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Isaac Karabtchevsky

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.10.2016
Isaac Karabtchevsky (São Paulo SP 1934). Regente. Descendente de russos, e filho de uma mezzo-soprano com passagem pela Ópera de Kíev, inicia a carreira musical como oboísta. Pupilo de Walter Bianchi, toca segundo oboé na orquestra do Museu de Arte Moderna de São Paulo e vence, em 1953, o concurso de jovens solistas da Orquestra Sinfônica Brasil...

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Biografia
Isaac Karabtchevsky (São Paulo SP 1934). Regente. Descendente de russos, e filho de uma mezzo-soprano com passagem pela Ópera de Kíev, inicia a carreira musical como oboísta. Pupilo de Walter Bianchi, toca segundo oboé na orquestra do Museu de Arte Moderna de São Paulo e vence, em 1953, o concurso de jovens solistas da Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro. Na Escola Livre de Música, em São Paulo, estuda harmonia, composição e regência coral e sinfônica com o alemão Hans-Joachim Koellreuter.

Em 1955, transfere-se para Belo Horizonte, para criar um grupo de jovens militantes sionistas. Em vez disso, acaba fundando um coro: o Madrigal Renascentista que, sob sua direção, grava três discos entre 1958 e 1967. O Madrigal realiza ainda turnê à Europa, em 1958, apresentando-se também na América Latina e nos EUA, na década de 1960. Durante a viagem europeia do Madrigal, em 1958, Karabtchevsky é bolsista do conservatório de Freiburg (Alemanha), frequentando os cursos de Carl Uster e Wolfgang Fortner. Forma-se em 1961, fazendo, no mesmo ano, sua estreia como regente sinfônico, com a Filarmônica de Buenos Aires, no Teatro Colón. De volta ao Brasil, funda, no Rio de Janeiro, o Coro da Rádio MEC e a Sinfonieta da Rádio Roquete Pinto.

Em 1967, torna-se regente assistente de Eleazar de Carvalho na Orquestra Sinfônica Brasileira e, em 1969, assume a direção da orquestra, à frente da qual permanece até 1994. Na Europa, é regente titular da Orquestra Tonkünstler, de Viena (1988-1994), diretor musical do Teatro La Fenice, de Veneza (1995-2001) e da Orchestre National des Pays de La Loire, sediada nas cidades francesas de Angers e Nantes (2004-2009). No Brasil, é regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo (1993-2000) e da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (2003-2010). Em 2003, assume a Orquestra Petrobras Sinfônica, no Rio de Janeiro, à frente da qual grava DVDs dedicados a Radamés Gnattali e Villa-Lobos. Em 2011, passa a acumular suas funções na Petrobras Sinfônica com a direção artística da Sinfônica Heliópolis, mantida pelo Instituto Baccarelli em uma grande comunidade carente de São Paulo. Desde 2000 ministra, no Musica Riva Festival, na Itália, masterclasses de regência, implementando posteriormente curso análogo na Mimo - Mostra Internacional de Música de Olinda.

Comentário crítico
Isaac Karabtchevsky é um dos principais regentes brasileiros da segunda metade do século XX. Para além dos postos ocupados em diversas instituições musicais europeias, estabelece importantes relações artísticas com algumas das mais relevantes orquestras e teatros do Brasil.

A experiência que consolida a reputação de Karabtchevsky no país são os 26 anos em que ele fica à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro. Criada em 1940 pelo compositor José Siqueira, na então capital federal, a OSB rapidamente se estabelece como uma das principais orquestras do país. Sob regência de Eleazar de Carvalho, na década de 1950, se apresenta em diversos Estados brasileiros, grava 18 LPs e participa de momentos históricos, como a inauguração da nova capital, Brasília (1960).

Ministro da Fazenda do governo militar instalado em 1964, Otávio Gouveia de Bulhões transforma, em 1966, a OSB em Fundação. Em 1969, o então regente assistente Karabtchevsky substitui na chefia da orquestra o titular, Eleazar de Carvalho, que se transfere para São Paulo para criar a Osesp - a rivalidade entre os regentes e suas orquestras vai ditar a tônica da vida musical brasileira ao longo das próximas duas décadas.

Uma das ambições de Bulhões é transformar a OSB em uma sinfônica de nível internacional. Para tanto, envia Karabtchevsky ao leste europeu, para arregimentar, na então Tchecoslováquia, músicos experientes que contribuíssem para o aprimoramento da orquestra.

Outra estratégia é fazer a OSB se apresentar com solistas e regentes de renome mundial -em 1970, vem ao Brasil pela primeira vez o maestro alemão Kurt Masur, que desenvolve uma relação especial com a sinfônica.

Karabtchevsky comanda, ainda, as primeiras turnês internacionais de uma orquestra brasileira. A OSB vai à Europa em 1974, tocando na Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, Luxemburgo, Bélgica, Holanda e Áustria. Em 1977, é a vez de visitar EUA e Canadá.

Além de compositores internacionais (Dvorák, Tchaikovski, Prokofiev e Brahms), Karabtchevsky inclui no repertório de suas apresentações no exterior autores brasileiros, como Villa-Lobos, Marlos Nobre, Guerra-Peixe, Carlos Gomes e Alberto Nepomuceno. Aproveitando o repertório e a excelência dos estúdios de gravação da Europa e dos EUA, a OSB grava vários discos de música brasileira durante suas turnês.

Karabtchevsky é também o responsável pela estreia brasileira de obras como o Réquiem de Guerra, do britânico Benjamin Britten, Canção da Terra e Sinfonia n. 2, do austríaco Gustav Mahler, L'Enfant et les Sortilèges, de Ravel, Sinfonia n. 2 - Brasília, do fluminense Guerra-Peixe, Thérèse ou O Amor de Deus, do paulista Almeida Prado, Ludus instrumentalis, do pernambucano Marlos Nobre, Ludus symphonicus, do catarinense Edino Krieger, Oito canções de um rei louco, do britânico Peter Maxwell Davies, e Sinfonia n. 8, do austríaco Anton Bruckner, entre outras.

Se no público especializado da música erudita sua reputação já se encontra formada nesse período, o nome de Isaac Karabtchevsky começa a atingir plateias mais amplas a partir de 1972, com a criação do Projeto Aquarius, do jornal O Globo, que faz grandes apresentações ao ar livre no Rio de Janeiro. Mesclando atrações do mundo pop (como o tecladista Rick Wakeman, que toca para 25 mil pessoas no Maracanãzinho, em 1975, e George Martin, o produtor dos Beatles, em 1993), da dança (como o Balé Nacional de Cuba, de Alicia Alonso, em 1987, e o Balé Bolshoi, de Moscou, em 1989) e da ópera (uma montagem de Aida, de Verdi, na Quinta da Boa Vista, em 1986, com elefantes de verdade, para 200 mil pessoas), o projeto tem como ponto alto a execução, em 2006, da Sinfonia n. 8, de Mahler (conhecida como Sinfonia dos Mil, devido ao grande número de intérpretes que exige: orquestra, dois coros adultos, coro infantil e oito solistas vocais), sob regência de Karabtchevsky, na praia de Copacabana.

Embora suas principais credenciais residam no terreno da música sinfônica, Karabtchevsky também possui no currículo realizações operísticas, especialmente na época em que atua no Teatro La Fenice, de Veneza.

Dentre suas realizações em disco, destaca-se a integral das Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos, registrada no centenário do compositor, em 1987, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, e tendo o pianista Nelson Freire e a soprano Leila Guimarães como solistas convidados.

Durante seu período à frente do La Fenice, realiza também uma série de gravações, incluindo Sinfonia n. 2, de Mahler, Réquiem Op. 48, de Schumann, Via Crucis, de Liszt, Sinfonia n. 9 - Do Novo Mundo, de Dvorák, Concerto para piano n. 23, de Mozart, com o solista Deszö Ránki, Romeu e Julieta, de Berlioz, e as óperas Sadko, de Rimski-Korsakov, Fidelio, de Beethoven, Il Re Teodoro in Venezia, de Paisiello, e Sansão e Dalila, de Saint-Saëns. Na Europa, grava ainda o Concerto n. 3 para piano e orquestra de Rachmaninov com a Orquestra da Suíça Italiana e o solista Bruno Leonardo Gelber e, à frente da Orchestre National des Pays de La Loire, um disco dedicado a Ravel  (Bolero, La Valse, Daphnis et Chloé e Pavane por une infante défunte) e outro a Chostakóvitch, com o baixo Robert Holl e a pianista Elena Bashkirova.

Em 2011, dá início, com a Orquestra Sinfônica de São Paulo, à gravação integral das sinfonias de Villa-Lobos, para o selo Naxos -um projeto associado à restauração das partituras e ao resgate dessa parte pouco conhecida da obra do compositor.

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Fontes de pesquisa 6

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  • A Orquestra Petrobras Sinfônica. Disponível em: http://petrobrasinfonica.com.br/ . Acesso em: 05 abril 2013.
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo/ ópera: O Navio Fantasma 13 1984. Não catalogado
  • ISAAC Karabtchevsky. Site oficial. Disponível em: http://www.karabtchevsky.com/ Acesso em: 05 abril 2013.
  • KARABTCHEVSKY, Isaac - O que é ser maestro: memórias profissionais / de Isaac Karabtchevsky em depoimento a Fátima Valença. Rio de Janeiro: Record, 2003.
  • Orquestra Sinfônica Brasileira. Disponível em: http://www.osb.com.br Acesso em: 05 abril 2013.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Márcio Freitas. Não catalogado

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