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Alberto Mussa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.06.2016
28.06.1961 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Alberto Baeta Neves Mussa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1961). Romancista, contista, tradutor. Forma-se em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sua dissertação de mestrado versa sobre o papel das línguas africanas na constituição do português do Brasil. Realiza estudos sobre diversas culturas primitivas. Estreia na lite...

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Biografia
Alberto Baeta Neves Mussa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1961). Romancista, contista, tradutor. Forma-se em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sua dissertação de mestrado versa sobre o papel das línguas africanas na constituição do português do Brasil. Realiza estudos sobre diversas culturas primitivas. Estreia na literatura com Elegbara (1997), livro de contos inspirado pela mitologia dos nagôs, etnia africana responsável por trazer o candomblé ao Brasil. Com o auxílio de bolsa da Fundação Biblioteca Nacional, escreve O Trono da Rainha Jinga (1999), romance de mistério ambientado no Rio de Janeiro do século XVII.

Fascinado pela poesia pré-islâmica, dedica-se a um projeto de tradução e pesquisa sobre o mundo árabe. Como resultado dos estudos sobre a cultura do Oriente Médio, publica o romance O Enigma de Qaf (2004). O livro recebe o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca) e o Prêmio Casa de las Américas (Cuba), em 2005, na categoria de melhor obra da literatura brasileira. Outro desdobramento desses estudos é a coletânea de traduções Os Poemas Suspensos (2006). Inspirado pelo escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) e por pesquisas antropológicas sobre o adultério, redige O Movimento Pendular (2006). Compila uma série de versões de mitos sobre a cosmogonia tupinambá e escreve o ensaio ficcional Meu Destino É Ser Onça (2008). Três anos depois, publica O Senhor do Lado Esquerdo (2011) e recebe o prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional. Recebe, também, o Prêmio Oceanos 2015 pelo romance A Primeira História do Mundo (2014).

Análise da Trajetória
A obra de Alberto Mussa é motivada pela premissa "só me interessa quem não sou eu”. A frase deriva de um trecho do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade (1890-1954), no qual o escritor modernista afirma "só me interessa o que não é meu". Tal obra se constrói com base na busca incessante de experiências históricas e míticas de diversas culturas – dos povos da África pré-colonial e da América pré-colombiana às tribos indígenas brasileiras, passando pela poesia das comunidades pré-islâmicas.

O escritor tem amplo conjunto de referências, que vão do modernismo de 1922 à obra de escritores como o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) e de antropólogos como o belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Assim, sua literatura é marcada pela pesquisa de possibilidades narrativas avessas à ficção realista. Também se contrapõe e à ideia de que a arte literária é a representação de uma experiência subjetiva.

Marcados pelo espírito etnológico, seus escritos desenvolvem uma espécie de canibalismo artístico. Dispõem, de modo multiculturalista, gêneros distintos, como o ensaio, o romance policial, a epopeia, que fornecem matéria para sua pesquisa formal. É o que se pode observar em O Enigma de Qaf, no qual Mussa entrecruza história e mitologia em diferentes segmentos narrativos. No romance, o leitor é imerso na cultura árabe e acompanha, simultaneamente, a busca de um homem para comprovar a existência de um antigo poema – recitado na infância por seu avô – e as aventuras de um poeta pelo mundo pré-islâmico. No panorama da literatura brasileira recente, a obra de Alberto Mussa não encontra paralelo e tem despertado interesse de diversos estudiosos.

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