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Ruy Castro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.04.2021
26.02.1948 Brasil / Minas Gerais / Caratinga
Ruy Castro (Caratinga, Minas Gerais, 1948). Jornalista e escritor. A capacidade investigativa aliada a um criterioso interesse por temas nacionais são características marcantes de seus livros. A qualidade do texto, aprimorado pela experiência como jornalista, também é aspecto de realce em sua obra. Considerado um dos mais importantes biógrafos d...

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Ruy Castro (Caratinga, Minas Gerais, 1948). Jornalista e escritor. A capacidade investigativa aliada a um criterioso interesse por temas nacionais são características marcantes de seus livros. A qualidade do texto, aprimorado pela experiência como jornalista, também é aspecto de realce em sua obra. Considerado um dos mais importantes biógrafos do Brasil, tem uma longa trajetória jornalística em renomados veículos de comunicação das cidades de Rio de Janeiro e São Paulo. 

Aos 4 anos, aprende a ler sozinho, sentado no colo da mãe enquanto ela lia em voz alta a coluna do autor Nelson Rodrigues (1912-1980) no jornal Última Hora. Autodidata, Ruy persegue o caminho da escrita como objetivo de vida. Aos 17 anos, muda-se com a família para o Rio de Janeiro para continuar os estudos. Em 1967, então com 19 anos, é contratado para o primeiro emprego como jornalista no periódico Correio da Manhã. O ofício é exercido durante mais de duas décadas em redações de importantes jornais e revistas do país como O Pasquim, Jornal do Brasil e Manchete.

No início da década de 1990, resolve se afastar das redações e passa a se dedicar à literatura. Alimentado pelo vínculo afetivo com a obra de Nelson Rodrigues, escreve O Anjo Pornográfico: A Vida de Nelson Rodrigues (1992). Vencedor do prêmio Esso de Literatura (1994), é uma obra seminal do estilo pessoal que Ruy Castro constrói como escritor. O tom literário dramático, exagerado, encontrado na biografia, não é casual, mas uma escolha consciente do autor, um jogo literário deliberado que busca retratar a vida de Nelson Rodrigues em sua particular e real tragicidade, aspecto definitivo da famosa obra do dramaturgo pernambucano.

Escreve algumas obras ficcionais, a primeira delas é o romance Bilac Vê Estrelas (2000), trama que envolve ficção e personagens reais – como o escritor Olavo Bilac (1865-1918) – no cenário de um Rio de Janeiro modernizado à moda parisiense do início do século XX. 

Em 2007, publica Era no Tempo do Rei, também um romance de ficção histórica, em que narra as peripécias do imperador menino, Dom Pedro I, e seu amigo plebeu Leonardo, em meio às disputas políticas que ocorrem no Brasil colônia após o desembarque da família real em terras brasileiras.

Muito embora publique obras de ficção, crônicas e livros de reconstituição histórica, como Chega de Saudade: A História e as Histórias da Bossa Nova (1990), debruça-se, em especial, sobre as biografias, que o tornam célebre. Os temas que norteiam a escolha das obras biográficas e de reconstituição histórica não são apenas as histórias de vida dos biografados, mas também assuntos de interesse pessoal do escritor, como futebol, a vida boêmia, a sociedade carioca e o alcoolismo. 

A definição do formato da publicação é posterior à extensa pesquisa realizada, como no caso do livro Carmen, uma Biografia (2005). Admirador confesso da portuguesa naturalizada brasileira, já coleciona alguns registros da trajetória de Carmen Miranda (1909-1955) quando decide escrever sobre a artista, impulsionado pela curiosidade acerca da chegada de imigrantes portugueses ao Brasil no início do século XX. 

Na obra, uma biografia robusta de 600 páginas, dividida em 32 capítulos, apresenta cronologicamente a vida de uma mulher comum em sua humanidade, mas muito singular em sua potência criativa. A Carmen Miranda de Ruy Castro é absolutamente humana, ao mesmo tempo que é alçada ao papel estelar de figura crucial para o desenvolvimento da música popular brasileira. 

O modo como o texto é construído permite ao leitor o acesso a essas duas chaves de leitura, possibilitando intencionalmente uma autonomia crítica à sua recepção. A pesquisadora Daniela Réche, ao analisar as obras biográficas de Ruy Castro observa que “os biógrafos, ao juntar os fragmentos da vida de seu biografado por meio dos arquivos, intervêm ativamente nas experiências, criando, assim, novos eus, personagens que carregam não apenas um passado próprio, mas também as subjetivações de seus ‘moldadores’”1.

Em 1996, ganha o primeiro Prêmio Jabuti de sua carreira, na categoria livro do ano de não ficção, pela biografia Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (1995). Em 2006, é novamente vencedor do prêmio, na mesma categoria, mas dessa vez por Carmen, uma Biografia.

O jornalismo é parte importante do processo de escrita das obras de Ruy Castro no que diz respeito, principalmente, à apuração de informações, documentos, dados, e busca por interlocutores. Ele se utiliza da experiência como jornalista para realizar a pesquisa de fontes e as posteriores entrevistas que, muitas vezes, são feitas com algumas centenas de pessoas. A intenção do autor é confrontar fatos, memórias e até esquecimentos, para que se complementem e deem vida às personagens mesmo após sua morte. A professora de literatura da Universidade de Brasília, Sylvia Helena Cyntrão (1956), analisa a importância de Ruy Castro para o gênero biográfico ao apontar a habilidade do escritor em transitar do texto jornalístico para o literário sem destituir a sua escrita de originalidade e mantendo um olhar atento aos aspectos psíquicos e sociais das pessoas cuja vida biografa2.

Responsável por consolidar a biografia como gênero literário no Brasil, Ruy Castro joga luz sobre questões fundamentais e personalidades decisivas da história, cultura e sociedade brasileira com estilo próprio, humor e comprometimento sensível com as memórias, reais ou inventadas, da vida de suas personagens.

 

Nota

1. RÉCHE, Daniela Werneck Ladeira. Narrar para sobreviver: a biografia e o arquivo das ruínas. Darandina Revisteletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras/UFJF. Juiz de Fora, v. 6, n. 1, 2013. p. 8. Disponível em: http://www.ufjf.br/darandina/files/2013/08/artigo_daniela.pdf.

2. CYNTRÃO, Sylvia Helena. Biografia como gênero: o salto literário. A contribuição de Ruy Castro. Cerrados: revista do curso de pós-graduação em literatura. Brasília, n. 21, ano 15, 2006. p. 17-22. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/3655/1/ARTIGO_BiografiaComoGenero.pdf.

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