Artigo da seção pessoas Roberta Estrela D'Alva

Roberta Estrela D'Alva

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deRoberta Estrela D'Alva: 18-02-1978 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Diadema)
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Registro fotográfico Marcus Leoni

Roberta Marques do Nascimento (Diadema, São Paulo, 1978). Atriz-MC, slammer, pesquisadora, diretora, apresentadora e roteirista. Como precursora do poetry slam no Brasil, é uma das responsáveis pela popularização do concurso de poesia falada nos grandes centros urbanos brasileiros.

Formada em artes cênicas pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), conclui em 2012 um mestrado em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Sua dissertação dá origem ao livro Teatro Hip-Hop, a Performance Poética do Ator-MC (2014). O trabalho registra o engajamento empírico e artístico-político da autora, baseado em pesquisa desenvolvida no Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, uma companhia cuja especificidade e pioneirismo estão no desenvolvimento do chamado “teatro hip-hop”.

Denominada assim por Estrela D'Alva, a modalidade combina a linguagem do teatro épico, idealizado pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), com a cultura urbana do hip-hop. Dessa junção forma-se o que ela denomina “ator-MC”, aquele que une aspectos do ator-narrador, caro ao teatro épico brechtiano, à performance do chamado mestre de cerimônias, importante figura do hip-hop. O conceito reúne duas práticas culturais performativas que lidam com a conscientização para a mudança da realidade social.

Além de ser uma das idealizadoras do Núcleo Bartolomeu, criado em 1999, Estrela D’Alva funda em 2004, com parceiros, a Frente 3 de Fevereiro, coletivo que desenvolve diversas ações contra o racismo na sociedade brasileira.

O engajamento e a performance, com ênfase na oralidade, marcam a carreira da artista. Seu contato com o poetry slam ocorre em uma viagem para pesquisar o hip-hop nos Estados Unidos. Inspirada pelo que vê em clubes tradicionais de slam em Nova Iorque, a atriz-MC idealiza, em 2008, o ZAP! (Zona Autônoma da Palavra), primeiro campeonato de poesia falada do Brasil.

Três anos depois da criação do campeonato, vence em terceiro lugar a oitava Copa do Mundo de Slam (2011), em Paris. Em 2012, é premiada em outra batalha internacional, o Green Mill Jazz Club, em Chicago, conhecido como berço mundial do slam. Nesse mesmo ano, ganha o Prêmio Shell de melhor atriz pela atuação no espetáculo Orfeu Mestiço: Uma Hip-Hópera Brasileira (2011).

A descoberta da oralidade como instrumento de expressão, reivindicação, fruição, resiliência e afeto, somada às pesquisas sobre performance em poesia falada, faz Estrela D’Alva contribuir para a concretização do slam como prática artística que informa e desenvolve a visão de mundo de vários jovens, em sua maioria negros e de periferia. Sua trajetória inspira outras gerações de mulheres a participarem de slams, como as poetas Mel Duarte (1988) e Luz Ribeiro (1988).

Como diretora musical, a artista trabalha no espetáculo Cindi Hip Hop – pequena ópera rap (2008), que conquista o prêmio Cooperativa de Teatro, na categoria de melhor dramaturgia. A partir de 2014, atua como curadora da Rio Poetry Slam, competição internacional que acontece anualmente na Festa Literária das Periferias (FLUP), no Rio de Janeiro. Também coordena o SLAM-SP e o SLAM-BR (campeonatos estadual e nacional de poetry slam).

Em 2016, sob a direção do americano Bob Wilson (1941), atua no espetáculo Garrincha, a street ópera. No mesmo ano, torna-se a segunda apresentadora mulher do programa Manos & Minas, exibido pela TV Cultura.

Uma etapa importante para demarcar a prática do slam no país se concretiza com o lançamento do documentário Slam – A Voz de Levante (2017), realizado por ela em parceria com a diretora Tatiana Lohmann e premiado no Festival Internacional de Mulheres no Cinema. O longa-metragem, além de registrar a história da poesia falada no Brasil, com depoimentos inéditos, retrata as experiências de pioneiros do poetry slam nos EUA e na França.

A produção artística de Estrela D’Alva, suas atividades de pesquisa e divulgação sobre poesia falada, além de seu engajamento na conscientização sobre questões sociais, fazem dela uma personagem cuja menção não pode ser contornada ao traçar a história do slam e do teatro de intervenção no país.

Outras informações de Roberta Estrela D'Alva:

  • Outros nomes
    • Roberta Marques do Nascimento
    • Estrela D'Alva
  • Habilidades
    • Ator
    • Dançarino

Midias (1)

Roberta Estrela D’Alva – Série Cada Voz (2019)
A atriz, produtora e pesquisadora Roberta Estrela D'Alva apresenta, como elemento norteador de sua produção acadêmica e musical, o recorte e cole de memórias. Assim, por exemplo, ela define o sample .

Nascida e criada em São Bernardo do campo, conectada com a poesia desde criança, ela fala também sobre o teatro e o encontro com a produção de Brecht. No ensino acadêmico, a minoria negra e a dificuldade de troca é justificada pelo racismo, oculto no mito da democracia racial brasileira.

A Enciclopédia Itaú Cultural produz a série Cada Voz, em que personalidades da arte e cultura brasileiras são entrevistadas pelo fotógrafo Marcus Leoni. A série incorpora aspectos de suas trajetórias profissionais e pessoais, trazendo ao público um olhar próximo e sensível dos artistas.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig
Assistência de fotografia: Martha Salomão

Espetáculos (16)

Fontes de pesquisa (10)

  • ESTRELA D’Alva, Roberta. Teatro Hip-Hop: a performance poética do ator-MC. São Paulo: Perspectiva, 2014. 
  • ESTRELA D’Alva, Roberta. O teatro hip-hop como linguagem. In: Rebento: Revista de Artes do Espetáculo, n. 5, jul. 2015. 
  • IGNÁCIO, Ana. Roberta Estrela D’Alva, a voz pioneira nas batalhas de slam pelo Brasil [#TodoDiaDelas]. Huffpost Brasil. Disponível em: https://www.huffpostbrasil.com/2018/10/21/roberta-estrela-d-alva-a-voz-pioneira-nas-batalhas-de-slam-pelo-brasil_a_23566380/. Acesso em: 01 out. 2019
  • PEREIRA, Fabiane. Entrevista Roberta Estrela D’Alva. Heloisa Tolipan. Arte e Literatura. Disponível em: https://heloisatolipan.com.br/arte/fabiane-pereira-entrevista-roberta-estrela-dalva-curadora-da-festa-literaria-das-periferias-no-rio-para-se-viver-de-qualquer-coisa-no-brasil-e-preciso-persistencia/.  Acesso em: 30 set. 2019
  • Programa da Jornada Internacional do Teatro para a Infância e Juventude - espetáculo: Acordei que Sonhava - 2004 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Acordei Que Sonhava - 2003 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Bartolomeu, Que Será Que Nele Deu? - 2000 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Bonitinha mas Ordinária - 1998 Não catalogado
  • Programa do Projeto Formação de Público - 2003 Não catalogado
  • SALLES, Écio. Sinais de turbulência. Revista Periferias. Disponível em: http://revistaperiferias.org/materia/entrevista-e-revide-afoxe-do-mangue-roberta-estrela-dalva/. Acesso em: 01 out. 2019

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ROBERTA Estrela D'Alva. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa441651/roberta-estrela-dalva>. Acesso em: 18 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7