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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Raul de Souza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.12.2021
23.08.1934 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
13.06.2021 França / Ile de France / Paris
João José Pereira de Souza (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1934 - Paris, França, 2021). Trombonista, compositor, arranjador. Músico referência em instrumentos de sopro, como trombone, tuba, saxofone e flugelhorn. Suas primeiras referências musicais são o samba e o jazz mas, posteriormente, passa a tocar choro e gafieira. É considerado por críti...

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João José Pereira de Souza (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1934 - Paris, França, 2021). Trombonista, compositor, arranjador. Músico referência em instrumentos de sopro, como trombone, tuba, saxofone e flugelhorn. Suas primeiras referências musicais são o samba e o jazz mas, posteriormente, passa a tocar choro e gafieira. É considerado por críticos e especialistas como um dos maiores trombonistas do mundo.

Nasce no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro, e é criado em Bangu. Na adolescência, aprende a tocar pandeiro de forma autodidata. Tem suas primeiras influências musicais na igreja e de audições de rádio na casa de vizinhos. De maneira informal, ainda nos anos 1950, tem breves contatos com Pixinguinha (1897-1973), Nelson Cavaquinho (1911-1986) e Jamelão (1913-2008).

Aos 16 anos, tem um contato inicial com instrumentos como saxofone e trombone na banda da Fábrica de Tecidos de Bangu, onde toca tuba. Desperta maior interesse pelo sax mas ganha de seu pai um trombone, instrumento mais barato na época. Ainda jovem, participa do programa de calouros de Ary Barroso (1903-1964), na Rádio Tupi, conquistando notas máximas por três vezes seguidas. O compositor e radialista sugere que ele adote o nome artístico de Raulito e, posteriormente, Raulzito. Frequenta o Ponto dos Músicos, na Praça Tiradentes, onde é convidado por Altamiro Carrilho (1924-2012) para gravar o disco Samba em Hi-Fi com a Turma da Gafieira (1957) ao lado de nomes como Sivuca (1930-2006), Baden Powell (1937-2000), Zé Bodega (1923-2003) e Maestro Cipó (1922-1992).

Em 1965, lança seu primeiro álbum como solista, Raulzinho – À Vontade Mesmo. Acompanhado pelo Sambalanço Trio, registra seu tema autoral À Vontade Mesmo, além de composições de Tom Jobim (1927-1994), Vinicius de Moraes (1913-1980), Duke Jordan (1922-2006) e Bart Howard  (1915-2004). Integra os conjuntos RC-7, acompanhando Roberto Carlos (1941), e o instrumental Impacto 8. No fim da década de 1960, muda-se para o México e, posteriormente, para Boston (Estados Unidos), onde estuda teoria musical na Berklee College of Music.

A formação intuitiva de Raul de Souza, tocando de ouvido desde o início de sua carreira, representa um grande diferencial em sua maneira de tocar. Para especialistas, o fato de ele não se ater à rigidez e às formalidades de partituras resulta em um estilo livre e criativo de interpretação e, principalmente, de improvisar sobre harmonias pré-estabelecidas. Influenciado por trombonistas como Ed Maciel (1927-2011), Astor Silva (1922-1968), Maciel Maluco e Nelsinho, Raul sintetiza a escola do instrumento, mesclando linguagens e estilos de tocar diferentes gêneros musicais.

Em suas diversas áreas de atuação, como compositor e arranjador, Raul obtém maior projeção como instrumentista. Mesmo de maneira autodidata, passa a dominar a clave de Fá – relativa a partituras de trombone -, inicialmente no instrumento de três pistos (válvulas), com afinação em Si Bemol, o mais constante em sua carreira. Seu domínio completo sobre a técnica, o leva a ser considerado por críticos e especialistas como um virtuose, executando muitas notas com extrema rapidez, fluência e expressividade. Versátil, Raul também domina o tradicional trombone de vara, com o qual também chega a gravar e a se apresentar frequentemente em shows. Além disso, escreve um novo capítulo na história de seu instrumento quando, em 1979, inova ao encomendar de um luthier um trombone com quatro pistos, afinado em Dó Maior, batizado de “Souzabone” em sua homenagem.

Os discos de Raul não seguem uma linearidade, seja no que diz respeito à formação instrumental, seja na linguagem e na escolha de repertório. Antes de sua ida ao exterior, os álbuns são marcados por um certo hibridismo e interseção de gêneros, registrando samba, bossa nova, entre outros. Nos Estados Unidos, tendo o saxofonista e compositor John Coltrane (1926-1967) como maior referência, Raul volta-se para o jazz mas sem abandonar as raízes brasileiras. Segundo o crítico Roberto Muggiati, ele é o inventor da “jazzfieira”, mistura do jazz com gafieira.

Em 1974, Raul lança seu primeiro álbum no exterior, Colors, com a gravadora OJC e passa a assinar como Raul de Souza. Com a gravadora Capitol Records, lança três álbuns: Sweet Lucy (1977), Don’t Ask My Neighbors (1978) e Till Tomorrow Comes (1979). Deixa os Estados Unidos em 1986 e passa a dividir seu tempo entre o Brasil e a França, país de origem de sua esposa. Na década de 1980, lança apenas o álbum Viva Volta (1986). Em novo disco, Rio – Featuring Conrad Herwig (1998), apresenta apenas composições de outros autores. Nos anos 2000, grava Jazzmim (2006), com seu grupo Na Tocaia, e Bossa Eterna (2008), ao lado de João Donato (1934), Robertinho Silva (1941) e Luiz Alves (1944).

O reconhecimento à trajetória de Raul de Souza se dá em diversas premiações. Por três vezes consecutivas, a revista especializada em jazz Downbeat o destaca como um dos cinco melhores em seu instrumento. Também recebe menção na New York Jazz Magazine e a inclusão de seu nome na Encyclopedia of Jazz in the Seventies.

O percurso artístico de Raul de Souza é resultado da união da habilidade natural nos instrumentos de sopro com o cuidado com a técnica e seu aprimoramento. Mesmo em um gênero marcadamente norte-americano como o jazz, o artista inclui as referências da música brasileira na maneira de tocar e nas composições. Essa capacidade revela o seu virtuosismo aliado à forte intuição musical.

Obras 1

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Shows musicais 1

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Fontes de pesquisa 7

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