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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Tomie Ohtake

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.12.2019
21.11.1913 Japão / Honshu / Kyoto
12.02.2015 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Sem Título, 1979
Tomie Ohtake
Óleo sobre tela
200,00 cm x 120,00 cm

Tomie Ohtake (Kyoto, Japão, 1913 - São Paulo, São Paulo, 2015).  Pintora, gravadora, escultora. Vem para o Brasil em 1936, fixando-se em São Paulo. Em 1952, inicia-se em pintura com o artista Keisuke Sugano. No ano seguinte, integra o Grupo Seibi, do qual participam Manabu Mabe (1924-1997), Tikashi Fukushima (1920-2001), Flavio-Shiró (1928) e Ta...

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Biografia

Tomie Ohtake (Kyoto, Japão, 1913 - São Paulo, São Paulo, 2015).  Pintora, gravadora, escultora. Vem para o Brasil em 1936, fixando-se em São Paulo. Em 1952, inicia-se em pintura com o artista Keisuke Sugano. No ano seguinte, integra o Grupo Seibi, do qual participam Manabu Mabe (1924-1997), Tikashi Fukushima (1920-2001), Flavio-Shiró (1928) e Tadashi Kaminagai (1899-1982), entre outros. Após um breve período de arte figurativa, a artista define-se pelo abstracionismo. A partir dos anos 1970, trabalha com serigrafia, litogravura e gravura em metal. Surgem em suas obras as formas orgânicas e a sugestão de paisagens. Na década de 1980, passa a utilizar uma gama cromática mais intensa e contrastante. Dedica-se também à escultura, e realiza algumas delas para espaços públicos. Recebe, em Brasília, o Prêmio Nacional de Artes Plásticas do Ministério da Cultura - Minc, em 1995. Em 2000, é criado o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Análise

Após breve passagem pela pintura figurativa, Tomie Ohtake define-se pelo abstracionismo. No início da década de 1960, emprega uma gama cromática reduzida, com predominância de duas ou três cores. Leva o olhar do espectador a percorrer superfícies em telas que muitas vezes lembram nebulosas. Utiliza, em algumas obras, pinceladas "rarefeitas" e tintas muito diluídas, explorando as transparências. Posteriormente, surgem em seus quadros formas coloridas, grandes retângulos, que parecem flutuar no espaço. Ao longo da década de 1960 emprega mais freqüentemente tons contrastantes. Revela afinidade com a obra do pintor Mark Rothko (1903-1970), na pulsação obtida em suas telas pelo uso da cor e nos refinados jogos de equilíbrio. A artista explora a expressividade da matéria pictórica, mais densa, em texturas rugosas, ou mais diluída e transparente.

Em gravura, começa trabalhando com serigrafia e litogravura, a partir dos anos 1970. Para a maioria dos críticos, esse aprendizado revitaliza sua obra pictórica. Surgem em suas telas a linha curva e as formas orgânicas. Embora de caráter abstrato, ocorre em alguns quadros a sugestão de paisagens: montanhas ou curvas de rios. Intensifica o dinamismo e a sugestão de movimento. Em obras realizadas a partir da década de 1980, emprega uma escala de cores mais quentes e contrastes cromáticos mais intensos.

Dedica-se também à escultura, e realiza, por exemplo, a Estrela do Mar (1985), colocada na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Propõe intervenções em espaços urbanos, produzindo esculturas de grandes dimensões, como as "ondas" em homenagem aos oitenta anos da imigração japonesa, instaladas na avenida 23 de Maio, em São Paulo. Em esculturas mais recentes, trabalha com tubos delgados, que estabelecem sinuosos percursos no espaço.

A artista enfatiza, em entrevistas, a importância da arte oriental, em especial a japonesa, em sua pintura, afirmando que "essa influência se verifica na procura da síntese: poucos elementos devem dizer muita coisa".1 Da tradição japonesa, Ohtake diz inspirar-se na noção de tempo do ukiyo-e (imagens do mundo que passa), arte que revela cenas de uma beleza fugaz. Pesquisa constantemente as possibilidades expressivas da pintura: as transparências, as texturas e a vibração da luz. Declara fazer uma pintura silenciosa, como a cidade em que nasceu. Em suas obras, revela um intenso diálogo entre a tradição e a contemporaneidade.

Notas

1 Ohtake, Tomie; ARRUDA, Vitoria (Coord.). Exposição retrospectiva Tomie Ohtake. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2000, p. 65.

Obras 48

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Reprodução Fotográfica Iara Venanzi/ Itaú Cultural

Sem título

Acrílica sobre tela
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Sem Título

Gravura em metal
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Sem Título

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Sem Título

Serigrafia sobre papel

Exposições 494

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Eventos relacionados 1

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Mídias (1)

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Tomie Ohtake - Enciclopédia Itaú Cultural
Um pensamento pode desdobrar-se numa gravura ou numa pintura, duas formas de expressão que, para Tomie Ohtake, possuem um “espírito” distinto. “Naturalmente, a ideia é mais ou menos a mesma, mas a forma também modifica um pouquinho...”, acredita. A artista comenta as mudanças em seu processo de criação, entre as quais a mais visível é o uso das cores, que se torna econômico, com duas, no máximo três tonalidades. Essa particularidade, descreve Tomie, representa um desafio, pois é mais difícil de realizar a combinação adequada de tons. Outra característica de seu trabalho, as séries, podem se centrar em temas, como a que ilustra a poesia de Haroldo de Campos, ou formatos, a exemplo do conjunto composto de recortes reproduzidos sobre o vidro, resultando em imagens tridimensionais. “Aos 93 anos, muitas pessoas estão perdendo a criatividade, mas eu estou igual, né?”, conclui ela.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 15

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  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MENDONÇA, Casimiro Xavier de. Tomie Ohtake. Tradução Harriet Sherry McClelland. São Paulo: Ex Libris, c1983.
  • MORAES, Angélica de. Tomie Ohtake recria a tradição. O Estado de São Paulo, São Paulo, 07/02/2003, Caderno 2.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte moderna. Curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso, Maria Alice Milliet; tradução Izabel Murat Burbridge, John Norman. São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais/ Fundação Bienal de São Paulo, 2000.
  • MOSTRA do acervo. São Paulo: Sudameris Galleria, 1996. p.32. SPsuda 1996/m
  • NA ARTE da colônia japonesa no Brasil. São Paulo: MASP, 1988.
  • OHTAKE, Tomie, ARRUDA, Vitoria (coord.). Exposição retrospectiva Tomie Ohtake. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2000. 88 p., il. color.
  • OHTAKE, Tomie. Pintura de Tomie Ohtake. São Paulo : Galeria Arte Global, 1983.
  • OHTAKE, Tomie. Tomie Ohtake. Apresentação Frederico Morais. Ipanema: Thomas Cohn Arte Contemporânea, 1987. [16p.]: il. color.
  • OHTAKE, Tomie. Tomie Ohtake. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2001. 369 p., il. color.
  • OHTAKE, Tomie. Tomie. Texto José Neistein. São Paulo: Grifo Galeria de Arte, 1979.
  • RIBEIRO, Maria Izabel Branco. Tomie Ohtake. Galeria Revista de Arte, São Paulo, n.25, pp.61-67, 1991.
  • SPINELLI, João J. Tomie Ohtake: o antigo e o novo na obra de Tomie Ohtake.1985. 245 f. Tese (Mestrado) Escola de Comunicação e Arte, Universidade de São Paulo, São Paulo.
  • TOMIE OHTAKE, artista plástica, morre aos 101 anos em São Paulo. G1, São Paulo, 2015. Seção Pop & Arte. Disponível em: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/02/tomie-ohtake-artista-plastica-morre-aos-101-anos-em-sao-paulo.html. Acesso em 12 de fevereiro de 2015.

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