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Dança

Juliana Yanakieva

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.01.2021
29.07.1923 Áustria / a definir / Viena
05.05.1994 Brasil / Rio de Janeiro / Niterói
Juliana Yanakieva (Viena, Áustria, 192? - Niterói, Rio de Janeiro, 1994). Bailarina, coreógrafa e professora. O encontro com a dança acontece quando seu padrinho, General Miller, a encaminha a Madame Olga Josifovna Preobrajenska (1870-1962) para estudar balé. Madame Preobrajenska, referência do balé na capital francesa, é primeira bailarina do T...

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Juliana Yanakieva (Viena, Áustria, 192? - Niterói, Rio de Janeiro, 1994). Bailarina, coreógrafa e professora. O encontro com a dança acontece quando seu padrinho, General Miller, a encaminha a Madame Olga Josifovna Preobrajenska (1870-1962) para estudar balé. Madame Preobrajenska, referência do balé na capital francesa, é primeira bailarina do Teatro Mariinski, em São Petersburgo. Juliana é indicada a participar da Opéra Russe Privé de Paris, pela qual dança as obras: Russlan e Ludmila (1842), em São Petersburgo, Rússia, O Tzar Saltan (1900), em Moscou, Rússia, e A feira de Sorochintzei (?). Em 1929, ainda com a companhia, faz turnê de um ano, passando por países como Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Panamá, Cuba e México. De volta a Paris, inicia sua vida profissional e trabalha em teatros como Théâtre Mogador, Théâtre des Ambassadeurs, Théâtre des Folies Wagram e Théâtre du Petit Monde. 

Em 1931, vence a primeira edição do Championnat du Monde de Danse, prêmio criado pela Instituição Maré, o que faz com que seu nome seja escrito nos Archives Internationales de la Danse, também organizados pela Instituição. Em 1934, é aprovada na audição do Russian Ballet, criado por Victor Dandré (1870-1944). Quando volta a Paris, assina um contrato com o Studio Wacker e faz outras temporadas pelo mundo (Estados Unidos, Grécia, Itália, Egito, Côte d’Azur, Monte-Carlo, Nice, Cannes). 

Em 1937, na Exposition Internationale de Paris, no Théâtre des Champs Elysées, dança como primeira bailarina do Balé da Ópera de Paris. Em 1939, Juliana Yanakieva, Thomas Armour (1908-2006), da Ópera Cômica de Paris, o coreógrafo Vaslav Veltchek (1896-1967), do Théâtre du Châtelet, e Louis Masson, maestro da Ópera Cômica, assinam contrato para uma temporada de quatro meses no Rio de Janeiro. Juliana e Thomas participam da primeira temporada do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (CBTMRJ), criado por Maria Olenewa (1896-1965). Juliana se sobressai pela facilidade com os giros, característica comum entre as alunas de Olga Preobrajenska, e torna-se reconhecida como uma bailarina demi-caractère1. Em novembro de 1939, estreia no Cassino Atlântico, Rio de Janeiro. Para o Cassino de São Vicente, São Paulo, Juliana coreografa o que chama de “um balé indígena” (1940) e Noites de Bagdá (1940), com características de carnaval. 

Durante a década de 1940, apresenta-se no Cassino Atlântico e viaja pelo Brasil. Até a década de 1950, monta coreografias para filmes como…E o Mundo se Diverte (1948) e É Fogo na Roupa! (1952), ambos de Watson Macedo (1918-1981)  e Chico Viola não Morreu (1955), de Román Viñoly Barreto (1914-1970). Chega a gravar o filme Mimi, em 1958, projeto que não se conclui por falta de recursos financeiros. Existem registros de Juliana dançando também no documentário As Rainhas do Bailado, da década de 1940. A bailarina participa de programas de televisão, o populariza sua dança. Em fevereiro de 1951, por exemplo, apresenta-se na primeira semana de programação da TV Tupi, Rio de Janeiro. Em maio de 1971, recebe da Câmara Municipal de Niterói o título de Cidadã Niteroiense. Em 1976, surge o Balé Oficial da Cidade de Niterói, com direção de um conselho que inclui Juliana Yanakieva, Cláudia Araújo e Rosaly Faillace. Juliana passa a ser maître e coreógrafa da companhia. Em 1987, recebe, junto com a bailarina e coreógrafa Nina Verchinina (1910-1995) e o crítico de dança Jacques Corseuil (1913-2000), o prêmio de Dalal Achcar. Falece no dia 15 de maio de 1994, em Niterói.

 

Análise

Juliana Yanakieva faz parte da geração de bailarinos estrangeiros que chegam ao Brasil em meados do século XX para atuarem nas temporadas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Formam uma legião de bailarinos brasileiros com um entendimento de dança específico. Os artistas costumam na época, cumprir várias funções: são bailarinos, coreógrafos, maîtres de balé e diretores. Yanakieva não foge à regra. As apresentações em cassinos,  televisão, teatros de revista e boates fazem parte do cotidiano da dança desse período. Não só difundem essa arte para além dos palcos como são fontes de recursos orçamentários para os artistas. No livro Os passos de Juliana Yanakieva, do crítico de dança Roberto Pereira (1965-2009), encontram-se fotos, relatos, críticas, programas e a autobiografia escrita pela artista em 1959. Os giros de Yanakieva são o ponto central das críticas da época, como a de Mário Nunes (1886-1968), em 1945, para o Jornal do Brasil: “Juliana Yanakieva tem atuação de destaque, e ela a sublinhou com sua leveza rodopiante de ventoinha batida por todos os ventos, graciosa e alígera”2. A presença de Yanakieva como bailarina, em meados do século XX, afirma o momento de ebulição que a dança vive no período, momento que ainda necessita ser pesquisado, para que traga à luz essa fase que inaugura um modo de entender o cenário da dança brasileira.

 

 

Notas

1. “O bailarino do gênero demi-caractère deveria ter uma estrutura mediana, mas mesmo assim de figura bem construída e elegante. Seus passos exigiam-lhe nobreza, ao mesmo tempo que deveriam ser brilhantes e intrépidos, com certos limites, o que às vezes lhe rendia a designação de mistura dos três gêneros. Este gênero se alimentava dos temas pastorais.”  Apud PEREIRA, Roberto. Os passos de Juliana Yanakieva. Niterói: Niterói Livros, 2001. p. 19.

2. PEREIRA, Roberto. op.cit, p. 51.

 

 

Fontes de pesquisa 8

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