Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Marcos Acayaba

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.06.2021
08.06.1944 Brasil / São Paulo / São Paulo
Marcos de Azevedo Acayaba (São Paulo, São Paulo, 1944). Arquiteto, urbanista e professor. Em 1969, forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, escola na qual leciona temporariamente entre 1972 e 1976, e definitivamente desde 1994. Ainda estudante, trabalha como estagiário no escritório do engenheiro M...

Texto

Abrir módulo

Marcos de Azevedo Acayaba (São Paulo, São Paulo, 1944). Arquiteto, urbanista e professor. Em 1969, forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, escola na qual leciona temporariamente entre 1972 e 1976, e definitivamente desde 1994. Ainda estudante, trabalha como estagiário no escritório do engenheiro Mange (1922 - 2005), seu professor. Nessa ocasião, ajuda a desenvolver o projeto da cidade de Ilha Solteira, São Paulo, encomendado pela construtora Camargo Correia. Sua carreira desponta com o projeto da Residência Milan, 1972, na qual reside até hoje com a família. Após essa primeira fase de sua obra, inspirada pela forma livre de Oscar Niemeyer (1907 - 2012) e pelo uso "brutalista" do concreto aparente em São Paulo, passa paulatinamente a utilizar sistemas construtivos variados, tais como a alvenaria armada, a estrutura metálica e, finalmente, a estrutura de componentes de madeira industrializada. Esta é empregada pela primeira vez no projeto da Residência Olga, 1987, com base no sistema construtivo desenvolvido e fabricado pela Ita Construtora. Com a madeira, Acayaba consegue realizar construções leves e com grande balanço, aproximando-se da linguagem de seu arquiteto favorito: Frank Lloyd Wright (1867 - 1959). Além de ter obras publicadas em diversas revistas internacionais, Acayaba tem as casas Olga e Acayaba, 1996, analisadas nos livros World Houses Now - Contemporary Architectural Directions, de Dung Ngo, e Modern House 2, de Claire Melhuish.1

Análise

Considerado um dos expoentes de uma geração que começa a trabalhar nos anos 1970, depois da consolidação da chamada "escola paulista", Marcos Acayaba é hoje um dos arquitetos brasileiros com maior projeção internacional. Composta predominantemente de construções residenciais, sua obra surge com o projeto da Residência Milan, em 1972. O desenho dessa casa define-se pela plasticidade da cobertura: uma casca em abóbada feita de concreto armado, sob a qual se desenvolvem planos contínuos em seminível, que integram o jardim externo ao interior da construção, absolutamente transparente - um projeto cuja radicalidade é coerente com a juventude do arquiteto. Pode ser considerado também uma obra-síntese do legado plástico da arquitetura moderna brasileira, uma vez que reinterpreta um variado espectro de referências, tais como o Tênis Clube de Diamantina, 1954, de Oscar Niemeyer (1907 - 2012), a residência Olga Baeta, 1956, de Vilanova Artigas (1915 - 1985), e a residência em Cotia, 1964, de Sérgio Ferro (1938), feita com uma abóbada única.

Aluno, e depois professor, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, Acayaba não segue, no entanto, a militância pelo uso do concreto armado como material construtivo único ou predominante. Depois da construção da Residência Milan, abandona o caminho plástico da forma livre e faz uma sincera autocrítica quanto às dificuldades construtivas envolvidas na realização da forma: uma casca de espessura variável, moldada in loco, que exige uma fôrma exagerada de difícil execução, e um bombeamento para lançar o concreto em altura. Uma sofisticação, diz ele, "que eu não sei se caberia na obra de uma residência".

A partir daí projeta construções como equacionamentos geométricos de componentes construtivos. Exemplos disso são o Conjunto Residencial Alto da Boa Vista, 1973, feito com blocos de concreto de alvenaria estrutural, a sede da Fazenda Pindorama, 1973, com abóbadas feitas de peças pré-moldadas de concreto, a Residência Kovadlof, 1986, com alvenaria de tijolo, a Residência Jander Köu, 1981, a Agência Banespa Santo Amaro, 1984, e a Sede da Fapesp, 1998, com perfis metálicos, e as residências Olga, 1987, Baeta, 1991, Valentim, 1993, e Acayaba, 1996, com peças de madeira industrializada.

O trabalho com madeira industrializada, com base no sistema construtivo desenvolvido e fabricado pela Ita Construtora, dá um novo estatuto à carreira de Acayaba. O marco dessa fase é a residência Olga, construída em 1991, feita para o dono da Ita, o engenheiro Hélio Olga de Souza Jr. Situada em uma encosta muito íngreme, a casa foi desenvolvida pelo arquiteto como uma pirâmide invertida perpendicular à rua, e implantada contra as curvas de nível do terreno: um volume solto, não necessitando realizar cortes e aterros. Assim, consegue abri-la para a melhor vista e orientação solar, planejando o volume da casa por meio do desenho da estrutura: um conjunto de treliças formadas por tabuleiros horizontais de madeira (os pisos) e cabos de aço nas fachadas. Externamente, o volume é escalonado, afinando em direção ao solo, e tocando-o em apenas seis pontos, já que a baixa qualidade deste exige a execução de fundações profundas e caras (tubulões pneumáticos). Mais uma vez, o recurso aos apoios concentrados e a eleição de volumetrias com perfil diagonal fazem referência a obras marcantes da arquitetura brasileira, tais como o Museu de Caracas, 1954, de Niemeyer, e a Residência Cunha Lima, 1958, de Joaquim Guedes (1932), conhecida como "casa das mãos-francesas". E, acima de tudo, no recurso à horizontalidade expansiva, e no uso de grandes balanços, está a admiração pela arquitetura "orgânica" de Frank Lloyd Wright (1867 - 1959).

Muito divulgada dentro e fora do Brasil, essa casa inaugura uma linhagem de projetos em madeira que influencia muitos arquitetos jovens. Ao mesmo tempo, coloca a obra de Acayaba em circulação internacional, ligando-a ao movimento de valorização da arquitetura sustentável, ambientalmente responsável, e atenta às particularidades culturais, climáticas e paisagísticas dos locais em que se implanta. Em seguida, o arquiteto desenvolve sua linguagem criando um sistema-protótipo com estrutura "em árvore" com base em módulos hexagonais intertravados, otimizando ao máximo seu desempenho estrutural, e chegando a um feliz encontro entre racionalização construtiva e poética formal.

Nota

1. NGO, Dung. World houses now - contemporary architectural directions. London: Thames & Hudson, 2003; e MELHUISH, Claire. Modern house 2. London: Phaidon, 2000.

Exposições 2

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 3

Abrir módulo
  • ACAYABA, Marcos de Azevedo. Projeto, pesquisa, construção. 2004. Tese (Doutorado) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, 2004. Não catalogado
  • ACAYABA, Marlene Milan. Residências em São Paulo: 1947-1975. São Paulo: Projeto, 1986. Não catalogado
  • AFLALO, Marcelo (org.). Madeira como estrutura: a história da Ita. São Paulo: Paralaxe, 2005. Não catalogado

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: