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Dança

Rolf Gelewski

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.12.2020
1930 Alemanha / Berlim / Berlim
1988 Brasil / Bahia / Feira de Santana
Rolf Gelewski (Berlim, Alemanha, 1930 – Feira de Santana, Bahia, 1988). Professor de dança, dançarino, coreógrafo, gestor cultural e fundador da Casa Sri Aurobindo. Entre a infância e a adolescência, testemunha a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Após esse período, inicia a formação artística em música, pintura e poesia. Aos 18 anos, descobre ...

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Rolf Gelewski (Berlim, Alemanha, 1930 – Feira de Santana, Bahia, 1988). Professor de dança, dançarino, coreógrafo, gestor cultural e fundador da Casa Sri Aurobindo. Entre a infância e a adolescência, testemunha a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Após esse período, inicia a formação artística em música, pintura e poesia. Aos 18 anos, descobre a dança e estuda na Escola de Dança Expressionista de Mary Wigman e na Staatliche Tanzschule Berlin. Entre 1953 a 1960, atua como dançarino e professor no Teatro Metropolitano de Berlim. Em 1960, aceita convite para substituir Yanka Rudzka (1916-2008) na direção da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Em 1961, dirige e coreografa o Grupo Juventude Dança que, em 1962, apresenta-se no 1º Encontro das Escolas de Dança do Brasil, em Curitiba. 

Durante 1962 a 1964, convida artistas como Klauss Vianna (1928-1992) e Angel Vianna (1928), Rudolf Pfill e Fred Tragut para atuarem como professores na Escola de Dança. Em 1965, funda o Grupo de Dança Contemporânea (GDC) da UFBA e realiza apresentações em Salvador, no interior da Bahia e em algumas capitais brasileiras. Dirige o grupo até 1970.

Em 1968, por meio de uma circulação de solos promovida pelo Instituto Goethe de Munique, participa de festival de intercâmbio cultural entre oriente e ocidente, em Madras, na Índia. É convidado a apresentar sua dança no Sri Aurobindo Ashram de Pondicherry. Desde então, torna-se adepto da concepção filosófica-espiritual proposta por Aurobindo Ghose [Sri Aurobindo (1872-1950)] e dos ensinamentos de Mira Alfassa [A Mãe (1878-1973)]. Gelewski distancia-se do formalismo estético e metodológico e volta-se para experiências místicas e filosóficas. Começa a focar o conceito de dança com base na improvisação e a desenvolver propostas de consciência corporal e espiritual. 

Em 1975, desliga-se da Escola de Dança da Ufba. Mora com uma comunidade de jovens durante nove anos e passa a dedicar-se exclusivamente à Casa Sri Aurobindo, criando núcleos em São Paulo, Belo Horizonte e Feira de Santana. Falece em um acidente automobilístico.


Rolf Gelewski vem ao Brasil por convite do professor alemão Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005), que integra a equipe responsável pela implementação das escolas de artes na UFBA. 

Em 15 anos de atuação na Ufba (1960-1975), Gelewski desenvolve atividades artísticas, administrativas e de ensino. Como diretor da Escola da Dança, promove a estruturação curricular, modificando o projeto pedagógico da escola, até então estruturado em cursos livres. Nessa reformulação, mantém o Curso Fundamental e o Magistério Elementar, implantados em 1956 por Yanka Rudzka. A Escola de Dança, aos poucos, adapta-se ao modelo universitário. Em 1968, Gelewski desenha, com contribuição das professoras Margarida Parreiras Horta e Dulce Aquino (1944), a proposta inicial dos currículos dos cursos de Dançarino Profissional e Magistério Superior, atendendo à Reforma Universitária de 1968. Em 1970, sob coordenação de Aquino, estrutura-se o primeiro modelo do Currículo Básico Nacional de Cursos de Dança no Ensino Superior, regulamentado pelo Conselho Federal de Educação.

Devido às reformas impostas pelo regime militar, em 1969, a Escola de Dança é unida a outras duas escolas de arte da Ufba, e passa a ser denominada Escola de Música e Artes Cênicas. O funcionamento da escola organiza-se por meio do Departamento de Dança e do Departamento de Integração e Educação Artística, dirigido por Gelewski. Dulce Aquino e Marly Sarmento colaboram de forma direta com Rolf Gelewski, alternando a direção da Escola de Dança no final dos anos 1960.

No campo pedagógico, Rolf Gelewski organiza várias publicações, como Filosofia da Dança I e II (1969; 1972), Dança e Educação (1971) e Rítmica Métrica: um Método Didático para o Ensino da Rítmica (1967), publicado pela Ufba, em edição comemorativa do vigésimo aniversário da universidade. Escreve vários materiais didáticos, como Estudo Básico de Formas (1970; 1971), Reflexões sobre a Dança e sobre a Unidade do Espaço e Dança Vista mais Profundamente (s.d.), Exercícios Referentes às Três Dimensões do Espaço e às Direções no Espaço (s.d.) e os Exercícios Referentes ao Caminho Reto e Curvo no Espaço (s.d.). Posteriormente, a Casa Sri Aurobindo publica a revista Ananda e várias obras, como Ver, Ouvir, Movimentar-se: Dois Métodos e Técnicas Referentes à Improvisação na Dança (1973), com sua proposta de dança espontânea.

Dada a personalidade centralizadora, Gelewski é praticamente o único coreógrafo do GDC, mesmo quando o grupo recebe importantes nomes da dança nacional e internacional. Ele opõe sua concepção coreográfica aos paradigmas do balé e define sua dança como expressiva, moderna e livre. 

Parte das propostas metodológicas e artísticas de Gelewski é criticada por algumas ex-alunas de Yanka Rudzka. Elas discordam do excesso de rigor e formalismo, e acreditam que a proposta artística do Grupo de Dança distancia-se dos processos de criação colaborativos, em que há participação dos dançarinos.

Com seu desligamento oficial da Escola de Dança em 1975, Rolf dedica-se, ao longo de 13 anos, aos preceitos da Casa Sri Aurobindo.

Fontes de pesquisa 8

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  • AQUINO, Dulce. A Escola de Dança. Revista da Bahia, Salvador, n.41, 2005. p.4-15.
  • ARAUJO, Lauana Vilaronga Cunha de. Estratégias poéticas em tempos de ditadura: a experiência do Grupo Experimental de Dança de Salvador – BA. Dissertação (Mestrado em Artes Cênicas) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008.
  • AVANCINI, Atilio. Rolf Gelewsky: ser a própria de espontaneidade e criatividade. Revista Thot, Salvador, n. 48, 1988. p. 36-48
  • CADERNO especial. A chama tem que ser vivida: reflexões sobre a vida, a educação, a arte, a busca espiritual. Revista Ananda, Salvador, ano 27, n.2, abr./ maio 1998.
  • CASA Sri Aurobindo. Rolf: textos de Rolf Gelewski sobre vida, educação, arte e espiritualidade. Revista Ananda, Salvador, n. 100, 1991.
  • NOGUEIRA, Isabelle. Rolf Gelewski. Repertório teatro e dança, Salvador, ano 7, n. 7, p. 24-29, 2004.
  • PASSOS, Juliana Cunha. Rolf Gelewski e suas contribuições para a formação e criação em dança no Brasil. In: Anais do VI Congresso de Pesquisa e Pós-graduação em Artes Cênicas. São Paulo: Unesp, 2010.
  • ROBATTO, Lia; MASCARENHAS, Lúcia. Nos passos da dança: Bahia. Salvador: FCJA, 2002.

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