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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Paulo Thiago

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.11.2022
08.10.1945 Brasil / Minas Gerais / Aimorés
05.06.2021 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Paulo Thiago Ferreira Paes de Oliveira (Aimorés, Minas Gerais, 1945 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021). Cineasta, documentarista, roteirista, produtor. Diretor de longas-metragens ficcionais e documentais reconhecidos, tem uma carreira marcada por adaptações de obras literárias nacionais. Em sua longa trajetória no audiovisual também produz...

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Paulo Thiago Ferreira Paes de Oliveira (Aimorés, Minas Gerais, 1945 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021). Cineasta, documentarista, roteirista, produtor. Diretor de longas-metragens ficcionais e documentais reconhecidos, tem uma carreira marcada por adaptações de obras literárias nacionais. Em sua longa trajetória no audiovisual também produz diversos filmes e tem atuação como presidente da Associação Brasileira de Cineastas (Abraci).

Ainda na infância muda-se para o Rio de Janeiro, onde posteriormente cursa Economia e Sociologia Política na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio). No entanto, desde sua juventude desenvolve paixão pela literatura nacional e pelo cinema, frequentando sessões na cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) e nos cinemas cariocas tradicionais.

Nos anos 1960, ainda na universidade, realiza seus primeiros filmes em formato de curta-metragens. Entre eles, destaca-se seu primeiro documentário, A Criação Literária de João Guimarães Rosa (1969), que já revela seu interesse pelo diálogo entre produção cinematográfica e o universo da literatura brasileira. 

No ano seguinte, produz seu primeiro longa-metragem Os Senhores da Terra (1970), uma ficção rodada na sua cidade natal e com forte influência da estética do Cinema Novo e da literatura de cordel. Retratando a realidade do coronelismo na região como analogia ao contexto da ditadura militar no país, o filme recebe o prêmio da crítica internacional em festival na antiga Tchecoslováquia e tem circulação em importantes festivais internacionais, marcando o sucesso do cineasta iniciante.

Seu longa seguinte, Sagarana, o Duelo (1973), é baseado no quarto conto de Sagarana (1946), obra de Guimarães Rosa (1908-1967), sendo o representante brasileiro no Festival de Berlim de 1974 e eleito como um dos filmes do ano pelo Jornal do Brasil. Nota-se o diálogo com a estética dos faroestes hollywoodianos e uma experimentação narrativa que busca transpor a escrita criativa de Guimarães para a linguagem cinematográfica, incorporando os neologismos nas falas e os “tipos” dos personagens rosianos.

Deslocando-se do universo rural mineiro de suas primeiras realizações, dirige Soledade - A bagaceira (1976), uma adaptação da obra de José Américo de Almeida (1887-1980) ambientada no universo dos engenhos canavieiros na Paraíba; e A Batalha dos Guararapes (1978), superprodução com milhares de figurantes para encenar a batalha histórica durante a ocupação holandesa em Pernambuco. Este último alcança a marca de 1,5 milhão de espectadores no país e tem a presença do ator José Wilker (1946-2014) como protagonista.

Em 1981, funda sua própria produtora audiovisual e passa a atuar como produtor de filmes de outros realizadores parceiros, como no caso de Engraçadinha (1981), de Haroldo Marinho Barbosa (1944-2013) e O Bom Burguês (1983), de Oswaldo Caldeira (1943).

Retorna à direção com Águia na Cabeça (1983), um dos seus maiores sucessos em que busca experimentar outras linguagens com a proposta de um thriller urbano carioca com influências do Cinema Noir¹. Na mesma época, preside a Associação Brasileira de Cineastas (Abraci), entre 1985 e 1987, organização com a qual colabora desde sua fundação com o objetivo de fortalecer o cinema brasileiro e defender os direitos autorais dos realizadores.

Na década de 1990, realiza seus filmes de maior destaque: Jorge, um Brasileiro (1989), adaptação da obra de Oswaldo França Jr. (1936-1989); Vagas para moças de fino trato (1993), baseada na peça homônima de Alcione Araújo (1945-2012); e Policarpo Quaresma - Herói do Brasil (1998), adaptação da obra-prima de Lima Barreto (1881-1922) com uma elogiada atuação de Paulo José (1937-2021) e levando o prêmio de direção Festival Latino-Americano de Trieste, na Itália.

Já no início dos anos 2000, Paulo Thiago dedica-se à obra de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) com dois longa-metragens. Em Poeta de Sete Faces (2001) experimenta a criação de um “documentário poético”, como sugere a pesquisadora Tamiris Batista Leite, dividido em três partes que correspondem às distintas fases da produção do autor mineiro e incorporando sua poesia nas escolhas de montagem e desenvolvimento narrativo do filme. Em seguida, dirige O Vestido (2003) que tem sua história inspirada pelo poema “Caso do Vestido”, publicado em 1945 por Drummond.

Volta ao documentário com Coisa mais linda: história e casos da Bossa Nova (2005), que tem os compositores e musicistas Roberto Menescal (1937) e Carlos Lyra (1939) como protagonistas para contar a história do fenômeno da Bossa Nova em um tom intimista de conversa sobre os acontecimentos e processos de criação do grupo, além de entrevistas com grandes nomes do movimento. Curiosamente, o próprio Paulo Thiago acompanhou o início da Bossa Nova em sua adolescência, sendo aluno de violão de Menescal e conhecendo vários de seus membros participantes.

Na fase final de sua carreira, mais uma vez adapta uma obra literária na comédia Doidas e Santas (2017), baseada no best-seller homônimo de Martha Medeiros (1961). Já em seu último filme, A Última Chance (2019), inspira-se na vida do consagrado lutador de MMA Fábio Leão, que também foi tema do seu documentário Fábio Leão - entre o crime e o ringue (2013), realizado alguns anos antes.

Com uma trajetória de cinco décadas de atuação entre a direção de longas e curta-metragens e a produção de diversos filmes de outros realizadores, Paulo Thiago tem expressiva atuação no cinema. É reconhecido por sua versatilidade ao adotar linguagens distintas em cada uma de suas obras, além de sua íntima relação com a literatura brasileira que se materializa tanto nas adaptações como na homenagem a autores em seus filmes. 

NOTAS:
1 - Cinema Noir é um estilo cinematográfico marcado por filmes do gênero policial produzidos, principalmente, entre os anos 1940 e 1960 nos Estados Unidos. O estilo é caracterizado por histórias ambientadas em “submundos” urbanos, com personagens de caráter dúbio e a utilização de uma iluminação fortemente contrastada com sombras e gradientes de cinza construindo uma atmosfera de suspense. 

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