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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Nega Gizza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.08.2021
22.06.1977 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Giselle Gomes Souza (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1977). Cantora e compositora. Nasce em Brás de Pina, subúrbio carioca. O sonho de infância de tornar-se jornalista é interrompido antes de concluir o ensino fundamental, ao trocar a escola pelo trabalho informal. Aos 7 anos, com o irmão, vende refrigerante e cerveja no centro da cidade do Rio ...

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Giselle Gomes Souza (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1977). Cantora e compositora. Nasce em Brás de Pina, subúrbio carioca. O sonho de infância de tornar-se jornalista é interrompido antes de concluir o ensino fundamental, ao trocar a escola pelo trabalho informal. Aos 7 anos, com o irmão, vende refrigerante e cerveja no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Inicia a prática cantando música gospel em uma igreja evangélica, quando sola pela primeira vez, com 12 anos. O envolvimento com rádios comunitárias na adolescência e a oportunidade de apresentar um programa de cultura hip-hop levam-na a entrar em contato com a música de rappers norte-americanos, como Public Enemy e Run DMC, e brasileiros, como Thaíde e DJ Hum, Racionais MC's e MV Bill (1974), artista que a adota como irmã e, mais tarde, como back vocal de seu grupo.

Em 2001, com o rap Prostituta, recebe o Prêmio Hutúz na categoria melhor demo feminino, no festival de cultura hip-hop organizado pela Central Única de Favelas (Cufa), da qual Nega Gizza se torna uma das principais líderes, ao lado de MV Bill e Celso Athayde (1963). Esse rap integra o álbum de autoria coletiva Comp - 01/02 - Orgânico/Sintético, da Muquifo Records. No ano seguinte, lança o primeiro CD solo, Na Humildade, gravado pelo selo Dum Dum, fundado por ela e MV Bill, que também participa do disco.

Com sua direção, inicia,em 2008, a produção do documentário Brasileiras, retratando a vida das presidiárias do Brasil. Nesse ano, lança o single e o videoclipe do rap Testa de Ferro. Participa, em 2010, do disco Arje, do rapper argentino Emanero, como parceira na composição e gravação da faixa LLuvia Poetica.

Análise

As letras das composições de Nega Gizza tratam do universo do rap, do ponto de vista feminino, numa tentativa de romper com o domínio masculino que existe no gênero. No CD Na Humildade, de 2002, a perspectiva da mulher torna-se tema de Larga o Bicho, parceria da rapper paulista Ieda Hills, música que questiona os estereótipos machistas da mulher-objeto e da mulher sexo frágil:

"Não sou mulata não sou mula sou canhão
Sou a granada que explode a solidão
...
Corajosa, sou formosa, vaidosa".

Em Prostituta, Nega Gizza encarna uma meretriz, negando que essa atividade seja uma opção de vida:

"Você acha que é falta de moral, promiscuidade excessiva
Seja puta dois minutos e sobreviva".

O tema da morte prematura dos traficantes de drogas, frequente no repertório brasileiro de rap, está presente em Fiel Bailarino (parceria de MV Bill) e em Neném, dedicada à biografia do irmão de Nega Gizza, morto em confronto com a polícia. O hip-hop como forma de libertação aparece nas faixas Original e A Verdade que Liberta (parceria de MV Bill), rap com ritmo dançante no qual Nega Gizza usa sua voz potente para cantar ao estilo das vocalistas da soul music norte-americana.

Em Filme de Terror, ela denuncia a hipocrisia das elites e dos representantes políticos do Brasil, "opressores" que desprezam e temem os pobres. Contra os que demonstram a crença na existência de uma unidade nacional pintando "a cara de seus filhos de verde e amarelo", Gizza denuncia um país racista e socialmente desigual, repetindo no fim do rap uma citação que inverte o sentido do Hino da Independência:

"Não vou morrer pelo Brasil
Não vou morrer pelo Brasil".

Fontes de pesquisa 3

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  • ASSEF, Cláudia. Sem Marlboro, Marote abre selo eletrônico. Folha de São Paulo, São Paulo, 9 nov. 2002. Ilustrada. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0911200124.htm >. Acesso em: 20 dez. 2010.
  • NAVES, Santuza Cambraia. Canção Popular no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010. 159 p. (Coleção Contemporânea).
  • SANCHES, Pedro Alexandre. Nega Gizza dá voz feminina ao rap do país. Folha de São Paulo, São Paulo, 25 set. 2002. Ilustrada. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2509200216.htm >. Acesso em: 20 dez. 2010.

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