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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Carlos Antônio Mancuso

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.08.2022
1930 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem, 1950
Carlos Antônio Mancuso
Óleo sobre tela, c.i.d.

Carlos Antônio Mancuso. Porto Alegre, 1930 - Idem, 2009). Arquiteto, artista visual, professor. Especialista em barroco brasileiro, coordena projetos de restauro em edifícios tombados pelo patrimônio histórico em Porto Alegre, é professor de história da arte e aquarelista. 

Texto

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Carlos Antônio Mancuso. Porto Alegre, 1930 - Idem, 2009). Arquiteto, artista visual, professor. Especialista em barroco brasileiro, coordena projetos de restauro em edifícios tombados pelo patrimônio histórico em Porto Alegre, é professor de história da arte e aquarelista. 

A técnica da aquarela chama sua atenção ainda adolescente, quando tem aulas com os pintores José de Francesco (1895-1967) e João Faria Viana (1905-1975) em Porto Alegre. O primeiro lugar de um concurso de desenho em sua escola lhe garante uma bolsa para estudar no Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul (IBA-RS). Logo após concluir o curso de Belas Artes, ingressa na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde se forma em 1956 em uma das primeiras turmas. Tanto na UFRGS como no IBA-RS estuda com o artista e crítico de arte ítalo-brasileiro Ângelo Guido (1893-1969), que lhe convida em 1957 para ser seu assistente. Tempos depois, assume a disciplina estética e histórias das artes, nas duas instituições, até se aposentar.

Realiza viagens de estudos à Europa e excursiona com alunos da Faculdade de Arquitetura por cidades brasileiras. Durante sua carreira como educador, promove cursos e palestras sobre cultura e história da arte. Publica artigos em jornais de Porto Alegre de grande circulação como o Correio do Povo, Folha da Tarde e Zero Hora. Realiza pesquisa mais aprofundada sobre: a pintura brasileira do séc. XVI ao séc. XX; o processo de urbanização e evolução arquitetônica do Rio Grande do Sul; e a evolução iconográfica da cidade de Porto Alegre.

Sua tese de doutorado Arte e Cultura, escrita em 1964, é publicada em 1965. Em 1969 é bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian em Portugal, onde se aprofunda nos estudos sobre o Barroco. Em 1972 o resultado de suas pesquisas é publicado na antologia Aspectos do Barroco em Portugal, Espanha e Brasil, com outros três autores, entre eles seu mestre Ângelo Guido.

Entre 1975 e 1984 coordenou os trabalhos de restauração do Theatro São Pedro (1858), em Porto Alegre. O partido das intervenções é o de recuperar a estrutura original e adaptar o espaço às instalações contemporâneas de funcionalidade como ar condicionado, elevadores, maquinário para cenários. Para isso os usos de determinados espaços foram adaptados, vigas de aço substituíram as de madeira, áreas técnicas foram ampliadas e sanitários foram instalados em cada um dos sete pavimentos.

O forro, anteriormente adornado com motivos alegóricos que não resistiram ao tempo, recebe uma pintura coletiva de Mancuso juntamente com outros artistas do Rio Grande do Sul: Danúbio Gonçalves (1925-2019), Léo Dexheimer (1935) e Plínio Bernhardt (1927-2004). Entrecortada por entalhes de madeira dourada, a pintura mostra elementos da flora e da fauna local. O lustre, inteiramente recriado pelo arquiteto, é inspirado no original com 68 cúpulas e mais de 30 mil peças de cristal nacional e alemão. Recebe um mecanismo hidráulico de subida e descida de seus 4 metros de comprimento e cerca de 600 quilos, o que facilita a sua manutenção. 

Entre 1980 e 1982 Mancuso coordena os trabalhos de restauro do Solar Lopo Gonçalves (1855), atualmente Museu de Porto Alegre Joaquim José Felizardo. Em estilo colonial é o primeiro edifício de propriedade privada tombado pelo patrimônio público porto-alegrense. Trabalha também na restauração do Solar dos Câmara (1818), entre 1989 e 1993, habitação residencial em estilo colonial português transformada em espaço cultural. 

Utiliza de modo recorrente em seus croquis de arquitetura a aquarela, pois entende que ela contribui como linguagem de três formas: com transparência, por sua intrínseca luminosidade, e na rapidez espontânea durante a execução. Não participa de muitas mostras coletivas ou individuais ao longo de sua carreira. No entanto em 2017 a Secretaria Municipal de Cultura realiza uma exposição retrospectiva na Pinacoteca Aldo Locatelli. Intitulada Sensível Leveza apresenta 33 obras em aquarela com temática variada, que passa por retratos e cenas urbanas, paisagens e naturezas-mortas. Nas paisagens é possível identificar cenas dos vinhedos na serra gaúcha e, nas marinhas, a Praia da Guarita, em Torres. Figuras humanas raramente aparecem. A curadoria resgata em acervos de instituições e de colecionadores as obras produzidas entre 1950 a 1990.

A contribuição de Carlo Mancuso é fundamental para a história e a preservação dos bens culturais em Porto Alegre. Como educador, forma artistas e arquitetos, como artista fixa a paisagem da cidade em suas aquarelas, e, na intersecção de suas capacidades como arquiteto e historiador, coordena restauros em importantes edifícios históricos.

Obras 1

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem

Óleo sobre tela

Exposições 7

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Fontes de pesquisa 9

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  • ARTE em Porto Alegre e História. BLOG Professor Círio Simon. Disponível em http://profciriosimon.blogspot.com/2010/10/arte-em-porto-alegre-e-historia-em.html. Acesso em: 4 jun. 2022
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v. R759.981 A973d v.2
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • MANCUSO, Carlos Antônio (1930-2010) - Arte e Cultura . Porto Alegre : UFRGS - Instituto de Artes 1965, 51, p. Nº do sistema 0005000807.
  • MARTINS, Carlos (Coord.). Acervo gravura: doações recentes 1982/1984. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1984.
  • PIFFERO. Luiza. Exposição destaca leveza das aquarelas de Carlos Mancuso. Jornal digital GZH. Porto Alegre, 19 dezembro 2016. Disponível em https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/artes/noticia/2016/12/exposicao-destaca-leveza-das-aquarelas-de-carlos-mancuso-8827180.html. Acesso em: 4 jun. 2022.
  • Porto Alegre: Fundacao Theatro Sao Pedro, 1992. 2.ed. - 149 p. il. Language: Portuguese, Base de dados: SABi - Catálogo da UFRGS.
  • ROSA, Renato, PRESSER, Décio. Dicionário de artes plásticas no Rio Grande do Sul. 2. ed. rev. ampl. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2000. 527p.

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