense por meio da criação do Festival Nacional de Teatro Isnard Azevedo, hoje denominado Floripa Teatro. Também cabe ressaltar seu trabalho como administradora pelo Teatro da Ubro durante quatro anos (2005-2008).

Nota

1 MOSTAÇO, Edélcio. Quinnipak leva público para dentro do baú das recordações. A Notícia, 22 nov. 2006. Anexo.

Outras informações de Sulanger Bavaresco:

  • Outros nomes
    • Sulanger Bavaresco
  • Habilidades
    • Produtor
    • gestor cultural
    • Ator
    • diretor de teatro
    • professor universitário
    • educação

Fontes de pesquisa (6)

  • ÁRIAS PÚBLICAS. Blog do projeto. Disponível em: hppt://ariaspublicas.blogspot.com.br. Acesso em: 3 dez. 2012.
  • BAVARESCO, Sulanger. Entrevista concedida a Marisa Naspolini por e-mail em: 2 dez. 2012.
  • BAVARESCO, Sulanger. Entrevista concedida a Núcleo de Comunicação do Ceart-Udesc. Prata da Casa, 2011.
  • BAVARESCO, Sulanger. [Currículo]. Enviado pela artista em: 23 ago. 2012.
  • MALLMANN, Régis. Subterrâneos da alma. A Notícia, 29 nov. 2002. Anexo.
  • MOSTAÇO, Edélcio. Quinnipak leva público para dentro do baú das recordações. A Notícia, 22 nov. 2006. Anexo.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SULANGER Bavaresco. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa511697/sulanger-bavaresco>. Acesso em: 11 de Dez. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7