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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Olavo Redig de Campos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.06.2016
1906 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1984 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Olavo Redig de Campos (Rio de Janeiro RJ 1906 - idem 1984). Arquiteto. Filho de diplomata, Campos muda-se com a família para a Europa em 1911. Forma-se arquiteto, em 1931, na Escola Superior de Arquitetura de Roma, e obtém permissão para exercer a profissão na Itália após exame prestado na Politécnica de Milão. No entanto, no mesmo ano, retorna ...

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Biografia
Olavo Redig de Campos (Rio de Janeiro RJ 1906 - idem 1984). Arquiteto. Filho de diplomata, Campos muda-se com a família para a Europa em 1911. Forma-se arquiteto, em 1931, na Escola Superior de Arquitetura de Roma, e obtém permissão para exercer a profissão na Itália após exame prestado na Politécnica de Milão. No entanto, no mesmo ano, retorna ao Brasil, trabalha em escritórios particulares e assume a chefia da Carteira Predial da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da Central do Brasil. Dirige o Serviço de Conservação do Patrimônio do Itamaraty, entre 1946 e 1976, sendo responsável pelos projetos das embaixadas brasileiras de Washington, Lima e Buenos Aires. Concomitantemente realiza projetos particulares como a Residência do Embaixador Walther Moreira Salles (1948-1951), o Centro Cívico Estadual de Curitiba (1952), com a colaboração dos arquitetos David Xavier Azambuja (1910-1982), Flávio Amílcar Régis do Nascimento (1908) e Sérgio Rodrigues (1927), e a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (1952), projeto que o representa na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1953.

Análise da Trajetória
Arquiteto cuja obra ainda é pouco conhecida, Olavo Redig de Campos é autor de projetos que sintetizam as melhores qualidades da arquitetura moderna brasileira. Nomeada por alguns críticos de "escola carioca", essa arquitetura se destaca pela filiação mais livre à vertente racionalista do movimento moderno europeu que resulta, de um lado, na suavização da geometria do edifício e, de outro, na introdução de elementos considerados tradicionais na história da arquitetura brasileira, como o azulejo, o pátio, a treliça, o cobogó e o muxarabi.

Residência do Embaixador Walther Moreira Salles (1948-1951), atual sede do Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio de Janeiro, é o seu projeto mais conhecido. Atendendo às necessidades não só familiares, mas também políticas e sociais do embaixador, a residência organiza-se ao redor de um pátio definido pela ala íntima, a ala social e uma circulação coberta que enquadra o jardim ao fundo. De forma trapezoidal, esse pátio possui quatro fachadas, cada qual definida segundo as funções dos ambientes para ele voltados. Na ala íntima, tem-se uma fachada de brises-soleil verticais móveis que protegem a circulação dos quartos; no salão, biblioteca, sala íntima e acesso social uma galeria envidraçada; e na sala de jantar, a circulação coberta por uma laje ondulante suportada por delgadas colunas que se repetem nas quatro faces dando ritmo e unidade a este espaço central. As colunas bem como as galerias ao redor do pátio dão a ele um caráter clássico que o distingue dos pátios coloniais e revela a formação italiana do arquiteto. A volumetria de formas geométricas simples, cujos contornos são bem definidos, contrasta com a diversidade de materiais empregados, a rusticidade da pedra bruta que reveste muros e empenas cegas, o gigantismo dos cobogós, a exuberância orgânica do jardim, da piscina e do painel de azulejos projetados por Burle Marx (1909-1994). A riqueza plástica dessa obra está justamente nesse contraste, reforçado pelas proporções de inspiração clássica adotadas pelo arquiteto.

Residência de Campo de Geraldo Baptista (1954), não tem a mesma magnitude da residência anterior, mas a implantação e o agenciamento dos espaços são dignos de nota. Construída em Petrópolis, Rio de Janeiro, essa casa traz o mesmo cuidado em estabelecer nitidamente os contornos dos volumes e o diálogo entre modernidade e tradição. Preocupado em adequar a residência ao desnível acentuado do terreno e, ao mesmo tempo, garantir a todos os ambientes o contato direto com o solo, Redig de Campos desloca o volume dos quartos em relação ao da sala e serviços, implantando-os em níveis diferentes. A sala de estar com pé-direito duplo integra-se ao jardim e a varanda coberta por meio de amplas portas de correr, enquanto os quartos e o hall da escada do pavimento superior entram em contato com o espaço externo através de pequenos pátios que conferem privacidade aos ambientes. Se nessa casa a solução formal não é a que mais a define, o mesmo não se pode afirmar do Pavilhão da Piscina da Casa de Campo de Homero Souza e Silva (1955). Tirando proveito da plasticidade do concreto armado, Campos desenha uma estrutura única curvilínea em que sobressai, de um lado, o recorte da marquise de acesso e, de outro, o arremate do volume que toca o solo. Como nos projetos anteriores o arquiteto integra à arquitetura uma obra de arte - neste caso um painel em mosaico de vidrotil de Laszlo Meitner (1900-1968); dinamiza a composição concatenando com fluidez linhas curvas e diagonais a verticais e horizontais; estabelece uma relação de continuidade e transparência entre espaços externos e internos; emprega o concreto armado e uma grande variedade de materiais industrializados e artesanais, definindo a volumetria e as superfícies da obra conforme as necessidades técnicas e funcionais do programa, mas também, e sobretudo, de acordo com a sua intenção plástica.

Exposições 2

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Fontes de pesquisa 8

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  • CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: Guia de Arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001.
  • CAVALCANTI, Lauro. Quando o Brasil era moderno: Guia de Arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001. R720.981 C376q
  • DUTRA, Maria Luiza; MENEZES, Walter Arruda de. Instituto Moreira Salles - Rio de Janeiro. Projeto e obra de restauro, reforma e adaptação. W. Menezes Arquitetura. Disponível em: [http://www.dutramenezes.arq.br/docomomo.html]. Acesso em: 17 de outubro de 2007. Não catalogado
  • MINDLIN, Henrique. Arquitetura moderna no Brasil. Rio de Janeiro: Aeroplano/IPHAN, 2000. Não catalogado
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999. 720.981 S454a
  • XAVIER, Alberto; BRITTO, Alfredo; NOBRE, Ana Luiza. Arquitetura moderna no Rio de Janeiro. [Rio de Janeiro]; São Paulo: RIOARTE: Fundação Vilanova Artigas, [19]91. 315 p. il. p&b.
  • XAVIER, Alberto; BRITTO, Alfredo; NOBRE, Ana Luiza. Arquitetura moderna no Rio de Janeiro. [Rio de Janeiro]; São Paulo: RIOARTE: Fundação Vilanova Artigas, [19]91. 315 p. il. p&b. Não catalogado

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