Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Marcelo Evelin

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.01.2020
24.03.1962 Brasil / Piauí / Teresina
Marcelo Evelin de Carvalho (Teresina, Piauí, 1962). Coreógrafo, intérprete, pesquisador e professor. De 1979 a 1984, vive no Rio de Janeiro, onde inicia a formação em jornalismo e teatro, sem, contudo, concluir os cursos. Estuda com os coreógrafos Klauss Vianna (1928-1992), Angel Vianna (1928), Lennie Dale (1934-1994) e Graciela Figueiroa (1944)...

Texto

Abrir módulo

Marcelo Evelin de Carvalho (Teresina, Piauí, 1962). Coreógrafo, intérprete, pesquisador e professor. De 1979 a 1984, vive no Rio de Janeiro, onde inicia a formação em jornalismo e teatro, sem, contudo, concluir os cursos. Estuda com os coreógrafos Klauss Vianna (1928-1992), Angel Vianna (1928), Lennie Dale (1934-1994) e Graciela Figueiroa (1944). Em 1984, participa do espetáculo Porcos com Asas, do diretor e iluminador Jorginho de Carvalho (1946), com o qual realiza turnês pelo Brasil durante dois anos. De 1984 a 1986, permanece em São Paulo, onde trabalha com o bailarino Denilto Gomes (1953-1994) e frequenta aulas do coletivo de artistas Marzipan. Recebe os prêmios Mambembe, Governador do Estado de São Paulo e Associação Paulista de Críticos de Artes (Apca) pelo musical infantil Te Amo Amazônia (1985), sua estreia como coreógrafo. 

Entre 1986 e 2006, vive na Europa. Em Paris, estuda com os coreógrafos franceses Philippe Decouflé (1961) e Karine Saporta (1950) e o ioguslavo Josef Nadj (1957). Em Amsterdã, permanece por um ano como estudante residente da School for New Dance Development (SNDO) e integra a companhia The Meekers, do coreógrafo norte-americano Arthur Rosenfeld (1952). Em Wuppertal, Alemanha, permanece por nove meses como estagiário da Tanztheater Wuppertal, companhia da coreógrafa alemã Pina Bausch (1940-2009), onde é chamado, em 1989, para audição privada durante o processo de criação de Palermo, Palermo. No mesmo ano, subvencionado pelo governo holandês, inicia a carreira como coreógrafo profissional. Quatro anos depois, recebe o prêmio Amsterdams Fonds Voor De Kunst pela Trilogia do Desejo, formada pelas peças Muzot (1989), Time Held me Green and Dying1(1991) e Tongue to the Heart (1993). 

Vive por um ano em Nova York, onde cria Ai, Ai, Ai (1995) e funda a Companhia Demolition Inc. De volta à Europa, desenvolve a tetralogia God on All Fours (Deus de Quatro), que inclui (meat) (1996), (1997), [park] (1998) e {centúrias} (1999). Em 2003, cria Sertão, obra que inicia a trilogia inspirada em Os Sertões (1902), do escritor brasileiro Euclides da Cunha (1866-1909), pela qual recebe o prêmio da Apca. 

Em 2006, assume a direção do Teatro Municipal João Paulo II, em Teresina, Piauí, e implementa o Núcleo de Criação do Dirceu, plataforma formada por cerca de 20 artistas e voltada para pesquisa e desenvolvimento da dança em relação com outras artes performáticas. Mais tarde, em 2009, a plataforma desvincula-se da prefeitura e passa a ocupar o Galpão do Dirceu, no bairro do Dirceu Arcoverde. Em 2011, com patrocínio da Petrobras, desenvolve por dois anos o Projeto 1000 Casas em residências do entorno. Cria as obras Bull Dancing (2006) e Matadouro (2009), encerramento da trilogia euclidiana.  Seu mais recente trabalho pela Demolition Inc. é De Repente Fica Tudo Preto de Gente (2012), coprodução entre Brasil, Japão e Holanda. Em 2014, concebe o espetáculo Batucada para o Kunsten Festival des Arts, em Bruxelas, Bélgica. Desde 1999, é professor na Escola Superior de Mímica de Amsterdã, Holanda.

Análise

A obra de Marcelo Evelin caracteriza-se pelo exercício político por meio da dança. Compreende a criação artistica como forma de resistência e elabora aproximações entre dança, teatro e música.

O método de expressão e consciência corporal do coreógrafo e pedagogo mineiro Klauss Vianna exerce influência sobre o jovem criador. Já demonstrando talento como coreógrafo, Evelin recebe os prêmios Mambembe, Governador do Estado de São Paulo e da Apca. No contexto da dança brasileira, é comparado ao coreógrafo alemão, naturalizado britânico, Kurt Jooss (1901-1979), um dos precursores do movimento estético Tanztheater, surgido na Alemanha no fim dos anos 1920.

Parte para a Europa em 1986 e a estabelece-se em Amsterdã, em 1987, momento em que a dança ocupa uma posição especial na Holanda. A política cultural holandesa financia grupos de dança por um período de quatro anos, iniciativa que atrai muitos profissionais para o país nos anos 1980. Evelin conta com esse cenário positivo para construir sua carreira e entra em contato com os preceitos da chamada nova dança belga. Representada por Anne Teresa De Keersmaeker (1960), Wim Vandekeybus (1963) e Michèle Anne De Mey (1959), essa escola postula que a dança deve ser uma maneira de ver o mundo. 

Premiada com o Amsterdams Fonds Voor de Kunst, a Trilogia do Desejo (1989-1993) marca o período de busca por uma assinatura como coreógrafo. O interesse pela pessoalidade do intérprete e a certeza de que existe um “teatro do corpo”1 são resultado da influência do pensamento da coreógrafa Pina Bausch. Muzot é a obra mais popular da série, que confere fama ao coreógrafo piauiense e a oportunidade de difundir seu trabalho na Holanda, participando de importantes festivais, como o Springdance, sediado na cidade de Utrecht desde 1978. Baseado em As Elegias de Duíno, reunião de dez elegias escritas pelo poeta austro-alemão Rainer Maria Rilke (1875-1926), o espetáculo marca o início da parceria com o bailarino espanhol Juan Kruz Diaz de Garaio Esnaola (1966), com o dramaturgo holandês Pieter Scholten (1963) e com a figurinista francesa Françoise Magrangeas (1949-2011), equipe com a qual trabalha por cerca de dez anos.

Em 1994, a permanência de um ano em Nova York leva à criação de Ai, Ai, Ai. Criado em meio ao inverno da metrópole estadunidense, o solo é concebido como um mergulho nas raízes do coreógrafo. Pela primeira vez, a ausência de tema para uma obra e o desafio de testar no corpo um caminho de volta à terra natal. No mesmo ano, ocorre a criação da Demolition Inc. em parceria com o historiador de arte estadunidense John Murphy (1963) e a bailarina brasileira Anat Geiger (1964), intérprete de diversas obras de Evelin. Uma plataforma de pesquisa e desenvolvimento em dança contemporânea é a solução para testar, em cena, múltiplas formas de combinação e criações partilhadas. O contato com o pensamento do coreógrafo estadunidense Merce Cunningham (1919-2009) e do compositor John Cage (1912-1992) faz parte desse movimento de descentralização e de desconstrução de hierarquias dos elementos que compõem a criação artística. Nasce um embrião da filosofia eveliniana, calcada em um jogo de cena aleatório e inesperado, ao mesmo tempo pervafo aproxima-se do radicalismo proposto pela dança conceitual francesa do final dos anos 1990.

Sem jamais deixar os vínculos com o Brerso e amoroso, que provoca o encontro consigo e com o outro. 

Após o retorno à Europa, a tetralogia seguinte é God On All Fours (Deus de Quatro), cujo tema são as civilizações que povoaram o fim do milênio. Uma crítica da economia do espetáculo permeia obras como (meat) e {centúrias} , em que o coreógrasil, o país torna-se mais presente em seu percurso coreográfico a partir de 2003, com a criação de Sertão, primeira parte da trilogia inspirada em Os Sertões, de Euclides da Cunha. Uma dramaturgia corporal hostil, ainda que terna, carregada da secura do Nordeste, marca a maturidade na trajetória de Evelin. 

O retorno gradual ao Brasil dá-se a partir de 2006, com a implantação do Núcleo do Dirceu em sua cidade-natal, Teresina. A atuação horizontalizada de cerca de 20 artistas, em diferentes linguagens das artes performáticas, reforça o entendimento de que, um grupo de dança se faz comapartilhado, segundo Marcelo. Ao mesmo tempo, uma mudança na rota como coreógrafo é percebida em Mono. Um palco vivo dividido com o espectador resulta na escolha de novo formato para suas produções: a performance-instalação passa a acolher suas inquietações de criador. 

Esse formato ressurge em 1000 Casas, performance que atua no limite do que é ou não arte. A obra é um dos desdobramentos do projeto de intervenção domiciliar realizado no bairro do Dirceu Arcoverde. Com patrocínio de manutenção da Petrobras, o coreógrafo viaja por dois anos pelo país, discutindo formas de articulações políticas e modelos de sustentabilidade na dança. Nesse sentido, tem papel fundamental o trabalho da produtora piauiense Regina Veloso (1977), que renova as formas de atuação do Núcleo do Dirceu.

Ao intercâmbio entre Brasil e Holanda cultivado pelo coreógrafo desde 2006, somam-se viagens ao Japão. A relação tripartite entre os países, iniciada a partir de 2009 com Matadouro, intensifica-se com a estreia de De Repente Fica Tudo Preto de Gente, eleito um dos dez melhores espetáculos de dança de 2012 pelo jornal O Globo e que aponta para uma forma menos institucionalizada de criação.

Notas

1. Termo definido pelo coreógrafo em entrevista à crítica de dança Helena Katz, para o jornal O Estado de S. Paulo, 04 jun. 1998. p. 75.

Debates 1

Abrir módulo

Encontros 1

Abrir módulo

Espetáculos 3

Abrir módulo

Espetáculos de dança 1

Abrir módulo

Eventos multiculturais 1

Abrir módulo

Exposições 1

Abrir módulo

Palestras 2

Abrir módulo

Performances 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 4

Abrir módulo
  • DEBRIS. Site do artista. São Paulo, 2012. Disponível em: http://www.marceloevelin.wordpress.com. Acesso em: 05 nov. 2012
  • EVELIN, MARCELO. Entrevista concedida pelo artista à jornalista integrante da equipe de redatores da Enciclopédia Itaú Cultural de Dança Deborah Rocha Moraes. São Paulo, 21 e 22 set. 2012.
  • HELENA KATZ. Site da crítica de dança do jornal O Estado de S. Paulo, 2013. Disponível em: http://www.helenakatz.pro.br. Acesso em: 9 jan. 2013
  • LE MOAL, Philippe. Dictionnaire de la danse. Paris: Larousse, 2008.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: