Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Roberta Estrela D'Alva

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.11.2019
18.02.1978 Brasil / São Paulo / Diadema
Registro fotográfico Marcus Leoni

Roberta Estrela D'Alva, 2019

Roberta Marques do Nascimento (Diadema, São Paulo, 1978). Atriz-MC, slammer, pesquisadora, diretora, apresentadora e roteirista. Como precursora do poetry slam no Brasil, é uma das responsáveis pela popularização do concurso de poesia falada nos grandes centros urbanos brasileiros.

Texto

Abrir módulo

Roberta Marques do Nascimento (Diadema, São Paulo, 1978). Atriz-MC, slammer, pesquisadora, diretora, apresentadora e roteirista. Como precursora do poetry slam no Brasil, é uma das responsáveis pela popularização do concurso de poesia falada nos grandes centros urbanos brasileiros.

Formada em artes cênicas pela Escola de Comunicações e Artes da  Universidade de São Paulo (ECA/USP), conclui em 2012 um mestrado em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Sua dissertação dá origem ao livro Teatro Hip-Hop, a Performance Poética do Ator-MC (2014). O trabalho registra o engajamento empírico e artístico-político da autora, baseado em pesquisa desenvolvida no Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, uma companhia cuja especificidade e pioneirismo estão no desenvolvimento do chamado “teatro hip-hop”.

Denominada assim pelo Núcleo, a linguagem combina elementos do teatro épico, idealizado pelo dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956), com a cultura hip-hop. Dessa junção forma-se o que se denomina “ator-MC”, aquele que une aspectos do ator-narrador, caro ao teatro épico brechtiano, à performance do chamado mestre de cerimônias, importante figura do hip-hop. O conceito reúne duas práticas culturais performativas que lidam com a conscientização para a mudança da realidade social.

Além de ser uma das idealizadoras do Núcleo Bartolomeu, criado em 1999, Estrela D’Alva funda em 2004, com parceiros, a Frente 3 de Fevereiro, coletivo que desenvolve diversas ações contra o racismo na sociedade brasileira.

O engajamento e a performance, com ênfase na oralidade, marcam a carreira da artista. Seu contato com o poetry slam ocorre em uma viagem para pesquisar o hip-hop nos Estados Unidos. Inspirada pelo que vê em clubes tradicionais de slam em Nova Iorque, a atriz-MC idealiza, em 2008, o ZAP! (Zona Autônoma da Palavra), primeiro campeonato de poesia falada do Brasil.

Três anos depois da criação do campeonato, vence em terceiro lugar a oitava Copa do Mundo de Slam (2011), em Paris. Em 2012, é premiada em outra batalha internacional, o Green Mill Jazz Club, em Chicago, conhecido como berço mundial do slam. Nesse mesmo ano, ganha o Prêmio Shell de melhor atriz pela atuação no espetáculo Orfeu Mestiço: Uma Hip-Hópera Brasileira (2011).

A descoberta da oralidade como instrumento de expressão, reivindicação, fruição, resiliência e afeto, somada às pesquisas sobre performance em poesia falada, faz Estrela D’Alva contribuir para a concretização do slam como prática artística que informa e desenvolve a visão de mundo de vários jovens, em sua maioria negros e de periferia. Sua trajetória inspira outras gerações de mulheres a participarem de slams, como as poetas Mel Duarte (1988) e Luz Ribeiro (1988).

Como diretora musical, a artista trabalha no espetáculo Cindi Hip Hop – pequena ópera rap (2008), que conquista o prêmio Cooperativa de Teatro, na categoria de melhor dramaturgia. A partir de 2014, atua como curadora da Rio Poetry Slam, competição internacional que acontece anualmente na Festa Literária das Periferias (FLUP), no Rio de Janeiro. Também coordena o SLAM-SP e o SLAM-BR (campeonatos estadual e nacional de poetry slam).

Em 2016, sob a direção do americano Bob Wilson (1941), atua no espetáculo Garrincha, a street ópera. No mesmo ano, torna-se a segunda apresentadora mulher do programa Manos & Minas, exibido pela TV Cultura.

Uma etapa importante para demarcar a prática do slam no país se concretiza com o lançamento do documentário Slam – A Voz de Levante (2017), realizado por ela em parceria com a diretora Tatiana Lohmann e premiado no Festival Internacional de Mulheres no Cinema. O longa-metragem, além de registrar a história da poesia falada no Brasil, com depoimentos inéditos, retrata as experiências de pioneiros do poetry slam nos EUA e na França.

A produção artística de Estrela D’Alva, suas atividades de pesquisa e divulgação sobre poesia falada, além de seu engajamento na conscientização sobre questões sociais, fazem dela uma personagem cuja menção não pode ser contornada ao traçar a história do slam e do teatro de intervenção no país.

Espetáculos 16

Abrir módulo

Mídias (1)

Abrir módulo
Roberta Estrela D’Alva – Série Cada Voz (2019)
A atriz, produtora e pesquisadora Roberta Estrela D'Alva apresenta, como elemento norteador de sua produção acadêmica e musical, o recorte e cole de memórias. Assim, por exemplo, ela define o sample .

Nascida e criada em São Bernardo do campo, conectada com a poesia desde criança, ela fala também sobre o teatro e o encontro com a produção de Brecht. No ensino acadêmico, a minoria negra e a dificuldade de troca é justificada pelo racismo, oculto no mito da democracia racial brasileira.

A Enciclopédia Itaú Cultural produz a série Cada Voz, em que personalidades da arte e cultura brasileiras são entrevistadas pelo fotógrafo Marcus Leoni. A série incorpora aspectos de suas trajetórias profissionais e pessoais, trazendo ao público um olhar próximo e sensível dos artistas.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig
Assistência de fotografia: Martha Salomão

Fontes de pesquisa 10

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: