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Artes visuais

Diógenes Rebouças

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.04.2017
1914 Brasil / Bahia / Amargosa
1994 Brasil / Bahia / Salvador
Diógenes de Almeida Rebouças (Amargosa, Bahia, 1914 - Salvador, Bahia, 1994). Engenheiro agrônomo, arquiteto, urbanista, pintor e professor. Forma-se em agronomia, em 1933, na Escola Agrícola da Bahia. Muda-se para Itabuna, em 1935, onde constrói a catedral, sua primeira obra de arquitetura, trabalha nas obras de tratamento de água e esgoto da c...

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Biografia

Diógenes de Almeida Rebouças (Amargosa, Bahia, 1914 - Salvador, Bahia, 1994). Engenheiro agrônomo, arquiteto, urbanista, pintor e professor. Forma-se em agronomia, em 1933, na Escola Agrícola da Bahia. Muda-se para Itabuna, em 1935, onde constrói a catedral, sua primeira obra de arquitetura, trabalha nas obras de tratamento de água e esgoto da cidade e é responsável pelo desenho da avenida Cinquentenário e de vários jardins. Esses projetos chamam a atenção do encarregado de vistoriar as obras, o engenheiro Mário Leal Ferreira, que o convida a projetar os jardins do Estádio da Fonte Nova, em Salvador. Em visita à obra, Rebouças desaprova a implantação do estádio, tanto do ponto de vista econômico quanto paisagístico, e se encarrega em 1941, pelo desenvolvimento de um novo projeto, que afinal é concretizado. Em 1942, provavelmente por indicação de Ferreira, ingressa no Escritório do Plano Urbanístico da Cidade do Salvador - Epucs, como responsável pelo setor paisagístico. Com a morte de Ferreira, em 1947, assume a coordenação do escritório, e se responsabiliza pelos projetos paisagísticos, urbanísticos e arquitetônicos, como o Hotel da Bahia, 1951, realizado com Paulo Antunes Ribeiro. Concomitantemente participa, com o projeto do Centro Educacional Ribeiro, 1947/1959, do desenvolvimento das "escolas-classe e escolas-parque", idealizadas por Hélio Duarte com base no projeto pedagógico elaborado pelo secretário de Educação e Saúde do Estado, Anísio Teixeira, além de dirigir a execução dos projetos de hospitais e ambulatórios da Companhia Nacional contra a Tuberculose e atuar como consultor técnico, entre 1947 e 1952, do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan (atual Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan). Em virtude dos rumos tomados por sua carreira profissional e das limitações impostas pela falta de diploma, ingressa, em 1948, na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia - UFBA, e se forma em 1952. No mesmo ano, retorna a UFBA como professor de grandes composições, disciplina pela qual responde até 1984, e abre o próprio escritório de arquitetura, o primeiro do gênero no Estado. Apesar de concentrar suas atividades no escritório, mantém-se vinculado às atividades públicas, assume, em 1954, a presidência da recém-criada seção baiana do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB e atua como membro do Conselho da Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, de 1968 a 1971. Faz parte do Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia, entre 1968 e 1979, assessor da Fundação do Desenvolvimento da Região Metropolitana de Recife - Fidem, membro do Conselho de Desenvolvimento Urbano de Salvador, e consultor do Iphan, pela segunda vez, de 1983 a 1991. Dedica-se também à pintura, destacando-se de sua produção as pinturas iconográficas que publica, em 1985, no livro Salvador da Baía de Todos os Santos no Século XIX.

Análise

A atuação e a obra de Diógenes Rebouças são fundamentais para a afirmação da arquitetura e do urbanismo modernos na Bahia. Sua trajetória, no entanto, é diversa da de outro arquiteto que desempenha o mesmo papel em Salvador, José Bina Fonyat Filho. Diferentemente dele, Rebouças não estuda no Rio de Janeiro nem inicia a sua vida profissional como arquiteto. Formado pela Escola Agrícola da Bahia, em 1933, Rebouças entra em contato com o movimento moderno por meio de revistas de arte e arquitetura. Seu primeiro projeto é feito fortuitamente quando se transfere para Itabuna, Bahia e recebe de sua mãe a encomenda de conceber a catedral da cidade. Empenhado em realizar um projeto atual, que não remetesse aos estilos do passado, Rebouças recorre a revistas, colhendo referências de modernidade que culminam numa obra que o próprio arquiteto reconhece como eclética. O mesmo caráter livresco da catedral está presente no Estádio da Fonte Nova, 1941/1943. Em parecer solicitado pelo engenheiro Mário Leal Ferreira, responsável pela encomenda do projeto a Rebouças, depois de suas críticas ao estádio que então se construía, Affonso Eduardo Reidy pondera que se a implantação é perfeita do ponto de vista do aproveitamento das condições topográficas, do ponto de vista estético o estádio se mostra muito preso àquilo que se publica nas revistas de arquitetura, sugerindo a Oscar Niemeyer, também parecerista do projeto, que assuma o desenho de sua forma externa, o que não ocorre. O parecer coloca Rebouças em contato com esses e outros arquitetos cariocas, com quem mantém um diálogo contínuo que favorece seu amadurecimento como arquiteto. Nos projetos desenvolvidos entre o fim da década de 1940 e a década de 1950, é possível perceber a assimilação dos preceitos corbusianos e da linguagem carioca, seja no emprego da estrutura independente, na exploração plásticas dos brises-soleils, seja na sinuosidade e leveza das formas, mas ao mesmo tempo identifica-se certa invenção, que garante ao arquiteto originalidade em projetos como o Hotel da Bahia, 1947/1951, realizada com Paulo Antunes Ribeiro, e os edifícios Otacílio Gualberto, 1953, e Comendador Salvador, 1959, construídos em Salvador.

Entre 1958 e 1959, Rebouças viaja pelos Estados Unidos e Europa conhecendo a obra de arquitetos e engenheiros como Félix Candela e Píer Luigi Nervi, que se destacam pela invenção de estruturas e coberturas esculturais de concreto armado. Quando retorna a Salvador é chamado para concluir a obra do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, 1947/1956, em que é perceptível o impacto causado por essa viagem. Materialização da proposta de "escolas-classe e escolas-parque", idealizadas por Hélio Duarte com base no projeto pedagógico do educador Anísio Teixeira, o centro é composto de quatro "escolas-classe", que abrigam as salas de aula destinadas ao "ensino de ciências e letras", administração e áreas de estar, e uma "escola-parque", com uma biblioteca infantil e ateliês variados destinados às atividades sociais, artísticas, de trabalho e de educação física.1 Os edifícios projetados por Rebouças buscam uma integração entre as áreas internas e externas, alguns deles, como a biblioteca, destacando-se pela cobertura de concreto plissado, garantindo uma boa iluminação natural, além de um teto lúdico que remete a dobraduras de papel. Nesse edifício a estrutura de concreto armado ganha o peso e a robustez que marcam suas obras a partir da década de 1960, tais como a Escola Politécnica, 1960, a primeira Estação Rodoviária de Salvador, 1961, a Estação Marítima de Salvador, 1962, e a Escola de Arquitetura de Salvador, 1965. Nelas o princípio de independência estrutural ainda está presente, mas com a diferença fundamental de ter alcançado um destaque tal que a arquitetura é definida pela própria estrutura, os demais componentes do edifício perdendo expressividade e importância na composição final. Essa mudança é perceptível não apenas na obra de Rebouças, mas também na de outros arquitetos, como Reidy, Bina Fonyat e Vilanova Artigas no mesmo período. Nas suas obras, contudo, Rebouças não realiza estruturas contínuas de concreto armado que solidarizam pilares, vigas e vedação, como ocorre com os arquitetos citados, mas se mantém fiel ao sistema de vigas e pilares independentes.

Nos anos 1980, Rebouças realiza uma série de intervenções em edifícios históricos, destacando-se a realizada no Solar Berquó, 1983/1988, sobrado nobre do fim do século XVII, tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan em 1938. Em sua intervenção, o arquiteto demole todos os elementos acrescidos à edificação no século XIX, redesenha elementos do século XVIII levantados pela prospecção do edifício e projeta nas áreas de apoio uma intervenção moderna. Tal procedimento revela não só a valorização da arquitetura colonial em detrimento da arquitetura neoclássica e eclética do século XIX como também um procedimento de intervenção característico dos arquitetos modernos.

Nota

1. TEIXEIRA, Anísio. Centro Educacional Carneiro Ribeiro. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v.31, n.73, jan./mar. 1959. p.78-84. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Disponível em: [http://www.prossiga.br/anisioteixeira/fran/artigos/cecr.htm]. Acesso em: 10 dez. 2007.

 

Exposições 3

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Fontes de pesquisa 6

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  • ANDRADE JUNIOR, Nivaldo Vieira. Arquitetura moderna e preexistência edificada: intervenções sobre o patrimônio de Salvador a partir dos anos 1950. Docomomo Brasil. Seção seminários. Disponível em: [http://www.docomomo.org.br/seminario%206%20pdfs/Nivaldo%20Vieira%20de%20Andrade%20Junior.pdf]. Acesso em: 11 dez. 2007.
  • OLIVEIRA, Dênisson (coord.). +100 Artistas Plásticos da Bahia. Projeto Veranice Gornik; pesquisa Pedro Belmonte Fraga; texto Almandrade, Carlos Eduardo da Rocha, César Romero, Dênisson Oliveira, Juarez Paraíso, Juraci Dórea, Justino Marinho, Matilde Matos, Reynivaldo Brito, Wilson Rocha; fotografia Claudiomar Gonçalves; apresentação Luciano Araújo. Salvador: Prova do Artista, 2001. 128 p., il. color. 709.8142 M231
  • REIS, Assis; ALBAN, Naia; NERY, Pedro. Diógenes Rebouças. Arquitetura e Urbanismo. São Paulo, n.58, pp.55-63, fev./mar, 1995.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil, 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999.
  • TEIXEIRA, Anísio. Centro Educacional Carneiro Ribeiro. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Rio de Janeiro, v.31, n.73, jan./mar. 1959. p.78-84. In: Biblioteca Virtual Anísio Teixeira. Disponível em: [http://www.prossiga.br/anisioteixeira/fran/artigos/cecr.htm]. Acesso em: 10 dez. 2007.
  • UM VISIONÁRIO PARA ALÉM DO CONCRETO. Bahia Invest, Salvador, jun. 2006. Seção Perfil. Disponível em:[http://www.seplan.ba.gov.br/bahiainvest/port/perfil.php?find=versao008]. Acesso em: 11 dez. 2007.

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