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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Nei Lopes

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.05.2022
09.05.1942 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Nei Braz Lopes (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1942). Cantor, compositor, poeta, escritor e pesquisador. Transitando entre atuações, dedica-se a música, especialmente o samba ao mesmo tempo que produz importantes pesquisadas a cerca das presenças africanas no Brasil, seja através da incorporação da língua no português, na influê...

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Nei Braz Lopes (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1942). Cantor, compositor, poeta, escritor e pesquisador. Transitando entre atuações, dedica-se a música, especialmente o samba ao mesmo tempo que produz importantes pesquisadas a cerca das presenças africanas no Brasil, seja através da incorporação da língua no português, na influência de ritmos e nas religiões de matriz afro e suas entidades sagradas.
Nascido no bairro do Irajá, no Rio de Janeiro, é o 13º filho da dona de casa Eurydice de Mendonça Lopes e do pedreiro Luiz Braz Lopes. Sua formação musical começa na infância, com mãe, que cantava em casa, escuta os sambas de Sinhô. É influenciado pelos tios Alberto (flautista), o padrinho Manuel (violonista) e pelos irmãos Gimbo (trombonista), Zeca (crooner de orquestras de gafieira), Dica (que lhe apresenta discos de importantes cantores da época) e Ernesto (violonista que musicou seus primeiros versos).

Ainda muito garoto, começa participar das montagens teatrais, rodas de choro, saraus e shows, cantando e dançando no Grêmio Recreativo Pau-Ferro, fundado em 1957. Tem os primeiros contatos com a literatura por intermédio do tio Manuel, que lhe dá o livro Poesias Completas de Olavo Bilac (1865-1918). Posteriormente, passa a ler também autores como Castro Alves (1847-1871), Gonçalves Dias (1823-1864) e Lima Barreto (1881-1922).

Forma-se em 1966, na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil [atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)] e exerce a profissão de advogado por cinco anos, abandonando o ofício. No começo da década de 1970, entra no ramo publicitário, criando slogans e compondo jingles para campanhas. Em 1972, grava seu primeiro samba gravado, “Figa de Guiné” (parceira com Reginaldo Bessa), pela cantora Alcione.

Ainda em 1970, ao lado de Candeia e Wilson Moreira, funda o Grêmio Recreativo de Artes Negras e Escola de Samba Quilombo. Anos mais tarde, ao lado daquele que se tornaria seu parceiro mais constante, lança o primeiro disco de sua carreira, A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes, em 1980. Com esse disco é premiado com o Troféu Villa Lobos, da Associação Brasileira de Produtores Fonográficos. No álbum, são registrados temas dos dois até hoje executados em rodas de samba pelo país, como "Gostoso Veneno", "Goiabada Cascão", "Coisa da Antiga" e "Senhora Liberdade".

Três anos depois, lança seu segundo disco, Negro Mesmo, com novas composições ao lado de parceiros como Wilson Moreira (1936-2018), Cláudio Jorge (1949) e Carlão Elegante. Em 1985, volta a lançar outro álbum com Moreira, O Partido Muito Alto de Wilson Moreira & Nei Lopes.

Dedicando-se a pesquisa da história e cultura afro-brasileira, é considerado uma importante figura para a preservação e difusão da cultura e história afro-brasileira, com mais de 35 livros publicados, entre eles romances, contos e trabalhos dedicados a temas como identidade negra e diáspora como Bantos, Malês e identidade negra (1988), ao mapeamento e história de orixás como Logunedé: Santo Menino que Velho Respeita (2000), à história da música como Sambeabá: o samba que não se aprende na escola (2003), além de trabalhar com línguas africanas como no Novo dicionário banto do Brasil, lançado também em 2003, no qual Nei além de trazer 8 mil verbetes de palavras de origem banto e recolhidas do dicionário Houaiss, traz uma intensa pesquisa bibliográfica e de campo para realizar um levantamento do uso de nomes próprios, conhecido na linguística como onomástica, afim de mostrar os usos e presença da língua no Brasil.

Sua produção musical é retomada na década de 1990 com Canto Banto: 300 Anos de Zumbi (1996) e Sincopando o Breque (1999), revelando-se também intimidade com a vertente imortalizada por Moreira da Silva, o samba de breque. estendendo-se pelos anos 2000.

Atuando como músico e compositor e tendo sempre como horizonte de produção os ritmos e influências africanas para a construção da cultura e da sociedade brasileira, Nei Lopes contribui com a constituição de nossa historiografia e entendimento da formação das múltiplas identidades que compõem o país.

Obras 10

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Espetáculos 2

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Exposições 1

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Fontes de pesquisa 3

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  • Entrevistas com Nei Lopes e Wilson Moreira, para o Caderno2, do jornal O Estado de S. Paulo (Feitas por Lucas Nobile).
  • FAUSTINO, Oswaldo. Nei Lopes: retratos do Brasil negro. São Paulo: Selo Negro Edições, 2009.
  • MARQUES, Mario. Guinga: Os mais belos acordes do subúrbio. Rio de Janeiro: Gryphus, 2002.

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