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Literatura

Adriana Lisboa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 24.02.2017
1970 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Adriana Lisboa Fábregas Gurevitz (Rio de Janeiro RJ 1970). Romancista, contista, autora de histórias infantis e juvenis e tradutora. Passa a primeira infância em Brasília, entre 1971 e 1975, e em seguida retorna à cidade natal, onde conclui os estudos em 1987, no Colégio Santa Úrsula. Gradua-se em música na Universidade Federal do Rio de Janeiro...

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Biografia

Adriana Lisboa Fábregas Gurevitz (Rio de Janeiro RJ 1970). Romancista, contista, autora de histórias infantis e juvenis e tradutora. Passa a primeira infância em Brasília, entre 1971 e 1975, e em seguida retorna à cidade natal, onde conclui os estudos em 1987, no Colégio Santa Úrsula. Gradua-se em música na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1994, atuando como professora entre 1992 e 2000 - exceto entre 1988 e 1989, quando vive, durante um ano, em Paris e Avignon, França, trabalhando como cantora de música popular brasileira. A estreia na literatura ocorre em 1999, com a publicação de Os Fios da Memória. Em 2002, defende o mestrado em Letras na Universidade Estadual do Rio de Janeiro: com uma proposta ficcional para sua dissertação, parte da posia de Manuel Bandeira (1886 - 1968) para compor o romance Um Beijo de Colombina. Estreia na literatura infantil em 2005, com Língua de Trapo. Em 2006, inicia a produção do seu próximo romance, Rakushisha (2007), ambientado no Japão, e permanece por um mês em Kyoto, como bolsista da Fundação Japão. Nos Estados Unidos, onde vive desde 2007, atua como pesquisadora visitante na Universidade do Novo México, no mesmo ano, e na Universidade do Texas, em 2008 e 2009. Tendo traduzido para o português autores como Maurice Blanchot e Robert Louis Stevenson, decide interromper, em 2012, o trabalho como tradutora, realizado durante 11 anos. Atualmente dedica-se exclusivamente à literatura e ao trabalho voluntário com refugiados na Lutheran Family Services Rocky Mountains, de Denver, EUA.

Análise

A obra de Adriana Lisboa, iniciada com Os Fios da Memória (1999), que flerta com o romance histórico, desenvolve-se em narrativas fragmentadas e não lineares: a resposta humana a eventos passados, frequentemente traumáticos, é investigada em uma prosa reflexiva e atenta aos detalhes. Trata-se, assim, de obras centradas na dimensão psicológica das personagens, e não na exterioridade narrativa.

O enredo de Sinfonia em Branco (2001), livro com o qual se consagrou junto à crítica, transcorre durante algumas horas, período em que Tomás e Clarice esperam pela chegada de Maria Inês, irmã desta e amante daquele, treze anos após o último encontro. Entre os recuos no tempo que recuperam um evento trágico e a ambientação presente, estão representados as consequências psicológicas do abuso familiar e das omissões diante dele, propondo-se ainda a reflexão sobre o futuro possível à vítima ou à testemunha do crime apresentado na trama.

O sofrimento relacionado à família será o que move também as personagens de Rakushisha (2007) e Azul-Corvo (2010). No primeiro caso, Celina e Haruki, recém-conhecidos, embarcam em uma repentina viagem para o Japão. Ambos vivenciam, na distância cultural, situações de dor, isolamento, solidão e constroem seus caminhos para conviver pacificamente com elas. Já o outro romance, narrado por Vanja, que parte para os Estados Unidos em busca de seu pai, reconstitui episódios da história brasileira à medida que a protagonista se apropria de seu próprio passado.

O diálogo com a tradição literária e outras artes tem papel estrutural na obra da autora, conforme revela o romance de 2007 (Rakushisha), entremeado por trechos do diário de Matsuo Bachô, poeta japonês do século XVII, e Um Beijo de Colombina (2003), construído a partir de poemas de Manuel Bandeira (1886 - 1968). Deste poeta a autora herda também a inclinação por extrair reflexões do cotidiano, o que estará no centro de Caligrafias (2004).

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