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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Rodolpho Parigi

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.09.2019
1977 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Magenta Grace Jones, 2011
Rodolpho Parigi
Lápis de cor sobre papel
140,00 cm x 197,00 cm

Rodolpho Parigi (São Paulo, São Paulo, 1977). Desenhista, pintor e performer. Seu trabalho se caracteriza por aludir à inovação e à contemporaneidade, deixando entrever traços do estilo acadêmico. Vale-se predominantemente de tons fortes que dialogam com o design gráfico e a cultura pop. Com referências temáticas múltiplas, associa elementos plá...

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Rodolpho Parigi (São Paulo, São Paulo, 1977). Desenhista, pintor e performer. Seu trabalho se caracteriza por aludir à inovação e à contemporaneidade, deixando entrever traços do estilo acadêmico. Vale-se predominantemente de tons fortes que dialogam com o design gráfico e a cultura pop. Com referências temáticas múltiplas, associa elementos plásticos e performance em uma mesma proposta conceitual.

Desde criança, Rodolpho demonstra habilidades para o desenho, mas o interesse pela pintura surge mais tarde, durante uma visita ao Museo del Prado, em Madrid, Espanha. Na ocasião, as obras do pintor flamengo Pedro Paulo Rubens (1577-1640) o comovem e contribuem para sua decisão de estudar artes plásticas na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), em São Paulo.

Em 2007, o público se interessa pelas telas e intervenções do artista, enquanto ele ainda faz o curso de artes. Assemelhadas ao graffiti, elas se distinguem pela presença de múltiplas referências temáticas e formais e por se distanciarem de soluções decorativas.

As obras dos anos 2000 se materializam em estruturas arquitetônicas, como paredes e fachadas de prédios. Há nelas uma alternância entre geometrias e formas orgânicas, e, por vezes, uma mescla entre os dois, como ocorre na série Apropri_ação. Nesse período, tanto as pinturas murais como as produções sobre tela remetem ao contemporâneo, seja pelo uso de cores fortes, seja pela natureza dos traços.

A primeira exposição individual, Concrete Blonde (2009), prioriza a abstração geométrica. Em Concrete (2008), por exemplo, polígonos coloridos com as bases mais ou menos voltadas para as bordas irradiam sobre uma superfície branca, criando um movimento de direção ambígua. A maioria das obras da exposição revelam a paleta de cores brilhantes, constante na produção do artista: na colagem Metadilema (2009), novos polígonos, desta vez pontiagudos e em rosa fosforescente, simulam movimento no plano verde brilhante em que estão afixados. Exceções ao uso de cores múltiplas também apelam para o brilho, como os finos fios dourados de Gold Map (2008). Feitos com caneta dourada sobre papel, emergem de um fundo preto, misturando-se a linhas retas igualmente finas e douradas e formando geometrias pairantes em um possível céu estrelado.

Críticos da obra de Rodolpho consideram o uso de cores intensas um reflexo natural do contexto cultural e tecnológico que é contemporâneo ao artista. As cores artificiais e industriais, presentes nas paletas dos programas de computador, são aquelas com que grande parte da cognição humana passou a interagir, competindo com a configuração mental prevalente de outrora, que privilegiava as cores da natureza e se refletia nas obras artísticas da época.

Essa nova paisagem cultural e tecnológica permeia os trabalhos de Parigi não apenas na escolha das cores, mas também nos procedimentos de criação: ainda na exposição Concrete Blonde, a tela Waves (2009) é o resultado de uma manipulação computacional da obra Concrete, que gera um rearranjo de cortes verticais da imagem original.

Dois anos depois de Concrete Blonde, Rodolpho se aproxima das questões relacionadas ao corpo e à transformação. O abstrato caótico toma forma e aos poucos vai dando lugar a uma figuração, ainda que complexa.  Essa nova característica ganha força na exposição Atraque (2011), cujas obras entrecruzam diferentes tipos de corpos (pessoas, plantas, insetos etc.) e partes de corpos (nervos, músculos, caules etc.), o que ocorre em Magenta Grace Jones (2011). Costuma-se identificar nessas obras, que exemplificam a preferência do artista pela cor magenta, os sentidos de metamorfose, hibridismo e liberdade.

Os mesmos sentidos, que passam a ser o foco das produções do artista, fazem emergir, em 2013, a personagem Fancy Violence, uma mulher imaginária, de cabelos longos e negros, criada por Rodolpho e caracterizada em seu corpo durante atos de performance. Segundo o próprio artista, Fancy deve ser encarada como um trabalho que integra, ao lado de algumas de suas obras plásticas (pinturas, instalações etc.), uma mesma proposta, em nichos de sua produção geral ou em mostras específicas. As obras plásticas e as performances com Fancy são apenas manifestações distintas de um mesmo desejo ou raciocínio que orienta determinada série ou coletânea de obras.

Na exposição Levitação (2015), por exemplo, Fancy Violence compõe a obra performática ilusionista levitación (2015), em que, na horizontal e de braços cruzados, parece flutuar. O sentido de levitação se integra à narrativa composta pelas demais obras, cuja semiótica remete às ideias de transformação, liberdade e elevação (expressas nos desenhos de casulos, de libélulas e na pintura com um rosto de mulher sutilmente inclinado para cima).

Há na obra de Rodolpho uma variedade de formas abstratas e figurativas que, com cores intensas, dialogam com as ideias de corpo, metamorfose e liberdade. Fancy Violence evoca e concretiza as vontades de expressão do artista, para quem o desenho e a pintura parecem ter se tornado insuficientes em seu modo contemporâneo de produzir arte.

Obras 3

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Reprodução fotografica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Limite 5

Tinta serigráfica, acrílica e óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Magenta Grace Jones

Lápis de cor sobre papel
Reprodução fotografica Iara Venanzi/Itaú Cultural

Waves

Óleo sobre linho [tríptico]

Exposições 23

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Feiras de arte 1

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Festivais 1

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Mídias (1)

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Rodolpho Parigi - Série Encontra - Arte 1 (2019)
Rodolpho Parigi conversa com Gisele Kato em seu ateliê, na casa dele, e apresenta seu trabalho, a metamorfose constante, o conflito entre estética e ética ao refletir sobre o mercado que consome sua produção.

A obra de grandes dimensões que serve de cenário para a entrevista, representa uma espécie de bibliografia de referências do artista. O rosa-choque, os movimentos da dança e a música clássica aparecem representados e introduzem um trabalho em constante transformação.

A Enciclopédia Itaú Cultural apresenta a série Encontra, produzida pelo canal Arte 1. Em um bate-papo com Gisele Kato, o público é convidado a entrar nas casas e ateliês dos artistas, conhecendo um pouco mais sobre os bastidores de sua produção.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Arte 1
Direção: Gisele Kato/ Ricardo Sêco
Produção: Yuri Teixeira
Edição: Tauana Carlier

Fontes de pesquisa 10

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