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Cinema

Paulo Gil Soares

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.02.2017
1935 Brasil / Bahia
2000 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Paulo Gil de Andrade Soares (Salvador BA, 1935 – Rio de Janeiro RJ, 2000). Cineasta e jornalista. Participa na Salvador da década de 1950 do grupo Jogralesca de Teatralizações Poéticas e da cooperativa Yemanjá Filmes. Amigo e parceiro do cineasta Glauber Rocha (1939-1981), trabalha com ele na redação do Jornal da Bahia e nas revistas Mapa e Sete...

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Biografia

Paulo Gil de Andrade Soares (Salvador BA, 1935 – Rio de Janeiro RJ, 2000). Cineasta e jornalista. Participa na Salvador da década de 1950 do grupo Jogralesca de Teatralizações Poéticas e da cooperativa Yemanjá Filmes. Amigo e parceiro do cineasta Glauber Rocha (1939-1981), trabalha com ele na redação do Jornal da Bahia e nas revistas Mapa e Sete Dias. Também o acompanha na produção de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), como co-roteirista, figurinista e assistente de direção. A experiência se reflete em seu primeiro filme, Memória do Cangaço (1964), produzido pelo fotografo e cineasta Thomas Farkas (1924-2011), o filme torna-se uma referência para do documentário nacional.

Dirige a ficção Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz (1967) e Um Homem e sua Jaula (1969), filme que divide o roteiro e a direção com Fernando Cony Campos, autor do romance homônimo. Retorna aos documentários com a Caravana Farkas, no final da década de 1960. A repercussão deste pequeno ciclo de 'filmes-reportagem' sobre o sertão nordestino leva Paulo Gil até à TV Globo. Nessa emissora, conduz a criação do programa Globo Repórter, trazendo para a televisão nomes conhecidos do Cinema Novo, tal como Walter Lima Jr. e João Batista de Andrade. Permanece à frente do programa até 1983. Em 1985, publica o livro “Vida, Paixão e Morte de Corisco, o diabo loiro”. Aposenta-se na TV Globo como diretor da Divisão de Projetos Comunitários.

Análise

Se Memória do Cangaço ainda se mostra preso a algumas convenções típicas do documentário brasileiro dos anos 1960, é nas pequenas minúcias que podemos vislumbrar um novo estilo despontando. É evidente que a obra se constrói como um filme de tese, encarnada pela “voz do saber” do narrador que nos explica os fundamentos (socio-econômicos) da questão. Porém, já podemos observar a história despontando nos próprios corpos, nas falas e nos silêncios dos entrevistados (mais até que na própria tese da narração). Daí a força do filme-reportagem: registrar os depoimentos, mas, acima de tudo, mostrar os depoentes, ou melhor, desvelá-los a partir do olhar da objetiva (filme), dando um espaço maior para a experiência subjetiva do outro. Eis uma tendência que, anos depois, Paulo Gil explora em filmes como “Frei Damião: trombeta dos aflitos, martelo dos hereges” (1970) dentro de um amplo projeto de registro da cultura popular nordestina articulado em torno do fotógrafo e produtor Thomas Farkas. É igualmente esta vertente do filme-reportagem que Paulo Gil trará para o Globo Repórter e que vai fazer a fama do programa nos anos 70; este também é o terreno sobre o qual cineastas que trabalharam sob a égide de Paulo Gil na TV Globo, especialmente Eduardo Coutinho, vão sedimentar seu próprio estilo narrativo na busca incessante dessa “voz do outro”.

Obras 1

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Exposições 1

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Eventos relacionados 1

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Fontes de pesquisa 3

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  • GOMES, João Carlos Teixeira. Glauber Rocha, esse vulcão. Rio de Janeiro, Nova Objetiva, 1997.
  • MUNIZ, Paula. Globo Repórter: os cineastas na televisão. In: Aruanda lab.doc (laboratório de pesquisas e análises sobre métodos de produção audivisual de não-ficção) – publicado em 13/08/2001. Disponível em: < www.mnemocine.com.br/aruanda >.
  • RAMOS, Clara Leonel. As Múltiplas Vozes da Caravana Farkas e a crise do “modelo sociológico”. Dissertação de Mestrado, Escola de Comunicações e Artes, USP, 2007.

Como citar

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