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Toquinho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.05.2019
06.07.1946 Brasil / São Paulo / São Paulo
Antonio Pecci Filho (São Paulo SP 1946). Compositor, violonista, cantor. O apelido Toquinho surge da condição de ser o filho caçula e o acompanha desde a infância. Na fase escolar tem aulas de violão com a professora de piano dona Aurora e, aos 14 anos, começa a ter aulas com Paulinho Nogueira. Por indicação de Nogueira participa do programa Hul...

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Biografia

Antonio Pecci Filho (São Paulo SP 1946). Compositor, violonista, cantor. O apelido Toquinho surge da condição de ser o filho caçula e o acompanha desde a infância. Na fase escolar tem aulas de violão com a professora de piano dona Aurora e, aos 14 anos, começa a ter aulas com Paulinho Nogueira. Por indicação de Nogueira participa do programa Hully Bossa, apresentado por Walter Silva, na TV Record. Em 1963 integra a temporada de shows com jovens talentos no Teatro Paramount, São Paulo, onde conhece Chico Buarque, que coloca letra na sua primeira melodia, Lua Cheia, de 1967.

A partir de 1964 toca em diversas peças de teatro, como Balanço de Orfeu, adaptada de obra de Vinicius de Moraes, dirigida por Millôr Fernandes, e Liberdade, Liberdade, dirigida por Flávio Rangel. Participa do show Na Onda do Balanço, em 1964, no Teatro Maria Della Costa, ao lado do Taiguara, e, no ano seguinte, de Esse Mundo É Meu, na boate Ela, Cravo e Canela, com Sérgio Ricardo e Manini. Estuda violão erudito com Isaias Sávio e aprende harmonia com Oscar Castro Neves. Em 1966 grava seu primeiro LP solo A Bossa de Toquinho, que ganha o título de O Violão de Toquinho, em 1968. No repertório há uma raríssima parceria de Elis Regina e Walter Silva, na canção Triste Amor que Vai Morrer. Participa do 3º Festival Internacional da Canção Popular (FIC), em 1968, com a canção Boca da Noite, em parceria com Paulo Vanzolini. No ano seguinte vai ao encontro do amigo Chico Buarque, autoexilado na Itália, onde faz apresentações ao lado da cantora americana Josephine Baker. Ao retornar ao Brasil grava o LP que contém seu primeiro sucesso: Que Maravilha, feita em parceria com Jorge Ben. Numa temporada em Buenos Aires, em 1970, com Vinicius de Moraes e a cantora Maria Creuza, participa da gravação do disco Vinicius de Moraes en La Fusa.

A parceria com Vinicius permanece em toda a década de 1970, com shows pelo Brasil e exterior, gravação de LPs e composições, como Como Dizia o Poeta, Tarde em Itapoã, A Tonga da Mironga do Kabuletê, Meu Pai Oxalá, O Bem-Amado, O Canto de Oxum, Pela Luz dos Olhos Seus, Regra-Três, Morena Flor, Mais um Adeus, Cotidiano nº 2, Carta ao Tom 74, Samba de Orly (com Chico Buarque). Em parceria com Gianfrancesco Guarnieri compõe para as peças Castro Alves Pede Passagem (1971), Botequim (1972) e Um Grito Parado no Ar (1973), todas com direção do próprio Guarnieri.

Homenageia seu maior parceiro, Vinicius de Moraes, com o Samba pra Vinicius (com Chico Buarque), em 1980. Compõe com Mutinho as canções Escravo da Alegria, O Caderno, Ao que Vai Chegar e Turbilhão; com Francis Hime, Doce Vida, e com Carlinhos Vergueiro, Camisa Molhada. Grava com Paulinho da Viola o disco Sinal Aberto, ao vivo no Teatro João Caetano, em 1999. Com Paulo César Pinheiro, lança em 2005 o disco Mosaico, resultado de uma trilha com temas históricos produzida para o espetáculo teatral Outros Quinhentos, do texto de Millôr Fernandes. Faz sucesso com Aquarela e dedica-se a outros trabalhos ao público infantil, em 1983. Participa, em 1999, do Festival Latino-Americano, em Milão, Itália, e integra o júri do Festival de San Remo. Em 2003, o clipe animado da canção Aquarela, dirigido por André Breitman e Andrés Lieban, é premiado no Chicago International Children's Film Festival e conquista o segundo lugar na categoria animação infantil do Anima Mundi. Em seus trabalhos dedicados ao universo infantil lança, em 2005, o box Toquinho no Mundo da Criança, e em 2010 faz adaptação musical para o espetáculo Cats.

 

Comentário Crítico

O violão popular no Brasil tem uma trajetória que pode ser recuperada nas práticas musicais coloniais relacionadas à viola. No século XIX esse instrumento ocupa espaço no cenário da seresta, do lundu e do choro. Aparecem artistas que se destacam como compositores e instrumentistas e iniciam uma escola de violão, na qual as fronteiras entre a música erudita e popular são indefiníveis. Os solistas e instrumentistas constroem uma forma peculiar de tocar, que é ensinada e repassada de maneira informal. Nas primeiras décadas do século XX compositores criam obras para o instrumento, a tal ponto que é estabelecido um repertório próprio. Desse modo, cria-se um circuito virtuoso da prática e da obra violonística no Brasil. Com a bossa nova o violão brasileiro alcança reconhecimento internacional e sua forma de tocar influencia os instrumentistas da segunda metade do século XX.

A trajetória de Toquinho deve ser compreendida nessa dinâmica da música instrumental violonística. Como instrumentista é um virtuoso que toca suas próprias composições e acompanha outros intérpretes. Sua formação começa com Paulinho Nogueira, que desde cedo percebe o talento de Toquinho e o ajuda no início da carreira. Com ele realiza uma parceria Choro Chorado para Paulinho Nogueira, 1975 (com letra de Vinicius de Moraes), e grava Toquinho & Paulinho Nogueira, 1999.

Toquinho reconhece em Baden Powell uma influência técnica e de composição que é central em sua formação. Ele acompanha artistas como Elis Regina, Zimbo Trio, Marcos Valle, Bossa Jazz Trio, Taiguara, Ivete, Tuca, Geraldo Cunha, Chico Buarque, e divide o palco com Maria Creuza, Maria Bethânia, Marília Medalha, Miúcha, Tom Jobim entre outros. Toda essa experiência constrói uma forma singular de tocar violão que combina a prática solista de Paulinho Nogueira com a batida rítmica originária da bossa nova, mas sobretudo aquela vinda de Baden Powell. Assim surgem as melodias simples e diretas, acompanhadas de um balanço marcado com rasqueados que quebram o tempo. Mesmo com a evolução da carreira como cancionista, Toquinho mantém atividade solista gravando discos com composições suas e de outros autores, tais como Toquinho na Boca da Noite (1974), Toquinho. Il Brasile nella Chitarra (1976), Tocando (1977), instrumental, e A Luz do Solo (1985).

A carreira de instrumentista reconhecido começa a mudar nos anos 1970 quando inicia a parceria com Vinicius de Moraes, com apresentações no país e também pela Europa e América Latina. Nos dez anos de duração da parceria, gravam Tom, Vinicius, Toquinho, Miúcha ao Vivo no Canecão (1977), Toquinho, Vinicius & Amigos (1974) e Vinicius de Moraes en la Fusa con Maria Creuza y Toquinho (Buenos Aires, 1970), Vinicius, Bethânia, Toquinho en La Fusa (1970), La Voglia, la Pazzia, l'Incoscienza, l'Allegria. (Vinicius,Toquinho e Ornella Vanoni, 1976), Toquinho e Vinicius - O Poeta e o Violão (ao vivo em Milão, 1975); Vinicius/Toquinho (1975), Toquinho & Vinicius (1974), Toquinho e Vinicius (1971), São Demais os Perigos desta Vida (1971), trilhas sonoras de Fogo sobre Terra (Rede Globo, 1974), O Bem Amado (Rede Globo, 1973), Vinicius Canta "Nossa Filha Gabriela" (TV Tupi, 1972). Com a morte do parceiro Vinicius de Moraes, em 1980, Toquinho inicia outros projetos e parcerias.

Mas, ainda em parceria com Vinicius, Toquinho se aproxima do universo musical infantil. Ele musica dois livros infantis do poeta que originam os discos Arca Noé 1 (1980) e 2 (1981). Em 1983 grava Casa de Brinquedos, quatro anos depois Canção de Todas as Crianças (1987) e, em 1997, Toquinho e Convidados, uma reinterpretação do LP de 1987. É possível incluir também nesse universo sua canção de maior sucesso nessa década que é Aquarela, de 1983. Nos anos 1980 a música destinada ao público infantil vive uma encruzilhada: tradicionalmente continua a reproduzir o cancioneiro do folclore e, de outra parte, começa a criar um mercado de consumo baseado nos diversos programas infantis que se multiplicam no período. A obra de Toquinho foge desses dois padrões antitéticos, pois não pretende difundir o folclore nem alcançar o consumo fácil. Sem menosprezar o universo da criança, ele faz revelar a riqueza do universo musical infantil, abrindo um campo que se tornaria bastante prolífico na virada dos séculos, quando surgem diversos autores de qualidade.

Ao longo da carreira, Toquinho faz parcerias com Chico Buarque, Paulo Vanzolini, Paulo Sérgio Pinheiro, Jorge Benjor, Carlos Lyra, Baden Powell. Nos últimos anos vem se dedicando à preservação e divulgação de sua obra, com shows no Brasil e exterior.

Espetáculos 12

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Fontes de pesquisa 7

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  • DREYFUS, Dominique. O violão vadio de Baden Powell. São Paulo: Editora 34, 1999.
  • PECCI, João Carlos e HOMEM, Wagner. Histórias de canções - Toquinho. São Paulo: Editora Leya, 2010.
  • Programa do Espetáculo - Liberdade Liberdade - 1965. Não catalogado
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).
  • TAUBKIN, Myriam (org.). Violões do Brasil. São Paulo: Senac, 2007.
  • Teatro Por RIO. Palco e Platéia, São Paulo, ano III, no. 14, p.38, março de 1972. Não catalogado
  • ÊSSE Mundo é Meu. São Paulo: Teatro de Arena, 1965. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro de Arena. Não catalogado

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