Artigo da seção pessoas Nina Pandolfo

Nina Pandolfo

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deNina Pandolfo: 1977 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Tupã)
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Registro fotográfico Marcus Leoni

Carina Aparecida Arsênio Pandolfo (Tupã, São Paulo, 1977). Artista visual, grafiteira, escultora. Sua obra se caracteriza pelas imagens de figuras femininas com olhos grandes inseridas em contexto multicolorido e lúdico. Inicia sua trajetória na década de 1990, como uma expressão diferente dos grafismos influenciados pelas letras e ausência de cor resultantes da influência da cultura hip hop americana que o graffiti da época apresenta. 

O interesse pelo desenho vem da infância. Na adolescência se inscreve em aulas de teatro de rua e enxerga nos muros da cidade uma alternativa para a expansão de sua expressão visual, uma nova possibilidade de suporte para seus desenhos. Faz curso técnico orientado para comunicação visual. Aos domingos frequenta o bairro do Cambuci, na zona norte de São Paulo, com outros grafiteiros que marcam com seus graffitis os muros de casas abandonadas e de linhas férreas. A fauna e flora em expressões multicoloridas e de grande formato são temas desenvolvidos de maneira recorrente nessa fase, como folhas, lagartos, cavalos-marinhos.

O início de sua carreira no circuito institucional das artes visuais coincide com sua participação, junto com seus parceiros do graffits, na exposição Um Minuto de Silêncio, na Fundação Nacional de Artes (Funarte), em São Paulo, em 1999. Essa mostra é importante por ser a primeira instituição a convidar artistas de street art para expor, trazendo-lhes grande visibilidade. Em 2001, na exposição Rede de Tensão, 50 Anos da Bienal de São Paulo, Nina realiza a instalação de comunicação visual urbana integrando o grupo Caminho Suave, formado, entre outros, por aqueles que seriam seus companheiros em muitas outras instalações, Os Gêmeos e Vitché.

A partir dos anos 2000, o grafffits brasileiro ganha projeção internacional e muitos artistas são convidados para participar de feiras de arte, exposições e galerias e de projetos específicos comissionados no exterior. Em 2005, Nina cria um mural no parque Kunstpark, em Munique, onde retrata suas figuras características – meninas de olhos grandes – só que em um contexto de guerra. Em primeiro plano se vê arames farpados e, nos olhos das crianças, o reflexo da morte. 

Outro projeto internacional é o convite do Lorde de Glasgow, da Escócia, para que Nina, Nunca e Os Gêmeos pintem a torre e a fachada sul do castelo Kelburn, na cidade de Ayrshire, durante seis semanas, em 2007. Nina cobre a base da torre com grandes olhos, e outras de suas figuras femininas são vistas em suspensão com seus longos cabelos ao vento: uma delas em um balão e outra em um balanço. A obra, então uma instalação temporária, passa a ser permanente devido ao enorme sucesso.

A escultura Um Amor Sem Igual (2013), um grande gato de pelúcia, tem um sistema de som que reproduz um ronronar contínuo. O rosto do animal foi esculpido em 3D com base em imagens de seu gato Rakim. É uma das obras mais fotografadas desde a abertura do Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP), onde está instalado desde 2013.

O estilo de Nina, apesar das semelhanças formais, não é influenciado pelo mangá ou animes japoneses. Caçula de quatro irmãs, a artista evoca o que chama de “universo feminino pessoal”, que traz muitos elementos lúdicos, tanto nas pinturas murais, como na pintura sobre tela. Se no início de sua carreira os ambientes onde as figuras estão inseridas são mais simples, com menos elementos na composição, anos depois, tornam-se mais complexos e contam com a inserção de elementos como cristais, a instalação de pequenas lâmpadas, tecidos com padronagem, texturas em crochê ou outros materiais têxteis. Em suas telas, Nina não usa a cor preta, preferindo uma grande variedade de cores contrastantes. O processo se inicia na preparação da tela com desenho a lápis para depois receber a pintura em acrílico com pincel muito fino. A finalização pode contar com efeitos aplicados com tinta spray, com muita precisão.

Em 2011, o livro Nina é lançado com vasta seleção de imagens de sua obra, incluindo desenhos em cadernos de sua infância e adolescência. O segundo livro Por Trás das Cores (2016), aborda seu processo criativo e documenta suas criações de 2011 a 2016.

Além de pinturas sobre tela, esculturas e objetos e da inserção pontual no mundo da moda, Nina também assina o cartaz da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2019), que exibe o rosto de uma menina com grandes olhos. Um dos olhos é vermelho e o outro, azul, como as cores das lentes de óculos 3D.

Nina tem um vasto repertório internacional. Seus murais são expostos em países como Japão, Cuba, Estados Unidos, Grécia, Alemanha, Espanha, França, Porto Rico, Índia e Reino Unido, onde é representada por uma galeria em Londres desde 2019. O binômio meninas e olhos marca sua trajetória, que proporciona projeção e reconhecimento à produção de artistas brasileiras no país e internacionalmente.

Outras informações de Nina Pandolfo:

  • Outros nomes
    • Carina Aparecida Arsênio Pandolfo
    • Nina
  • Habilidades
    • Artista visual
    • Grafiteira
    • Escultora

Midias (1)

Nina Pandolfo – Série Cada Voz (2020)
Nina Pandolfo fala sobre a sensibilidade de seu trabalho e como chegou ao graffiti: a partir de uma oficina de teatro de rua, em que ela acompanha a irmã, e, ainda criança, se surpreende com a utilização dos muros como suporte para a produção artística. Entre cursos de formação, contato com outros artistas e um mergulho no universo do graffiti, Nina diz não se abalar com as dificuldades em sua trajetória.

Ela lembra que seu trabalho entra choque com a estética mais recorrente do graffiti, oriunda do universo do hip-hop, uma vez que suas figuras femininas – com grandes olhos, pássaros e outros animais – são frequentemente associadas a uma estética infantil.

Nina reafirma que pinta para adultos com o objetivo de alcançar a criança que existe dentro de cada um, seja esse processo confortável ou incômodo para quem observa seu trabalho.

ITAÚ CULTURAL
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Diretor Eduardo Saron
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Montagem: Renata Willig
Interpretação de Libras: Florio & Fomin (terceirizada)

Exposições (5)

Fontes de pesquisa (6)

  • BIENAL DE SÃO PAULO. Exposição Rede de Tensão Bienal 50 Anos. Catálogo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2001. 
  • MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA – MAC USP. Acervo digital. Disponível em: https://acervo.mac.usp.br/acervo/index.php/Detail/objects/23191.  Acesso em: 23 ago. 2020.
  • NEELON, Caleb; TRISTAN, Manco; Graffiti Brasil. Londres: Thames & Hudson, 2005, 128 p. 
  • NINA PANDOLFO. Site Oficial da Artista. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: www.ninapandolfo.com.br.  Acesso em: 23 ago. 2020.
  • PANDOLFO, Nina. Nina. São Paulo: Editora Master Books, 2011. 
  • PIZA, Renata. Nina Pandolfo: se essa rua fosse minha. Vogue. São Paulo, 27 set. 2017. Disponível em: https://vogue.globo.com/Inspire-se/noticia/2017/09/nina-pandolfo-se-essa-rua-fosse-minha.html.  Acesso em: 23 ago. 2020.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • NINA Pandolfo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa499960/nina-pandolfo>. Acesso em: 21 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7