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Teatro

Glória Menezes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.10.2021
19.10.1934 Brasil / Rio Grande do Sul / Pelotas
Nilcedes Soares de Magalhães (Pelotas, Rio Grande do Sul, 1934). Atriz. Com vasta carreira que se confunde com a trajetória da televisão nacional, é reconhecida como atriz versátil e que pôde se provar como intérprete em experiências significativas em teatro e cinema.

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Nilcedes Soares de Magalhães (Pelotas, Rio Grande do Sul, 1934). Atriz. Com vasta carreira que se confunde com a trajetória da televisão nacional, é reconhecida como atriz versátil e que pôde se provar como intérprete em experiências significativas em teatro e cinema.

Estreia no teatro com a peça Devoção à Cruz (1957), de Henry Gheon, dividindo a cena com Juca de Oliveira (1935). Sob direção de Antunes Filho (1929-1919), sua peça seguinte é As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller (1915-2005) em 1959. No mesmo ano, na TV Tupi, atua em Um Lugar ao Sol, sua novela de estreia, contracenando com Laura Cardoso (1927) e Marly Bueno (1933-2012). Mantém uma longa e profícua parceria artística com seu esposo, o ator Tarcísio Meira (1935-2021). Contracenam juntos pela primeira vez no teleteatro Uma Pires Camargo  (1961), de Geraldo Vietri (1827-1996) na TV Tupi.

Em 1962, faz sua estreia no cinema no filme O Pagador de Promessas, adaptação da peça teatral de Dias Gomes (1922-1999), dirigido por Anselmo Duarte (1920-2009). Na trama, Glória dá vida à Rosa, esposa do protagonista Zé do Burro, interpretado por Leonardo Villar (1923-2020), que enfrenta inúmeros desafios para cumprir a promessa de entrar em uma igreja católica e depositar uma pesada cruz que carrega por muitos quilômetros. O filme tem uma repercussão internacional positiva, culminando com a Palma de Ouro no Festival de Cannes e indicação ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira.

Ao lado de Tarcísio Meira, Glória Menezes estrela 2-5499 Ocupado, a primeira telenovela diária brasileira na TV Excelsior em 1963. Chega à TV Globo em 1967 para trabalhar na novela Sangue e Areia, de Janete Clair (1925-1983).

Inicia os anos 1970 com o grande sucesso de Janete Clair, a novela Irmãos Coragem. Na trama, Glória tem a oportunidade de se estabelecer como forte atriz dramática ao apresentar diferentes facetas da professora Maria de Lara que, por apresentar distúrbios psiquiátricos, manifesta outras duas personalidades: a vulgar Diana e a equilibrada Márcia.

No filme Independência ou Morte (1972), de Carlos Coimbra (1927-2007), interpreta a Marquesa de Santos, personagem histórica célebre por ter sido amante de D. Pedro I, interpretado por Tarcísio. Também em 1972 aparece em Meu Primeiro Baile, pioneiro programa gravado totalmente a cores no Brasil, ao lado de Paulo José (1937-2021), Sérgio Cardoso (1925-1973) e Francisco Cuoco (1934). Volta ao palco acompanhada de Tarcísio Meira em Tudo Bem no Ano que Vem (1976), do canadense Bernard Slade (1930-2019), com direção de Flávio Rangel (1934-1988), em que vivem um casal que se reencontra no mesmo lugar por 26 anos.

Nos anos 1980, Glória mantém sua trajetória ascendente na televisão variando os personagens escolhidos e mostrando-se uma atriz capaz de transitar com qualidade entre diferentes gêneros. Nas novelas Jogo da Vida (1981) e Guerra dos Sexos (1983), ambas de Silvio de Abreu (1942), o público pode conhecer a face cômica da intérprete. Já no teatro, novamente ao lado de Tarcísio Meira, integra o elenco de Um Dia Muito Especial (1986), de Ettore Scola (1931), com direção de José Possi Neto (1947).

Em Rainha da Sucata (1990), também de Silvio de Abreu, Glória diversifica suas composições interpretando uma das personagens mais marcantes de sua carreira. Com a vilã Laurinha Figueroa, a atriz apresenta uma mulher decadente de elite com forte oposição à classe emergente, personificada por Maria do Carmo, vivida por Regina Duarte (1947). A trajetória da personagem acaba com uma misteriosa morte despencando do alto de um prédio. O suspense sobre o autor do suposto crime mobiliza o país.

Em O Duplo (1991), peça escrita e dirigida por Domingos de Oliveira (1936-2019), volta a dividir o palco com Tarcísio, fato que se repete em E Continua Tudo Bem (1996). A trama escrita por Bernard Slade é uma continuação da peça do mesmo autor que a dupla montou 20 anos antes. Para o jornalista Nelson de Sá, o trabalho não traz os elementos de drama e humor que marcam o primeiro encontro dos atores com aqueles personagens. Ainda segundo ele, a direção de Marco Nanini (1948) e os intérpretes arriscam pouco, o que resulta em caricaturas no palco.

No início dos anos 2000, interpreta uma paciente terminal de câncer na peça Jornada de um Poema (2000) de Margaret Edson (1961) e com direção de Diogo Vilela (1957). Tendo construído sua trajetória profissional em que, além do talento dramático, sempre teve destacada sua beleza, a atriz chama atenção do público ao raspar os cabelos para compor a personagem. No mesmo trabalho, ainda protagoniza uma cena de nudez aos 67 anos. Pela performance, recebe indicação ao prêmio Shell de melhor atriz.

Entre 2007 e 2015 retorna ao teatro com Ensina-me a Viver, de Colin Higgins (1941-1988) com tradução de Millôr Fernandes (1923-2012) e direção de João Falcão (1958). A peça, que realiza turnê em diversos estados brasileiros, apresenta um casal inusitado: uma mulher de 80 anos com muita jovialidade e um homem de 20 anos obcecado pela morte, vivido pelo ator Arlindo Lopes (1979). A vivência traz ao rapaz o ponto de vista positivo e apaixonado pela vida que a idosa carrega.

Com mais de 60 anos de trabalho como intérprete em diversos meios, Glória Menezes tem destacada atuação na TV onde desenvolve personagens diversas e pode mostrar versatilidade dando vida desde mocinhas românticas a mulheres de elite, passando por vilãs que marcam o imaginário popular.

Espetáculos 14

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