Artigo da seção pessoas Bila Coimbra

Bila Coimbra

Artigo da seção pessoas
Dança  
Data de nascimento deBila Coimbra: 01-01-1934 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre) | Data de morte 2011 Local de morte: (Brasil / Santa Catarina / Florianópolis)

Bila D’Avila Manganelli Coimbra (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1934 – Florianópolis, Santa Catarina, 2011), bailarina, coreógrafa e professora. Começa a dançar aos 4 anos de idade e atua em espetáculos infantis promovidos pela Associação dos Críticos Teatrais do Rio de Janeiro. Acompanha as apresentações de sua mãe Clélia D’Ávila nos espetáculos da Companhia de Teatro de Revista, de Alda Garrido (1896-1970) e Ema D’Ávila (1916-1985), sua tia. 

Sem idade suficiente para ingressar na Escola de Dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, é incentivada por Yuco Lindberg (1906-1948), primeiro bailarino da casa, que lhe ensina as lições iniciais de dança. Anos depois, torna-se primeira bailarina infantil do corpo de baile oficial do Theatro.

Em 1947, ingressa no Ballet da Juventude e recebe, em 1949, o Prêmio de Bailarina Revelação da Associação de Críticos Teatrais por sua atuação na companhia. 

Na primeira metade da década de 1950, participa de teatros de revista e programas da TV Tupi. Busca trazer para a linguagem da dança acadêmica alguns elementos corporais de ritmos populares brasileiros, como chorinho, frevo e samba1

Em 1956, dirige a Escola de Dança do Teatro Santa Isabel, em Recife, onde permanece até 1960. De 1969 a 1971, leciona na Escola do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e, em 1972, no Teatro Álvaro de Carvalho, em Florianópolis. Em 1975, assume a Escola de Dança do Clube Doze de Agosto. Dirige e coreografa os espetáculos Ode ao Pescador (1973) e Dança Através dos Séculos (1976). Entre 1982 e 1986, leciona no Colégio Barddal e dirige Fruto da Serpente (1982) com Mauren Esmanhoto. Em 1987, inaugura sua escola, o Studio B e, no ano seguinte, forma o Ballet de Câmera de Florianópolis. 

Em 2007, recebe a Medalha do Mérito Cultural Cruz e Sousa, concedida pelo governo de Santa Catarina para homenagear aqueles que prestam relevantes serviços em prol do patrimônio artístico e cultural do estado. 

Com sólida formação pela Escola do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Bila D’Avila Manganelli Coimbra traz diversas inovações para as apresentações de dança nos lugares em que atua. 

Na direção da Escola de Dança do Teatro Santa Isabel, em Recife, é pioneira na utilização da orquestra sinfônica e do disco de vinil em espetáculos de balé, uma novidade para a época em Pernambuco. 

Em Florianópolis, contribui para a sistematização do ensino de dança e para a abertura a outras formas de produção artística. Os espetáculos que coreografa, dirige e produz, alicerçados na tradição do balé, contém elementos e procedimentos pioneiros para a cena florianopolitana.

Em Ode ao Pescador , Bila investe nas características regionais da capital catarinense, articulando a tradição da dança clássica aos aspectos da cultura local: encomenda letra e música do espetáculo a Oswaldo Ferreira de Mello (1893-1970), membro da Academia Catarinense de Letras, e convida a Banda da Policia Militar do Estado para participar ao vivo da apresentação2. Em uma das cenas da coreografia, reproduz a dança do Pau de Fitas, um dos legados culturais das Ilhas dos Açores.

Em A dança Através dos Séculos, apresenta a história da evolução da dança, com participação ao vivo de instrumentistas de Florianópolis. A presença de um narrador costurando as cenas também faz parte da estratégia que Bila utiliza para ir além das apresentações repetitivas do repertório clássico apresentados anteriormente na cidade. 

Até o final dos anos 1990, a coreógrafa dá continuidade à formação de profissionais de dança na capital catarinense. Dentre eles, Anderson Gonçalves (1946-2010) e Karin Serafin, do Grupo Cena 11 Cia de Dança; Elke Siedler, diretora da Siedler Grupo de Dança, e Sandra Meyer (1957), professora da Universidade do Estado de Santa Catarina.

Notas

1. COIMBRA, Bila. Entrevista concedida por Bila Coimbra a Sandra Meyer em sua residência. Florianópolis, 23 jul. 2007.

2. Como na época não havia orquestras sinfônicas, a banda da Polícia era convidada a tocar em eventos de Florianópolis. Criada em 1893, a Banda da PMSC, hoje Banda Sinfônica da Polícia Militar de Santa Catarina é das mais antigas dentre as bandas de polícias do mundo.

Outras informações de Bila Coimbra:

  • Outros nomes
    • Bila D'Avila Manganelli Coimbra
    • Bilinha
  • Habilidades
    • Bailarino
    • professor de dança
    • Coreógrafo

Fontes de pesquisa (7)

  • COIMBRA, Bila. Entrevista concedida por Bila Coimbra a Sandra Meyer em sua residência. Florianópolis, 23 jul. 2007.
  • FLORES, Maria Bernadete; LEHMKUHL, Luciene; COLLAÇO, Vera. A Casa do Baile: estética e modernidade em Santa Catarina. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2006.
  • MEYER, Sandra; TORRES, Vera; XAVIER, Jussara (Orgs.). Histórias da dança. Florianópolis: Editora Udesc, 2012. (Coleção Dança Cênica, 2.)
  • MONTE, Fernanda de Souza Guidarini. O processo de formação dos professores de dança de Florianópolis. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003. 
  • NUNES, Sandra Meyer. A dança cênica em Florianópolis. Florianópolis: Fundação Franklin Cascaes, 1994. (Cadernos de Cultura)
  • SIQUEIRA, Arnaldo; LOPES, Antonio. Flávia Barros. Recife: Edição dos Autores, 2004.
  • SUCENA, Eduardo. A dança teatral no Brasil. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura: Fundação Nacional de Artes Cênicas, 1989.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • BILA Coimbra. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa482538/bila-coimbra>. Acesso em: 08 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7