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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Dalton Paula

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.08.2021
1982 Brasil / Distrito Federal
Dalton Oliveira de Paula (Brasília, Distrito Federal, 1982). Artista visual, pintor, gravurista e performer. Seus trabalhos apresentam um processo de recriação e de reconstrução de identidades históricas e culturais, por meio do compartilhamento de uma memória comum e da divulgação de conhecimentos legados pelos povos escravizados.

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Dalton Oliveira de Paula (Brasília, Distrito Federal, 1982). Artista visual, pintor, gravurista e performer. Seus trabalhos apresentam um processo de recriação e de reconstrução de identidades históricas e culturais, por meio do compartilhamento de uma memória comum e da divulgação de conhecimentos legados pelos povos escravizados.

Começa sua trajetória com o interesse pelos mangás, as histórias em quadrinhos japonesas. O artista desenha com a ajuda do papel carbono, dando ênfase às cores. Aos 14 anos, ingressa na Escola de Artes Visuais de Goiânia, onde tem contato com o trabalho de novos artistas e com novas linguagens. Em 2002, produz profissionalmente e ingressa, por meio de concurso público, no corpo de bombeiros, permanecendo até 2016, para custear seus trabalhos e seu sustento. Forma-se em artes visuais em 2011, pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

Entre 2011 e 2013, seus trabalhos em pintura, inicialmente categorizados como naifs, são adquiridos por museus que se dedicam à arte não hegemônica. No mesmo período, suas fotografias e performances são destaques em museus de arte contemporânea, com temas que partem de sua condição de homem negro, como seu corpo masculino fora dos padrões.

Participa de grandes mostras, como a Feira SP-Arte em 2016, em que vende todos os trabalhos apresentados em exposição solo da Sé Galeria, sua representante. No mesmo ano, recebe o Prêmio Illy Sustain Art, conferido a artistas brasileiros de até 35 anos de idade, com o objetivo de revelar e incentivar novos talentos das artes visuais no país. Simultaneamente, faz residência no ateliê da artista visual Rosana Paulino (1967), em que a prática do desenho é sua principal orientação, direcionada para a criação do caderno de artista, contribuindo para suas produções.

Participa da 32ª Bienal de São Paulo – Incerteza Viva, que acarreta grande repercussão a seu trabalho, pois é a partir dela que Dalton passa a ser artista visual em tempo integral. Apresenta a instalação de pinturas Na Rota do Tabaco (2016), na qual relata os 30 dias que passa no município de Cachoeira, na Bahia, para refazer o percurso que dá título à sua instalação. Durante a viagem, conhece e conversa com diferentes personagens, como fabricantes de charutos e rezadeiras, para compreender a herança do tabaco em suas rotas de exploração e comércio.

A criação desse trabalho evidencia o interesse do artista pela história da população negra escravizada, como a herança da utilização dessa mercadoria em rituais de cura nas comunidades, além de se tratar de um processo de imersão do artista em um percurso histórico. Os objetos encontrados nessas comunidades são retirados de seu uso comum para servir de suporte em suas pinturas, como as louças produzidas no município de Coqueiros, na Bahia. Dalton acompanha o processo de feitura dessa cerâmica com a mestra de 96 anos Dona Cadu, com quem aprende mais sobre as origens e funções ritualísticas das peças dentro do contexto da comunidade.

Participa da Exposição Coletiva Negros Indícios, de curadoria de Roberto Conduru, em 2017, com os trabalhos Corpo em Quadrado P (2012), Corpo em Quadrado B (2012), A Noticia (2013) e Implantar Anamú (2016). A mostra é concebida com a apresentação de vídeos e fotografias de performances realizadas pelos artistas convidados, articulados por afinidades poéticas. Indo além da apropriação do corpo como forma de expressão artística, o conceito de performance na mostra ganha um significado cada vez mais amplo, podendo se desdobrar em outras manifestações artísticas.

Em sua produção, Dalton se aproxima de biografias de outras pessoas negras cujas trajetórias são invisibilizadas nos registros históricos, como nas obras João de Deus Nascimento (2018), líder da Revolta dos Alfaiates (1798-1799), e Zeferina (2018), que comanda uma revolta quilombola no século XIX na cidade de Salvador. Essas pinturas são exibidas na exposição coletiva Histórias Afro-Atlânticas (2018), realizada pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp) em parceria com o Instituto Tomie Ohtake.

Os trabalhos de Dalton Paula partem de sua condição individual de homem negro no presente, articulada à problematização da herança deixada por africanos escravizados. Sua atuação confere significados positivos a essa parte da cultura brasileira, valorizando-a no cenário artístico nacional e internacional.

Exposições 25

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