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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Marcia Tiburi

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.04.2021
06.04.1970 Brasil / Rio Grande do Sul / Vacaria
Marcia Angelita Tiburi (Vacaria, Rio Grande do Sul, 1970). Filósofa, romancista, professora universitária e política. Sua obra abrange diversos campos do saber: ética, estética, filosofia do conhecimento e feminismo. Comprometida com a luta pelos princípios democráticos, age em distintas frentes, como na escrita acadêmica, ficcional, no campo mi...

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Marcia Angelita Tiburi (Vacaria, Rio Grande do Sul, 1970). Filósofa, romancista, professora universitária e política. Sua obra abrange diversos campos do saber: ética, estética, filosofia do conhecimento e feminismo. Comprometida com a luta pelos princípios democráticos, age em distintas frentes, como na escrita acadêmica, ficcional, no campo midiático e na política partidária. 
Muito jovem, Marcia consolida sua formação acadêmica. Aos 20 anos, forma-se em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), onde realiza o mestrado na mesma área. Em paralelo, gradua-se em artes pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Aos 29 anos, conclui o doutorado em filosofia pela mesma instituição. Sua tese já revela traços que vão permanecer em toda a sua trajetória. 

A escolha em analisar em seu doutorado o pensamento do teórico alemão Theodor W. Adorno (1903-1969) indica tanto o desejo de tratar temas presentes como uma tomada de posição ética e política. O filósofo destaca-se em sua época por incorporar ao seu pensamento objetos tradicionalmente alheios ao solo de investigação filosófica, como a indústria cultural. Além do mais, é reconhecido como um dos grandes críticos do fascismo. Em vez de realizar um pensamento voltado estritamente para a história da filosofia e suas reavaliações, Marcia utiliza-se dela como ferramenta crítica para perceber e combater problemas atuais. Atém-se, especialmente, à ascensão do autoritarismo na cultura brasileira. 

O desejo de se relacionar com outros públicos e de dialogar com quem experiencia o pensamento por meio de outros campos de referência leva Márcia a “ocupar” a televisão. Entre 2005 e 2010, participa do Saia Justa, programa de TV de alcance nacional. 

Como desdobramento de sua participação no talk show, realiza duas experiências reflexivas. Na primeira, a investigação crítica do meio televisivo resulta no livro O Olho de Vidro – A Televisão e o Estado de Exceção da Imagem (2011). Nos anos seguintes, idealiza e apresenta o programa Filosofia POP, transmitido pela Sesc TV, no qual convida pensadores a estabelecerem diálogos entre suas pesquisas e a vida cotidiana. Problematizando a suposta passividade do telespectador, analisada em seu livro, essa série propõe um debate por meio do qual se convoca o espectador ao diálogo, ao exercício de pensar junto, mesmo que a distância. 

Em 2015, o problema do diálogo se atualiza com nova radicalidade política no livro Como Conversar com um Fascista. Diante da ascensão da extrema-direita no Brasil, torna-se necessário investigar o fracasso da capacidade de conversar. O tipo psicossocial analisado, o fascista, é aquele que se fecha em si mesmo. Em vez de dialogar, opera pelo ódio e desejo de eliminação de tudo que difere do seu modo de ser e pensar. 

Nesse contexto polarizado, Marcia analisa como se constrói essa subjetividade que opera pelo autoritarismo e pela dominação, impossibilitando formas igualitárias de relação com o outro. O livro é uma ferramenta crítica de resistência. A aposta da autora, ao expor os mecanismos de construção desses sujeitos, é a possibilidade de ajudar o leitor reflexivo a não se tornar um fascista. 

O tema do diálogo e a aposta na filosofia como ferramenta para construir comunidade aparecem novamente no livro Feminismo em Comum: Para Todas, Todes e Todos, publicado em 2018. Nele, a autora desenvolve a necessidade de estabelecer diálogo entre os diferentes lugares de fala dos feminismos no intuito de consolidar um movimento comum com efetiva capacidade de disputar a hegemonia política e conquistar direitos. Esse pensamento tem profunda conexão com sua prática militante.

Em 2016, integra a #partidA, movimento de mulheres que defendem a entrada de minorias nos espaços de poder institucional. Com adeptas em quase todas as capitais do país, pressiona os partidos a assimilarem candidaturas feministas. Em 2018, sem sucesso nas urnas, Márcia radicaliza sua militância e se candidata a governadora do estado do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores (PT). 

Sua perspectiva feminista, além de ter norteado outros livros no campo da filosofia, aparece em sua produção literária. Para a autora, o feminismo é a devolução da biografia que o patriarcado roubou das mulheres. Portanto, ao apresentar em suas narrativas as personagens femininas como detentoras dos principais pontos de vista, inscreve-se nessa luta por reparação. Em seu último romance, sobrepõe a questão da condição feminina ao problema do autoritarismo da sociedade brasileira.

Em Sob os Pés, Meu Corpo Inteiro (2018), uma mulher resgata a memória de uma irmã assassinada pelo regime militar. A escrita em primeira pessoa e a confusão proposital entre o passado de uma e o da outra revelam a permanência desse passado nas subjetividades contemporâneas. Rico em adjetivos, o romance busca transmitir as sensações da protagonista e capturar o leitor com base em uma perspectiva atenta aos afetos. 

Marcia Tiburi se revela uma intelectual profundamente engajada com a produção de subjetividades mais favoráveis a posturas democráticas e emancipatórias. O trânsito entre formas muito distintas de estabelecer diálogos demonstra sua aguda consciência das implicações éticas e políticas que se dão por meio de diferentes possibilidades estéticas. Nos mais diversos formatos, Marcia Tiburi experimenta maneiras de promover um pensamento político feminista e antifascista capaz de atingir um grande público. 

Exposições 3

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Fontes de pesquisa 7

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  • DORF, Mona. Autores e ideias. São Paulo: Saraiva, 2010.
  • TIBURI, Marcia. Delírio do poder: psicopoder e loucura coletiva na era da desinformação. Rio de Janeiro: Record, 2019.
  • TIBURI, Marcia. Feminismo em comum: para todas, todes e todos. Rio de Janeiro: Record, 2018.
  • TIBURI, Marcia. Olho de vidro: a televisão e o estado de exceção da imagem. Rio de Janeiro: Record, 2011.
  • TIBURI, Marcia. Para Marcia Tiburi não podemos nos deixar levar pelo ridículo na política. [Entrevista cedida a] Leonardo Cazes. Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 1 jul. 2017. Cultura. Disponível em: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/para-marcia-tiburi-nao-podemos-nos-deixar-levar-pelo-ridiculo-na-politica-21541508. Acesso em: 8 set. 2020.
  • TIBURI, Marcia. PartidA, um movimento feminista feito de alegria política. Revista CULT, São Paulo, 21 set. 2016. Colunistas. Disponível em: https://revistacult.uol.com.br/home/partida-um-movimento-feminista-feito-de-alegria-politica/. Acesso em: 8 set. 2020.
  • TIBURI, Márcia. Filosofia em Comum – Para ler junto. Rio de Janeiro: Record, 2008.

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