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Música

Vanessa da Mata

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.01.2017
10.02.1976 Brasil / Mato Grosso / Alto Garças
Vanessa Sigiane da Mata Ferreira (Alto Garças MT 1976). Cantora, compositora. Filha de uma professora e um fazendeiro, ouve na infância todo tipo de música, tanto a de tradição folclórica, cantada pelos foliões de reis em sua cidade natal, como a divulgada em disco e rádio. Autodidata, descobre o gosto pelo canto aos 3 anos de idade e, ainda cri...

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Biografia
Vanessa Sigiane da Mata Ferreira (Alto Garças MT 1976). Cantora, compositora. Filha de uma professora e um fazendeiro, ouve na infância todo tipo de música, tanto a de tradição folclórica, cantada pelos foliões de reis em sua cidade natal, como a divulgada em disco e rádio. Autodidata, descobre o gosto pelo canto aos 3 anos de idade e, ainda criança, em tom de brincadeira, compõe suas primeiras canções.

Com o pretexto de se preparar para o vestibular de medicina, muda-se sozinha para Uberlândia, Minas Gerais, aos 14 anos, mas deixa os estudos em segundo plano para seguir o desejo de se tornar cantora, apresentando-se em bares locais. Em 1992, muda-se para São Paulo e se torna vocalista da Shalla-Ball, banda de reggae composta só de mulheres. Mais tarde integra o grupo jamaicano Black Uhuru e a banda Mafuá, de ritmos regionais, dividindo a atividade de cantora com a de jogadora de basquete e de modelo.

Em 1997, Vanessa conhece o compositor Chico César, que impulsiona sua carreira. Com ele compõe A Força que Nunca Seca, gravada por Maria Bethânia no álbum homônimo, de 1999, e indicada ao Grammy Latino de 2000 (melhor canção brasileira em língua portuguesa). Participa de shows de Baden Powell, Milton Nascimento, Daniela Mercury e da própria Maria Bethânia, firmando-se como cantora.

Somente em 2002 grava seu primeiro álbum, Vanessa da Mata, com destaque para duas composições próprias, Não Me Deixe Só e Onde Ir, e Nossa Canção, de Luiz Ayrão, sucesso de Roberto Carlos. No segundo disco, Essa Boneca Tem Manual, de 2004, a faixa Ai, Ai, Ai alcança o primeiro lugar entre as músicas mais tocadas nas rádios brasileiras em 2006. Além de composições próprias e parcerias, o disco traz regravações de Chico Buarque (História de uma Gata - música do argentino L. Enriquez Bacalov e do italiano Sérgio Bardotti) e Caetano Veloso (Eu Sou Neguinha), consolidando sua carreira de intérprete. Seu terceiro álbum, Sim, de 1997, a revela internacionalmente. Lançado em 34 países, o disco traz uma composição em parceria com o californiano Ben Harper (Boa Sorte/Good Lucky) e conta com a participação da dupla jamaicana Sly and Robbie em cinco das 13 faixas, alcançando o quarto lugar em vendas no Brasil.

Em 2009 grava seu primeiro DVD, Multishow ao Vivo, acompanhado do disco homônimo, com participação do cantor Ben Harper e da dupla de produtores Sly e Robbie. Seu quinto álbum, Bicicletas, Bolos e Outras Felicidades, de 2011, marca a estreia de seu selo fonográfico, Jabuticaba.

Tem composições gravadas por diversas cantoras, como Maria Bethânia (O Canto de Dona Sinhá e Sereia de Água Doce), Mônica Salmaso (Onde Ir), Daniela Mercury (Viagem) e Ana Carolina (Me Sento na Rua). Entre seus diversos parceiros, destacam-se Liminha, produtor de seu segundo disco, com quem escreve Ai, Ai, Ai, Ainda Bem, Case-se Comigo, Longe Demais e outras; o congolês Lokua Kanza ( e Eu Não Tenho); e Gilberto Gil (Lá Vem Ela e Quando Amanhecer).

Comentário Crítico
No amplo espectro, convencionalmente chamado de MPB, Vanessa da Mata transita por diversos estilos, do regional ao pop, da balada intimista ao hit dançante. Essa característica se reflete também em seu público, composto de diferentes faixas etárias e grupos sociais, e faz dela uma artista apreciada tanto pela crítica especializada quanto pela grande audiência. Nesse sentido, sua carreira destoa da de outras tantas cantoras brasileiras que, surgidas na virada dos anos 2000, constroem a carreira à margem do grande mercado, a exemplo de Teresa Cristina, Roberta Sá, Fabiana Cozza e Mariana Aydar.

As letras de suas canções oscilam entre textos densos, com forte carga literária, e versos prosaicos sobre experiências e sentimentos cotidianos. Por sua temática e estrutura, a letra de A Força que Nunca Seca chega a ser comparada com a poesia de João Cabral de Melo Neto, devido a passagens como "Já se pode ver ao longe / A senhora com a lata na cabeça / Equilibrando a lata vesga / Mais do que o corpo dita". Estrutura totalmente diversa se nota na canção romântica Você Vai Me Destruir, parceria com Fernando Catatau, da banda Cidadão Instigado, cujos versos fáceis flertam com o brega: "Você vai me destruir / Como uma faca cortando as etapas / Furando ao redor / Me indignando, me enchendo de tédio / Roubando o meu ar / Me deixa só e depois não consegue / Não me satisfaz".

Em geral, suas composições tratam de temas como o amor e os relacionamentos, com enfoque na vida cotidiana. Em Moro Longe, a moça que mora "lá aonde ninguém vai" pede ao amado compensações pelo esforço de atravessar a cidade só para encontrá-lo, em versos bem realistas: "Saindo agora eu chego só três horas lá / Três conduções, olhar um sorvete e não tomar / Levar um lanche e só chegar na madrugada (...) Porque eu moro longe, no fim do mundo / Se eu for aí, faça valer a pena". É também do cotidiano que Vanessa da Mata extrai observações sobre o universo feminino. A canção Fiu Fiu comenta o descompasso entre o gosto dos homens, que "adoram mulheres air bag", e os padrões femininos de beleza, que levam as mulheres a "emagrecer para as amigas, inimigas, todas". Na mesma linha, Bolsa de Grife traz uma bem-humorada crítica ao consumismo: "Comprei a bolsa cara pra me curar do mal / Ela disse que me curava o fogo / Achei que era normal (...) Ainda tenho a angústia e a sede / A solidão, a gripe e a dor / E a sensação de muita tolice / Nas prestações que eu pago / Pela tal bolsa de grife".

Como melodista, Vanessa cria motivos que "grudam no ouvido", a exemplo do refrão de Ai, Ai, Ai ou do vocalize de Ainda Bem ("Na na / Nanana na na"). Intuitiva, possui ainda enorme capacidade de unir melodia e letra, como se nota na canção Onde Ir, um de seus primeiros sucessos. Escrita sobre uma escala pentatônica, a melodia da primeira parte da canção vagueia sem repousar num centro definido, em consonância com o conteúdo da letra: "Eu não sei o que vi aqui / Eu não sei pra onde ir / Eu não sei por que moro ali / Eu não sei por que estou". Já a segunda parte, uma variação tonal da anterior, reflete o tom mais assertivo dos versos: "Só sei que o mundo vai de lá pra cá / Andando por ali por acolá / Querendo ver o sol que não chega / Querendo ter alguém que não vem".

Como intérprete, a artista se destaca pelo canto delicado, com pouco vibrato e um timbre doce que ora soa vigoroso, sobretudo nos agudos, ora lembra uma voz infantil. Destaca-se ainda pela forte presença de palco, com figurinos vaporosos e coloridos, muitos acessórios e os volumosos cabelos soltos - "de nuvens ou bombril", "ousados ou só seus", como ela canta em Essa Boneca Tem Manual. Seu estilo singular - que foge de estereótipos e reforça os traços étnicos, a origem mato-grossense - é muitas vezes interpretado como uma forma de engajamento da artista contra os padrões estabelecidos de beleza e feminilidade, que também aparece em suas letras.

Shows musicais 1

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Fontes de pesquisa 4

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  • ANTENORE, Armando. "'Beautiful girl! I'm Broder Creize" (entrevista com Vanessa da Mata). In: Revista Bravo. São Paulo, n. 158, out. 2010, p. 80-87.
  • MATA, Vanessa da. Entrevista a Marília Gabriela. Programa Marília Gabriela entrevista. São Paulo, GNT, 12 de julho de 2009.
  • MATA, Vanessa da. Entrevista a Sérgio Fogaça. In: Página da música. Ago. 02. Disponível em: <www.paginadamusica.com.br>. Acesso em: 10 dez. 2012.
  • MATA, Vanessa da. Site oficial da cantora. Disponível em: <www.vanessadamata.com.br>. Acesso em: 10 dez. 2012.

Como citar

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