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Bárbara Paz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.10.2021
17.10.1974
Bárbara Raquel Paz (Campo Bom, Rio Grande do Sul, 1974). Atriz, diretora e produtora. Destaca-se em múltiplas frentes artísticas pelo dinamismo em projetos no cinema, no teatro e na televisão, com repertório versátil de personagens e experiências distintas.

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Bárbara Raquel Paz (Campo Bom, Rio Grande do Sul, 1974). Atriz, diretora e produtora. Destaca-se em múltiplas frentes artísticas pelo dinamismo em projetos no cinema, no teatro e na televisão, com repertório versátil de personagens e experiências distintas.

Estabelece-se em São Paulo em 1992, e estuda no Teatro Escola Macunaíma. No ano seguinte, ingressa no curso de jornalismo das Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam), mas não conclui. Em 1995, prossegue seus estudos no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), de Antunes Filho (1929-2019). Integra o grupo Parlapatões, Patifes & Paspalhões e, sob a direção de Hugo Possolo (1962), participa das montagens Mistérios Gulosos e Poemas Fesceninos, ambas de 1999.

Estreia como intérprete no cinema em De Cara Limpa (2000), longa-metragem de Sérgio Daniel Lerrer (1958). Ingressa no Grupo TAPA na peça As Viúvas, dirigida por Sandra Corveloni (1965). No ano seguinte, conquista popularidade ao vencer o reality show Casa dos Artistas, exibido no SBT.

A atriz participa ainda em projetos com grandes elencos, como os longas Seja o que Deus Quiser!, de Murilo Salles (1950), e Cama de Gato, de Alexandre Stockler (1973), ambos de 2002. No mesmo ano, interpreta sua primeira protagonista em telenovela, na produção Marisol, do SBT. Volta a trabalhar com o TAPA na montagem A Importância de Ser Fiel (2002), dirigida por Eduardo Tolentino de Araújo (1954). Sua interpretação como Cecília conquista o público, e a crítica aponta boa surpresa no tipo sensual e ingênuo da personagem.

Atua no curta Manual para Atropelar Cachorro, de Rafael Primot (1982), e no longa Quanto Vale ou É por Quilo?, de Sérgio Bianchi (1945), ambos de 2005. Bárbara estreia na direção de cinema com o curta Minha Obra (2006), ficção de inspiração real. Na obra, um garoto pinta bonecas de porcelana para o sustento da família e, quando adulto, torna-se um maquiador respeitado. 

Em 2007, conhece o diretor de cinema Hector Babenco (1946-2016), com quem se casa. Em 2010, iniciam parceria também profissional e Bárbara protagoniza a peça Hell, sob direção de Babenco. Nessa adaptação do romance da francesa Lolita Pille (1982), a atriz faz o papel de uma jovem milionária fútil, dedicada a roupas de grife e noitadas de sexo, drogas e álcool.

É novamente dirigida por Primot no longa Gata Velha Ainda Mia (2013). Bárbara interpreta uma insistente jornalista em busca de entrevista com uma escritora veterana, representada por Regina Duarte (1947). As atrizes convivem por alguns dias, reclusas, para alcançar o registro de suspense que descamba em violência. 

Sob direção de Babenco, atua na peça Vênus em Visom (2014), no papel de uma atriz determinada a conquistar o posto principal em montagem de um famoso encenador. A atuação é preparada por Bárbara a partir de versão vista na Broadway e do conceito metalinguístico e erótico do texto, que contempla o sadomasoquismo. Com essa participação, a atriz recebe o reconhecimento da crítica por sua maturidade no palco. 

Em 2015, Bárbara volta a ser dirigida por Babenco, desta vez no cinema, no longa Meu Amigo Hindu. Trata-se de um drama sobre um diretor de cinema com câncer e sua maneira de lidar com a doença, fato então vivido por Babenco. A atriz faz o papel de namorada do diretor. A tônica do filme nasce de um momento dos dois em noite de tempestade na praia, quando a atriz decide dançar sob a chuva. A situação, encenada para o longa, confere o sentido da vida e seu valor, e não a noção eventual de morte. O projeto rende um making of dirigido por Bárbara.

Protagoniza a peça Gata em Telhado de Zinco Quente (2016), dirigida por Tolentino. O romantismo é a chave da atriz para construir sua Maggie, papel sempre almejado por ela, mulher desprezada pelo marido em ambiente patriarcal do sul dos Estados Unidos, nos anos 1950. A crítica destaca o tom dualista de sensualidade e medo, poder e fraqueza de sua atuação nessa montagem, que coincide com a morte de Babenco.

A relação com a obra de Babenco e sua memória prossegue. Bárbara dirige o curta documental Conversa com Ele (2018), um hipotético diálogo entre o médico Dráuzio Varella (1943) e Babenco. Em 2019, lança o livro Mr. Babenco – Solilóquio de Dois sem Um, organizado a partir de conversas entre os dois até o último jantar juntos. No mesmo ano, dirige o documentário em preto e branco Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou (2020). Trata-se de um olhar pessoal e amoroso sobre o homem e a obra, sem viés de sentimentalismo fácil. A diretora reafirma com o projeto a ideia de valor da vida procurada por Babenco em seu último filme, e, como homenagem, retoma a sequência de seu balé sob a chuva torrencial ao som da canção clássica Singin’in the Rain.

Ainda em 2019, dirige para o portal GShow a série documental Assédio.Doc, com vítimas de assédio sexual cometido pelo médico Roger Abdelmassih (1943). Em 2021, dirige o curta ficcional Ato, inspirado pelo período da pandemia e pelo sentimento de solidão e afeto por ela gerado.

Em sua extensa produção, tanto como intérprete quanto como diretora e produtora, Bárbara Paz alia técnica com vivência diversa, transitando nessas áreas com desenvoltura e curiosidade, sem medo de se arriscar.

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