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Artes visuais

Oscar Niemeyer

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.01.2021
15.12.1907 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
05.12.2012 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica Humberto Pimentel/Itaú Cultural

Forma no Espaço I, 1999
Oscar Niemeyer
Ferro pintado
505,00 cm x 700,00 cm

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1907 – idem, 2012). Arquiteto e urbanista. Oscar Niemeyer é o arquiteto moderno brasileiro de maior renome internacional. Pensando no edifício como uma escultura, destaca-se pelas formas curvilíneas que dá a suas edificações, inaugurando um novo padrão estético na...

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Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1907 – idem, 2012). Arquiteto e urbanista. Oscar Niemeyer é o arquiteto moderno brasileiro de maior renome internacional. Pensando no edifício como uma escultura, destaca-se pelas formas curvilíneas que dá a suas edificações, inaugurando um novo padrão estético na arquitetura brasileira. 

Forma-se em arquitetura pela Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, em 1934. Nesse ano, estagia no escritório do arquiteto e urbanista Lucio Costa (1902-1998), onde aprende os fundamentos da arquitetura moderna e toma gosto pelas construções coloniais luso-brasileiras. Para Niemeyer, Costa é seu principal mestre, especialmente no que diz respeito à técnica e à tradição brasileiras. 

A parceria entre os dois é frutífera. Antes de convidar Niemeyer para auxiliá-lo no projeto do Pavilhão Brasileiro na Feira Internacional de Nova York, em 1939, Lucio Costa o indica para compor a equipe de arquitetos que projeta o Ministério da Educação e Saúde (MES), no Rio de Janeiro, com a supervisão do suíço Le Corbusier (1887-1965). Este é fundamental para a constituição da identidade arquitetônica de Niemeyer, que se interessa pela ideia do edifício como uma unidade escultural e pela concisão arquitetônica de Le Corbusier, de quem absorve aspectos como o rigor formal e a liberdade de desenho.

Entre 1940 e 1944, projeta, por encomenda do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (1902-1976), o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, que se configura como um marco de sua obra, pois rompe com os conceitos rigorosos do funcionalismo e utiliza uma linguagem de formas novas, livres, curvas e sensuais, explorando as possibilidades plásticas do concreto armado. O conjunto é composto pela Casa do Baile, o Iate Clube, a Igreja de São Francisco e o Cassino, e conta com a importante colaboração do engenheiro Joaquim Cardozo (1897-1978) e do paisagista Burle Marx (1909-1994)

Em 1947, é convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a participar da comissão de arquitetos encarregada de definir os planos de sua futura sede em Nova York. Seu projeto, junto com o de Le Corbusier, é escolhido, e Niemeyer consolida seu prestígio no exterior. Em 1949, é nomeado membro da American Academy of Arts and Sciences [Academia Americana de Artes e Ciências]. No início da década de 1950, o debate crítico em torno da obra de Niemeyer se intensifica. O arquiteto greco-americano Stamo Papadaki (1906-1992) publica a primeira monografia sobre a obra do arquiteto carioca, em 19501.

Ainda na década de 1950, Niemeyer é convidado por Ciccillo Matarazzo (1898-1977) para projetar o Parque do Ibirapuera, idealizado para ser um marco da cidade de São Paulo. O parque é constituído de cinco edifícios culturais conectados por uma grande marquise de desenho leve e orgânico, propiciado pelo uso do concreto armado. Os vãos desses prédios tornam-se ainda mais largos, e as colunas, mais estreitas; os pontos de apoio são delicados; o conjunto tem um aspecto leve e curvilíneo. Todo esse complexo é articulado em harmonia a uma extensa área verde. 

Em 1956, Juscelino Kubitscheck, já presidente da República, convida Niemeyer para projetar os prédios públicos de Brasília, futura capital do Brasil, cujo plano urbanístico é confiado a Lucio Costa. De acordo com Niemeyer, os edifícios de Brasília são uma tomada de posição contra os limites do funcionalismo e o envelhecimento de algumas fórmulas da arquitetura moderna. Sua “preocupação fundamental consiste em conceber um elemento novo e diferente, que não copiasse os modelos habituais nos quais a arquitetura moderna se atola, mas que suscitasse um sentimento de surpresa e emoção”.2 A cidade é inaugurada em 1960 e causa admiração. O escritor André Malraux diz que as colunas do Palácio da Alvorada “são o evento arquitetônico mais importante desde as colunas gregas”.3 Le Corbusier acha Brasília “magnífica de invenções, de coragem e de otimismo”.4

Na década de 1960, a violência e a perseguição política da ditadura militar fazem o arquiteto se exilar na França e voltar a sua carreira para o exterior, onde obtém muito êxito. Em 1967, é convidado para projetar a nova sede da Editora Arnaldo Mondadori, nos arredores de Milão. Niemeyer atende ao pedido do proprietário, Giorgio Mondadori (1917-2009), que deseja um prédio como o do Palácio Itamaraty, e cria um conjunto monumental. A obra é centrada em um longo edifício de vidro e aço envolto por um espelho d’água. Ele é constituído de um sistema de grandes arcos de concretos, que, por terem larguras diferentes, dão uma espécie de “ritmo musical” à fachada, nas palavras do arquiteto.5

No início dos anos 1980, realiza importantes obras públicas. A Casa da Cultura de Le Havre é inaugurada em 1982, na França. O conjunto é uma das obras mais escultóricas de Niemeyer. Sobre um amplo terreno, o arquiteto relaciona plasticamente grandes edifícios. Um de seus últimos trabalhos, o Memorial da América Latina, construído entre 1988 e 1989, em São Paulo, já não tem a mesma força dos projetos anteriores. Em 1991, desenha o Museu de Arte Contemporânea (MAC-Niterói), construído às margens da baía de Guanabara. Em 2007, ao completar 100 anos, recebe homenagens no Brasil e no exterior.

Autor de obras arquitetônicas de notoriedade no século XX, Oscar Niemeyer valoriza em suas construções a inovação e a beleza plástica que comovem e surpreendem. O arquiteto concebe em seus projetos um elemento novo e diferente, rompendo com modelos convencionais da arquitetura.

Notas:

1. PAPADAKI, Stamo. The works of Oscar Niemeyer. New York: Reinhold, 1950.

2. NIEMEYER, Oscar. In: PETIT, Jean. Niemeyer: poeta na arquitetura. [S.l.]: Fidia Edizione d'Arte, ca. 1995. p. 28.

3. Idem, ibidem. p. 29.

4. Ibidem, p. 31.

5. SBEGHEN, Camilla. Sede da Mondadori de Oscar Niemeyer, pelas lentes de Karina Castro. ArchDaily, 22 nov. 2017. Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/883927/sede-da-mondadori-de-oscar-niemeyer-pelas-lentes-de-karina-castro. Acesso em: 17 out. 2020.

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Lauro Cavalcanti - Oscar Niemeyer: Clássicos e Inéditos (2014)
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Fontes de pesquisa 37

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