Artigo da seção pessoas Lauro Escorel

Lauro Escorel

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Cinema  
Data de nascimento deLauro Escorel: 05-01-1950 Local de nascimento: (Estados Unidos / Distrito de Columbia / Washington)

Lauro Escorel de Moraes Filho (Washington D.C., Estados Unidos, 1950). Diretor de fotografia e cinema. Lauro Escorel de Moraes Filho (Washington D.C., Estados Unidos, 1950). Diretor de fotografia e cinema. Sua formação se dá na prática da atividade cinematográfica, trabalhando com nomes do cinema novo, a partir da década de 1970. Como diretor de fotografia, seu trabalho se caracteriza pela versatilidade que pode ser observada em sua filmografia, que vai desde cenários exteriores até a construção visual de passados idealizados. Dirige, ainda, alguns documentários e um longa de ficção.

Dirige, ainda, alguns documentários e um longa de ficção.

Inicia a carreira, em 1966, como um dos fotógrafos de cena do filme Terra em Transe (1967), com direção de Glauber Rocha (1939-1981). Em seguida, fotografa os curtas A Falência (1967), de Ronaldo Duarte (?-2010), e A Gafieira (1968), de Gerson Tavares (1926)

Em São Bernardo (1971), dirigido por Leon Hirszman (1937-1987) e primeiro trabalho de Lauro Escorel como diretor de fotografia em um longa-metragem, a fotografia ajuda a acentuar a estética realista do filme. Baseado na obra homônima de Graciliano Ramos (1892-1953), o filme é composto, em grande parte, de planos sequência1, valendo-se das limitações técnicas da produção na composição de sua estética. O peso da câmera, por exemplo, influencia o estilo da fotografia. O uso da luz natural, por sua vez, determinante na estética de São Bernardo, é consequência de outra limitação do equipamento: a disponibilidade de apenas quatro refletores para a produção. Apesar das adversidades técnicas, o filme ganha o Prêmio de Fotografia do Festival de Gramado e se torna um dos marcos do cinema nacional.

É convidado a assumir a direção de fotografia de filmes marcantes do período como Toda Nudez Será Castigada (1973), dirigido por Arnaldo Jabor (1940); Lucio Flávio, Passageiro da Agonia (1977), do diretor argentino Hector Babenco (1946-2016); e Bye Bye Brasil (1979), de Carlos Diegues (1940), um road-movie repleto de desafios fotográficos e logísticos para solucionar as cenas externas ou noturnas, em ambientes como praia e sertão. 

Dirige o documentário Libertários (1976), que trata da influência do anarquismo no movimento operário de São Paulo, no início do século XX. Feito com base em fotografias, músicas e filmes do período, utiliza imagens produzidas por industriais para exibir seu poderio econômico, nas quais é possível observar as condições de trabalho a que são submetidos os operários. No documentário, que contribui para o resgate da história dos movimentos sociais no Brasil, a Greve Geral de 1917 é analisada em detalhe. O tema das lutas sociais, um tabu durante a ditadura militar, período em que o filme é produzido, gera repercussão e o documentário ganha o prêmio Margarida de Prata da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em 1977.

Ainda como diretor, realiza o longa-metragem de ficção Sonho sem Fim (1985), baseado na trajetória de Eduardo Abelim, um dos pioneiros do cinema nacional. Ambientado nas fotogênicas paisagens do Sul do Brasil, o filme, em tom romântico e bem-humorado, resgata a dimensão artesanal do fazer cinematográfico na década de 1920, ao narrar as aventuras e desventuras do personagem Edu em suas tentativas de fazer cinema.

Em Ironweed (1987), filme de Babenco, baseado no romance homônimo do escritor americano William Kennedy (1928), Lauro Escorel participa de sua primeira produção internacional, trabalhando com grandes estrelas do cinema americano como o ator Jack Nicholson (1937) e a atriz Meryl Streep (1949). A fotografia do filme cria um ambiente melancólico para narrar a história do ex-jogador de beisebol que se torna morador de rua, durante a depressão econômica de 1930, na cidade de Albany. A longa parceria entre Lauro Escorel e Babenco, iniciada em Lucio Flávio, inclui ainda trabalhos como Brincando nos Campos do Senhor (1991), filmado na selva amazônica.

Na década de 1990, Lauro Escorel trabalha na indústria cinematográfica norte-americana, em filmes como Indecency (1992), da diretora americana Marisa Silver (1960), e Amelia Earhart: The Final Flight (1994), do diretor canadense Yves Simoneau (1955).

Participa da fundação da Associação Brasileira de Cinematografia (ABC), em 2000, instituição que visa o aperfeiçoamento técnico e artístico da categoria e da qual é presidente nos biênios de 2002/2003 e 2012/2013. Idealizador do Prêmio ABC de Cinematografia, que ocorre anualmente desde 2000, é curador da programação da Semana ABC.

Em Batismo de Sangue (2007), filme dirigido por Helvécio Ratton (1949), baseado no livro homônimo de Frei Betto (1944), a fotografia resulta em uma imagem com cores dessaturadas como meio de remeter ao passado da ditadura militar brasileira e à dor da prisão e da tortura a que são submetidos os jovens freis dominicanos.

Em seu documentário Fotografação (2019), Lauro Escorel reflete sobre a representação do Brasil no trabalho de diversos fotógrafos e sobre o impacto das imagens digitais na fotografia contemporânea. Marc Ferrez (1788-1850), Maureen Bisilliat (1931) e Thomaz Farkas (1924-2011) estão entre os fotógrafos abordados pelo filme.

Registrando a luz das mais diversas paisagens ou iluminando, com a mesma precisão, distintas atmosferas e ambientes, Lauro Escorel apresenta em sua trajetória estilos fotográficos elaborados segundo a necessidade de cada filme, adaptando-se ao esquema de produção de cada período, característica nítida da diversidade de sua filmografia.

Nota:

1. Técnica em que a cena é apresentada em uma tomada única, sem cortes, ao longo de toda uma ação.

Outras informações de Lauro Escorel:

  • Outros nomes
    • Lauro Escorel de Moraes Filho
    • Lauro Escorel Filho
  • Habilidades
    • Fotógrafo
    • Roteirista
    • Produtor
    • Diretor de fotografia
  • Relações de Lauro Escorel com outros artigos da enciclopédia:

Fontes de pesquisa (8)

  • CAETANO, Maria do Rosário. Fotografação. Disponível em: http://revistadecinema.com.br/2020/03/fotografacao/.

     

    Acesso: 27 jan. 2021
  • CINEMATECA BRASILEIRA. Filmografia. Libertários. São Paulo: Cinemateca Brasileira, [s.d.]. Disponível em: http://bases.cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/.

     

    Acesso em: 15 set. 2020.
  • CINEMATECA BRASILEIRA. Filmografia. Sonho Sem fim. São Paulo: Cinemateca Brasileira, [s.d.]. Disponível em: http://bases.cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=ID=021286&format=detailed.pft. Acesso em: 15 set. 2020.
  • DIEGUES, Carlos. Bye bye Brasil. Disponível em: https://ims.com.br/filme/bye-bye-brasil/. Acesso: 27 jan. 2021.
  • MELO, Luís Alberto Rocha. São Bernardo de Leon Hirszman, 1971, Brasil. Contracampo – Revista de Cinema, [s.l.], n. 74, [s.d]. Disponível em: http://www.contracampo.com.br/74/saobernardo.htm. Acesso em: 15 set. 2020.
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs.). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2012. 3. ed. ampliada e atualizada.
  • SIRINO, Salete Paulina Machado. A fotografia de Lauro Escorel no filme "São Bernardo". Revista Científica/FAP, Curitiba, v. 12, p. 277-294, jan./jun. 2015.
  • TAKEDA, Ana Carolina Botelho; CARELLI, Fabiana Buitor. São Bernardo em dois tempos e em duas linguagens: A representação das tensões sociais vividas por Paulo Honório, de Graciliano Ramos e Leon Hirszman. In: ABRALIC, 14.,  24, 25 e 26 set. 2014. Anais eletrônicos. ISSN 2317-157X. Belém: Universidade Federal do Pará, 2014.

Como citar?

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  • LAURO Escorel. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa428937/lauro-escorel>. Acesso em: 12 de Mai. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7