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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Abrahão Sanovicz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.05.2017
1933 Brasil / São Paulo / Santos
04.1999 Brasil / São Paulo / São Paulo
Abrahão Velvu Sanovicz (Santos, São Paulo, 1933 - São Paulo, São Paulo, 1999). Arquiteto, urbanista, designer, professor. Ao mesmo tempo que cursa o ginásio, ele estuda desenho e trabalha em um escritório de desenho, onde é encarregado da aprovação de projetos. Faz o curso técnico de edificações na Escola Técnica Federal de São Paulo entre 1951 ...

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Biografia 

Abrahão Velvu Sanovicz (Santos, São Paulo, 1933 - São Paulo, São Paulo, 1999). Arquiteto, urbanista, designer, professor. Ao mesmo tempo que cursa o ginásio, ele estuda desenho e trabalha em um escritório de desenho, onde é encarregado da aprovação de projetos. Faz o curso técnico de edificações na Escola Técnica Federal de São Paulo entre 1951 e 1953. Ingressa como bolsista na Escola de Artesanato do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em 1952. Em 1954 entra na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, participando do Centro de Estudos Folclóricos - CEF, depois Centro de Estudos Brasileiros - CEB, do grêmio da faculdade - GFAU, responsável pela promoção de atividades culturais, pesquisas e publicações de arte e arquitetura. Realiza com colegas da faculdade o Conjunto Residencial para a Refinaria Presidente Bernardes, Prêmio Ex-Aequo do 3º Concurso Internacional para Escolas de Arquitetura da 4ª Bienal Internacional de São Paulo em 1957.1

Recém-formado, em 1959 recebe uma bolsa do Círculo Italiano de São Paulo para estagiar no escritório do artista plástico, arquiteto e designer italiano Marcello Nizzoli (1887 - 1969), e permanece seis meses em Milão. Em 1962 é contratado como professor da seqüência de desenho industrial, recém-criada pela reforma de ensino da FAU/USP, encabeçada por Vilanova Artigas (1915-1985). Em 1970 transfere-se para a seqüência de projeto de edificações, em que permanece até 1999. Na década de 1970, a convite do arquiteto Oswaldo Corrêa Gonçalves (1917 - 2005), participa da estruturação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos - Faus, como responsável pelo curso de desenho industrial e titular da cadeira de mensagem. Em virtude dessa experiência é convidado, em 1976, ao lado de Júlio Roberto Katinsky (1932), com quem divide a experiência na Faus, a conceituar os cursos de desenho industrial e comunicação visual do Instituto de Arquitetura da Universidade de Brasília - UnB.

Em 1997, por iniciativa do GFAU, é realizada a exposição Abrahão Sanovicz: Projetos, Desenhos, Gravuras, primeiro evento comemorativo do cinqüentenário da FAU/USP.

Análise

Abrahão Sanovicz forma-se arquiteto nos anos 1950, num momento de intensa atividade econômica e ampliação das demandas, do escopo e do prestígio da profissão. Vinculando-se à "escola paulista", liderada por Vilanova Artigas, Sanovicz define o projeto como "demonstração e exercício da soberania", afirmando que "é através dele que podemos contribuir para racionalizar os caminhos para o desenvolvimento", antecipando "o desejo de equiparar nossas cidades (edificações e urbanização), nossa paisagem (estradas, pontes, viadutos, planos regionais) com obras esteticamente belas, programática e tecnologicamente funcionais, para que nossas cidades e seus entornos se tornem agradáveis para o uso e a vida".2 É seguindo essa orientação que Sanovicz desenvolve sua pesquisa em projeto, realiza obras de apurado raciocínio técnico-construtivo e experiências sugestivas de serialização e industrialização de objetos e edifícios.

A ênfase na estrutura como definidora da arquitetura, o tratamento bruto do concreto armado, a grande cobertura, o volume único e a planta livre, características da "escola" e do diálogo por ela estabelecido com a "corrente construtivista" da arquitetura moderna carioca,3 orientam o arquiteto desde seus primeiros projetos, destacando-se entre eles o Centro Cultural e o Teatro Municipal de Santos, 1960/1968, realizado com Oswaldo Corrêa Gonçalves (1917 - 2005) e Júlio Roberto Katinsky (1932); o Ginásio Estadual de Santos, 1961, a Residência André Mendes Filho, 1973, e as Sub-Regionais Agrícolas, 1973/1974, construídas em São Paulo. Se nesses projetos a referência à obra de Oscar Niemeyer (1907-2012), Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) e Vilanova Artigas é mais direta, na década de 1970 percebe-se o amadurecimento do arquiteto, que contribui para a arquitetura moderna de maneira mais autônoma, como demonstram os projetos da sua casa, 1976/1977, em São Paulo, e aqueles realizados para a construtora paulista Formaespaço.

Nos Edifícios Residenciais, Modulados e Repetitíveis, 1970/1972, da Formaespaço, Sanovicz aperfeiçoa a idéia de levar o design para a edificação, testada anos antes no desenvolvimento do desenho dos caixilhos do edifício residencial na Rua Pará, 1963/1968, em São Paulo. O interesse pelo design do objeto, despertado durante a graduação e confirmado no estágio realizado no escritório do artista plástico, arquiteto e designer italiano Marcello Nizzoli (1887 - 1969), autor de famosas máquinas de escrever e de calcular da Olivetti, leva o arquiteto a desenvolver as linhas de móveis para escritório da Escriba, 1962, e da Forene S.A. Móveis do Nordeste, 1976, e os equipamentos públicos e sinalização para os jardins de São Paulo, 1967/1969, este último em parceria com os arquitetos Júlio Roberto Katinsky e Massayoshi Kaminura e o artista gráfico italiano Bramante Buffoni. Esses projetos, entretanto, não têm continuidade ou são realizados de modo incompleto, revelando a impossibilidade de trabalhar com design no Brasil no momento. É diante dessa frustração que o arquiteto volta-se para o projeto de edificação, desenvolvendo-o segundo o raciocínio do design, ou seja, em estreita relação com a produção industrial.

Seguindo as diretrizes da Formaespaço de realizar edifícios residenciais padrões que pudessem ser implantados em terrenos de dimensões restritas a baixo custo,4 Sanovicz concebe duas tipologias de edifícios residenciais modulados e repetitíveis. A primeira, destinada à classe média, consiste em um edifício lâmina, cuja estrutura de concreto armado aparente, com pilares achatados dispostos na periferia, lajes maciças, vigas de suporte e contraventamento desenhadas segundo a mesma modulação, garante flexibilidade aos arranjos internos, reaproveitamento dos jogos de formas da estrutura, colocação dos caixilhos pela parte interna da construção com a dispensa dos custosos andaimes externos, otimização dos custos e rapidez da construção. A segunda, destinada à classe popular, adota um sistema estrutural semelhante, diferenciando-se da primeira na área, no programa e no número de pavimentos. Como exemplo da primeira tipologia destaca-se o Modular Alfa, 1972, em São Paulo, e da segunda o Conjunto Residencial Nova Cidade, 1970/1971, em Jundiaí.

A aposta na industrialização da construção civil se enfraquece com o fim do "milagre econômico" e a estagnação econômica que marca as décadas de 1980 e 1990. Longe do otimismo e do prestígio que marcam a profissão entre os anos 1950 e 1970, Sanovicz enfrenta os novos desafios, confirmando a diretriz técnico-construtiva de sua obra, mas, ao mesmo tempo, assimilando novas preocupações, como a inserção do edifício à realidade local e a adaptação do projeto às tecnologias disponíveis no mercado brasileiro. Essas preocupações e novas diretrizes são discutidas em sala de aula e estão presentes no Fórum de Bragança, 1985, e no edifício sede do Banco do Estado de São Paulo, 1986, no Recife, onde o arquiteto lança mão de novos materiais, contrastando a malha estrutural em concreto armado com as paredes ondulantes de alvenaria autoportante de tijolos cerâmicos.5

Notas

1. Fazem parte da equipe os estudantes da FAU/USP Abrahão Sanovicz, Heberto Lira, Hélio Penteado, Israel Sancovicky, Jaguanhara Toledo, Ramos Jerônimo Bonilha, João C. Rodolfo Stroeter, José C. Mello Filho, Júlio Roberto Katinsky e Lúcio Grinover.

2. SILVA , Helena Aparecida Ayoub. Abrahão Sanovicz: o projeto como pesquisa. 2004. 314p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004.

3. KAMITA, João Massao. Espaço Moderno e País Novo. Arquitetura moderna no Rio de Janeiro. 1999. 184p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999.

4. Nesse período Paulo Mendes da Rocha (1928) e Eduardo de Almeida (1933) atendem a mesma encomenda da Formaespaço, desenvolvendo os edifícios Protótipo e Gemini, respectivamente. Ver: IMBRONITO, Maria Isabel. Três edifícios de habitação para a Formaespaço: Modulares, Gemini e Protótipo. 2003. 119p. Mestrado (Dissertação em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003. 

5. Todos esses projetos foram desenvolvidos em equipe: o primeiro em colaboração com Edson Jorge Elito, Affonso Risi Júnior, Le Tomchisky, João Carlos Monte Claro Vasconcellos, José Diaulas Pimentel de Almeida e o segundo com Marilena Fajerstajn.

Exposições 1

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Fontes de pesquisa 5

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  • IMBRONITO, Maria Isabel. Três edifícios de habitação para a Formaespaço: Modulares, Gemini e Protótipo. 2003. 119p. Mestrado (Dissertação em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003.
  • KAMITA, João Massao. Espaço Moderno e País Novo. Arquitetura moderna no Rio de Janeiro. 1999. 184p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999.
  • SANOVICZ, Abrahão. Abrahão Sanovicz. Sistematização crítica da obra de arquitetura. 1997. 233p. Tese Livre Docência - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1997.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • SILVA, Helena Aparecida Ayoub. Abrahão Sanovicz: o projeto como pesquisa. 2004. 314p. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2004.

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