Artigo da seção pessoas Edgard Scandurra

Edgard Scandurra

Artigo da seção pessoas
 
Data de nascimento deEdgard Scandurra: 1962 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Registro fotográfico Marcus Leoni

Edgard José Scandurra Pereira (São Paulo, São Paulo, 1962). Cantor, compositor, produtor musical, guitarrista e baterista. Membro de importantes bandas de rock nacional, como Ira! e Ultraje a Rigor, é um dos pioneiros da estética mod no Brasil. Durante sua carreira, realiza diversas experimentações musicais, misturando ritmos como o rock e a música eletrônica.

Autodidata, começa a tocar violão aos 6 anos e, aos 15, monta a primeira banda, Subúrbio. Nos anos 1980, participa dos grupos Mercenárias e Ultraje a Rigor, além de integrar a banda Smack. Em 1983, lança um compacto com a banda Ira!. Edgard Scandurra é canhoto e desenvolve uma técnica para tocar guitarra sem modificar as cordas, que ficam invertidas em relação ao posicionamento de um destro.

É influenciado pelo punk rock das bandas britânicas Sex Pistols e The Clash, e por grandes guitarristas, como Jimi Hendrix e Jimmy Page. É um dos pioneiros no Brasil da estética mod, movimento juvenil inglês que, nos anos 1980, está associado aos fãs das bandas The Jam e The Who. Scandurra assume a influência ao fazer a versão de “Our Love Was”, do grupo The Who, em seu primeiro trabalho solo, Amigos Invisíveis (1989).

Com a banda Smack, grava os discos Ao Vivo no Mosh (1984) e Noite e Dia (1985). Em 1985, com o Ira!, lança o álbum Mudança de Comportamento, com músicas de sua autoria, entre elas “N.B - Núcleo Base”, composta quando ele serve o exército, transformando-se em um manifesto antialistamento militar. Ainda deste disco, a canção “Longe de tudo” integra a trilha sonora do filme Areias Escaldantes (1985), de Francisco de Paula (1962), e “Flores em Você” faz parte da trilha da telenovela O Outro (1987).

Scandurra tem uma atuação determinante no chamado rock nacional. Além do Ira!, grupo pelo qual é mais conhecido, é guitarrista e produtor de artistas como Arnaldo Antunes e da banda Ultraje a Rigor. É autor de canções que marcaram a trajetória do grupo Ira!, como as do disco Psicoacústica (1988), um marco do rock brasileiro dos anos 1980. A sonoridade do rock aliada às críticas nas letras transformam o álbum em um dos mais emblemáticos do rock nacional.

Em 1988, produz o disco Trashland para a banda Mercenárias. Lança, no ano seguinte, o álbum Clandestino, com o grupo Ira!. No mesmo ano, registra Amigos Invisíveis, seu primeiro trabalho solo. O disco traz composições próprias, versões e três parcerias, com Taciana Barros, do Gang 90 & As Absurdettes.

Nos discos solo, Scandurra afirma a variedade de influências e mostra-se como multi-instrumentista. No primeiro deles, Amigos Invisíveis, toca todos os instrumentos em todas as faixas, exceto em “Abraços e Brigas”, que conta com piano de Taciana Barros. Amor Incondicional (2006), produzido por ele e Dudu Marote, traz elementos de música eletrônica, rock, pop e baladas românticas. Scandurra toca quase todos os instrumentos, canta e faz as programações eletrônicas em todas as faixas. Para ele, no rock cabem diferentes técnicas, como a distorção, a guitarra limpa, overdub e influência erudita, incluindo-se o ruído. Scandurra coloca esse pensamento em prática principalmente em seus trabalhos individuais.

Em 1991, com o Ira!, grava “Você Ainda Pode Sonhar”,  versão de Raul Seixas (1945-1989) para a música “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles. Em 1993, grava “Pai Nosso da Terra”, parceria com Raul Seixas (1945-1989) e Ricardo Gaspa, e “Perigo”, parceira com Arnaldo Antunes (1960). No mesmo ano, lança uma inesperada releitura de “Balada Triste”, de Dalton Vogeler (1926-2008) e Esdras Pereira da Silva (ca. 1920), sucesso de 1958 na voz de Agostinho dos Santos (1932-1973).

Em 1996, retoma o trabalho com a banda Ira! no álbum 7 e, em 1999,  lançam o álbum Isso é Amor, homenagem a artistas como Erasmo Carlos (1941), Tim Maia (1942-1998) e Chico Buarque (1944). Em 2000, grava o MTV ao Vivo, com releituras acústicas de sucessos da banda.

Frequentador de pistas de dança e fã de música eletrônica, produz uma trilogia por meio de um alter ego, o Benzina a.k.a Scandurra, na qual sintetizadores e baterias eletrônicas dialogam com sua guitarra, contrabaixo, bateria e vocais distorcidos por vocoders e efeitos sonoros. Os dois primeiros discos, Benzina (1996) e Dream Pop (2003), fazem sucesso no gênero. Produtores, amigos e DJs propõem realizar releituras desses trabalhos, o que dá origem ao terceiro e último disco do projeto, Benzina Remixes (2004).

Depois do Ira!, Edgard retoma, em 2008, a banda Smack, com o EP 3, além de trabalhar com Arnaldo Antunes, seu principal parceiro, nos projetos Decida, O Nome Disso, Consciência, Música para Ouvir e Ninguém, com participação de Paulo Tatit. A afinidade dos dois estende-se para outros projetos, como Pequeno Cidadão (2009), produção voltada para o universo infantil, e Curva da Cintura (2011). Este último traz a participação do instrumentista maliense Toumani Diabaté (1965). O músico africano é reconhecido por tocar kora, um instrumento da região com 21 cordas, que lembra a harpa. Todo o trabalho é gravado em Bamako, capital de Mali, e promove uma experiência diferente na carreira de Scandurra, até então praticamente alheio à cultura africana. 

Como guitarrista, compositor, produtor de música eletrônica e baterista, Edgard Scandurra mantém a energia punk de suas origens. Não vê fronteiras entre gêneros musicais, formas de tocar guitarra e fazer experimentações e promove conexões entre diferentes ritmos e instrumentos.

 

Outras informações de Edgard Scandurra:

  • Outros nomes
    • Edgard José Scandurra Pereira
  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete
    • Instrumentista
    • Compositor

Midias (1)

Edgard Scandurra – Série Cada Voz (2019)
Edgard Scandurra fala sobre a transformação que observou na música brasileira durante sua infância e adolescência, por meio do contato com o irmão, e o quanto essa presença foi decisiva na escolha pela profissão. Também de sua preocupação sobre o avanço conservador no país e com o cenário futuro.

A Enciclopédia Itaú Cultural produz a série Cada Voz, em que personalidades da arte e cultura brasileiras são entrevistadas pelo fotógrafo Marcus Leoni. A série incorpora aspectos de suas trajetórias profissionais e pessoais, trazendo ao público um olhar próximo e sensível dos artistas.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig
Assistência de fotografia: Rui Dias Monteiro

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Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • EDGARD Scandurra. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa452081/edgard-scandurra>. Acesso em: 20 de Ago. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7