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Christiane Jatahy

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.08.2018
17.10.1968 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Christiane Jatahy de Almeida Carneiro (Rio de Janeiro RJ 1968). Diretora, dramaturga e atriz. Fundadora da Companhia Vértice de Teatro, seu trabalho se centra na pesquisa de linguagem e nas relações entre ator e público.

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Biografia
Christiane Jatahy de Almeida Carneiro (Rio de Janeiro RJ 1968). Diretora, dramaturga e atriz. Fundadora da Companhia Vértice de Teatro, seu trabalho se centra na pesquisa de linguagem e nas relações entre ator e público.

As primeiras atividades relacionadas ao teatro datam da adolescência, no Colégio Andrews, no Rio de Janeiro, em curso extracurricular ministrado por Miguel Falabella. Em 1984, atua em Cabaré, com texto e direção de Falabella, e em 1985, com o mesmo diretor, em Happy End, de Elisabeth Hauptman e Bertolt Brecht. Integra o grupo Mergulho no Trágico, no qual é dirigida por José Da Costa em Édipo Rei, de Sófocles, em 1988.

Interpreta textos do espanhol José Sanchis Sinisterra, autor sempre presente em sua produção, entre eles Ñaque, de Piolhos e Atores, em 1991, encenado por Moncho Rodriguez; Ay, Carmela, por Aderbal Freire-Filho, em 1993; e Perdida nos Apalaches, dirigida pelo autor, em 1997. A aproximação com a dramaturgia espanhola se reforça quando, em 1992, participa do curso Nuevos Enfoques de la Creación Teatral em Barcelona, na Sala Beckett, oportunidade para contatar autores, teóricos e dramaturgos.

Em 1994, com o cenógrafo Marcelo Lipiane e um elenco de 20 atores, cria o Grupo Tal, que compõe a Trilogia da Iniciação. Christiane assina a dramaturgia e a direção dos infantis Peter Pan, de J. M. Barrie, 1996; Alice, de Lewis Carrol, 1998; e Pinóquio, de Carlo Collodi, 1999. Esse grupo termina em 2000, e Christiane passa a dedicar-se ao teatro adulto, fundando a Companhia Vértice de Teatro, da qual é diretora artística.

No primeiro espetáculo dessa nova fase, Carícias, do catalão Sergi Belbel, inaugura o Teatro do Jóquei em 2001, com um encontro sobre a nova dramaturgia da Espanha. Em 2003, dirige Memorial do Convento, romance de José Saramago, com tratamento dramatúrgico de Sinisterra. A montagem é bem recebida pela crítica, que abona as soluções e os esforços imaginativos da encenação para conservar a força da obra literária.

A partir de 2004, Christiane radicaliza as pesquisas formais do grupo. Em Conjugado, monólogo interpretado por Malu Galli, a vida de uma mulher solitária ganha representação por meio da combinação de performance, projeção de documentário e instalação, elementos do cenário inventivo de Marcelo Lipiane. A peça inicia a trilogia intitulada Uma Cadeira para a Solidão, Duas para o Diálogo e Três para a Sociedade. A segunda parte dessa série, A Falta que nos Move ou Todas As Histórias São Ficção, 2005, joga abertamente com as relações entre ator e platéia. Enquanto prepara um jantar e espera um convidado, o elenco conversa com o público sem deixar claro, em muitos momentos, os limites entre interpretação, realidade e ficção. O espetáculo, segundo Sérgio Salvia Coelho caracteriza-se como a "obra-prima do naturalismo experimental de Christiane".1

Em 2006, as qualidades da diretora se revelam também em uma montagem mais convencional, a de Leitor por Horas, com Ana Beatriz Nogueira, Luciano Chirolli e Sebastião Vasconcelos. Trata-se de outro texto de Sinisterra, em que um pai contrata um homem para ler obras clássicas para a filha cega, tema adequado para abordar a metalinguagem. A crítica Mariangela Alves de Lima escreve sobre as virtudes da peça: "Cristiane Jatahy dirige a encenação atenta ao sentido de refração dos signos artísticos. Sendo parte de sintaxe teatral as personagens giram em torno de um eixo oferecendo a cada cena perspectivas diferentes de contemplação. De modo análogo, as composições dos intérpretes são fluidas e variáveis para que não se colem às personagens traços fixos de caráter ou psiquismo. [...] o espetáculo tem o encanto especial da revelação endereçada a poucos e privilegiados espectadores. É a um só tempo íntimo, em razão das dimensões e da proximidade entre atores e público, e impessoal porque aborda os abstratos problemas da comunicação artística".2

Desde 2001, ministra aulas no curso de interpretação da Escola de Artes Dramáticas do Centro Universitário do Rio de Janeiro - UniverCidade.

Notas
1. COELHO, Sérgio Salvia. Nova peça de Jatahy leva teatro a seu mais alto nível. Folha de S.Paulo, São Paulo, Ilustrada, 4 dez. 2006. p. 7.

2. LIMA, Mariangela Alves de. Casamento feliz entre duas partes. O Estado de S. Paulo, São Paulo, Caderno 2, 20 mai. 2006.

Espetáculos 29

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Fontes de pesquisa 9

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  • COELHO, Sérgio Salvia. Nova peça de Jatahy leva teatro a seu mais alto nível. Folha de S.Paulo, São Paulo, Ilustrada, 4 dez. 2006. p. 7.
  • HELIODORA, Barbara. Retrato doloroso de uma solidão não admitida. O Globo, Rio de Janeiro, Cultura, 20 mar. 2004.
  • LESSA, Jefferson. A mulher que todo dia faz tudo sempre igual. O Globo, Rio de Janeiro, Cultura, 20 mar. 2004.
  • LIMA, Mariangela Alves de. Casamento feliz entre duas partes. O Estado de S. Paulo, São Paulo, Caderno 2, 20 mai. 2006.
  • NÉSPOLI, Beth. Realidade e ficção, para abrir a alma. O Estado de S. Paulo, São Paulo, Caderno 2, 24 nov. 2006.
  • Programa do Espetáculo - After Darwin - 2007. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Carícias - 2006. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Conjugado - 2004. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Leitor Por Horas - 2006. Não catalogado

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