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Artes visuais

Regina Parra

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.06.2021
1984 Brasil / São Paulo / São Paulo
Regina Pelegrini Parra (São Paulo, São Paulo, 1984). Artista visual. Seu trabalho abrange pintura, fotografia, instalação, vídeo e performance. Em suas obras, Regina usa o corpo como ponto de partida para abordar temáticas como imigração, feminilidade, resistência, subversão e limites do corpo. O que lhe interessa são as situações transitórias q...

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Regina Pelegrini Parra (São Paulo, São Paulo, 1984). Artista visual. Seu trabalho abrange pintura, fotografia, instalação, vídeo e performance. Em suas obras, Regina usa o corpo como ponto de partida para abordar temáticas como imigração, feminilidade, resistência, subversão e limites do corpo. O que lhe interessa são as situações transitórias que causam ambiguidade.

Forma-se em teatro (2000), sob orientação do diretor Antunes Filho (1929-2019), com quem trabalha. Essa experiência se reflete em sua produção, tanto por sua ligação com formas de teatro, como a tragédia grega, quanto por saberes técnicos de direção utilizados em seus vídeos e performances. 
Usando a imagem fotográfica como base de seu trabalho, a artista explora lacunas dessa linguagem com as técnicas da pintura, retratando a óleo a fotografia e causando ruídos e interferências nessa transposição da imagem. A série Hino (2008) traz pinturas de imagens de mulheres gritando em ocasiões diversas, sem deixar claro se gritam de prazer ou dor, trazendo noções de transitoriedade e limite.

Em 2011, torna-se mestre em teoria e crítica da arte pela Faculdade Santa Marcelina. No mesmo ano, seu vídeo As Pérolas, como Te Escrevi é premiado e comissionado pelo 1º Prêmio Ateliê Aberto Videobrasil. A obra apresenta imigrantes que entram clandestinamente no Brasil lendo trechos de Mundus Novus, do navegador italiano Américo Vespúcio (1454-1512). Todos leem, com suas limitações linguísticas, partes otimistas da carta, e fica evidente o desconforto em relação à língua do país para onde imigram e onde vivem em situação de exclusão.

Hierarquias de poder e mudanças culturais são trazidas para suas obras. Em 7.536 Passos (por uma Geografia da Proximidade) (2012), a artista caminha pelo Brás, bairro de São Paulo que acolhe imigrantes, e regista as estações de radiopirata que encontra pelo caminho, mantidas pela comunidade boliviana do entorno. O vídeo mostra o indivíduo marginalizado por ser imigrante e registra como a língua vai se alterando nas ruas, revelando a geografia que nos aproxima e exclui.

Também produz obras em neon, como É Preciso Continuar (2018) e Chance (2015-2017) que trazem o tema da superação. Na primeira, ecoa a frase “É preciso continuar / Não posso continuar / Tenho que continuar / Vou continuar”, do romance O Inominável (1953), do escritor irlandês Samuel Beckett (1906-1989). Refere-se a questões pessoais e coletivas, como as negociações que minorias precisam fazer para continuar existindo e resistindo, ao mesmo tempo que pode ser entendida como individual, devido ao tratamento médico que a artista realiza no momento. A segunda traz a frase “A grande chance” e pode ser entendida como uma salvação e uma ameaça.

A série A Libidinosa (2018) parte do estudo do corpo e alude a fotografias de mulheres consideradas histéricas, no século XIX, e classificadas como “a venenosa” ou “a libidinosa”, dando título aos quadros. Regina foca as encenações dessas imagens originais e o abuso dos médicos que enquadram mulheres como histéricas, criando estigmas sociais em uma tentativa de domesticá-las.

A artista estabelece relação com a literatura e o teatro, como na performance Ofélia (2018) baseada no clássico Hamlet, do poeta inglês William Shakespeare (1554-1616). Na apresentação, em conjunto com a artista Ana Mazzei (1979), nove mulheres caminham com placas com as falas de Ofélia e evidenciam a submissão da personagem, mas também sua resistência, evocando o ato de carregar placas e bandeiras em manifestações.

A série Tenho Medo que Sim (2018), uma das frases de Ofélia, junta-se às análises sobre a personagem. Cinco pinturas a óleo sobre papel retratam a artista em posições de agonia, colocando o punho dentro da boca e segurando o pescoço com a mão. A última pintura é a frase homônima ao título, apontando para a subordinação da personagem.

Regina pesquisa o corpo feminino como um lugar de controle e potência. A série A Perigosa (2019), parte da exposição Bacante (2019), apresentada na Galeria Millan, em São Paulo, é composta de seis pinturas nas quais o corpo da artista é retratado em diferentes posições, com gestos entendidos tanto como violentos, quanto como sensuais. O tema da mostra gira em torno do corpo feminino como um lugar de potência e subversão e tem a tragédia grega de Eurípedes, As Bacantes, como ponto de partida. A exposição estuda o corpo feminino como um mecanismo para escapar da violência e da subordinação e de resistência, pois, na época, Regina se cura de uma doença que a paralisa por alguns anos. Bacante, no singular, apresenta a personagem como um ser político, focando a perspectiva feminina.

Em 2018, Regina participa do programa Residency Unlimited, em Nova York, e é premiada pelo edital da 8ª Mostra 3M de Arte, em São Paulo. Em 2019, é selecionada no 36º Panorama da Arte Brasileira: Sertão, do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), evocando formas de resistência atuais. No mesmo ano participa da exposição Histórias Feministas no Museu de Arte de São Paulo (MASP). 

A ambiguidade é recorrente nas obras de Regina Parra. O que pode ser visto como resistência também pode ser entendido como submissão. Suas temáticas trazem sempre pares dicotômicos para mostrar que estamos no limiar dos sentimentos e situações. 

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