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Teatro

Madeleine Rosay

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.07.2020
1924 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
1996
Magdalena Rosenzveig  (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1923 - Idem, 1996). Bailarina, coreógrafa e professora. Magdalena Rosenzveig, conhecida como Madeleine Rosay 1, tem seu primeiro contato com o balé aos 8 anos. Entra na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (EEDMO), do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, coordenada por Maria Olenewa (1896-...

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Magdalena Rosenzveig  (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1923 - Idem, 1996). Bailarina, coreógrafa e professora. Magdalena Rosenzveig, conhecida como Madeleine Rosay 1, tem seu primeiro contato com o balé aos 8 anos. Entra na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (EEDMO), do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, coordenada por Maria Olenewa (1896-1965). Em 1932, faz sua estreia como solista da “Dança dos Cocos” da ópera O Guarani (1870), de Carlos Gomes (1836-1896).

Em 1935, apresenta-se no Municipal, interpretando o papel principal de peças como Danúbio Azul e Variação Clássica. No mesmo ano, atua com o partner Yuco Lindberg (1908-1948), no filme Bonequinha de Seda (1936), de Oduvaldo Vianna (1892-1972). Em 1937, na primeira Temporada Nacional de Bailados 2, Madeleine Rosay é nomeada a primeira bailarina do Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ainda em 1937, Rosay dança em São Paulo como solista da companhia lírica italiana de Gabriela Bensanzoni Lage (1890-1962). Em 1939, a nova temporada do Theatro Municipal tem Rosay no papel de primeira bailarina, ao lado de Yuco Lindberg. A imprensa da época nomeia Madeleine a “Pequena Pavlova”, pela atuação equiparada à dos bailarinos internacionais durante a temporada. Em 1940, participa do filme Céu Azul, de Ruy Costa (1909-1980). Em 1943, obtém sucesso com sua interpretação em A Morte do Cisne (1909), de Fokine, um marco em sua trajetória. Em 1944, apresenta no Theatro Municipal o seu primeiro recital 3.

Em 1946, fica em Nova York por quatro meses, estudando dança moderna na escola de Martha Graham (1894-1991) e balé no American Ballet School. Ao regressar ao Brasil, decide investir em sua carreira de recitalista. Em 1947, a sua última apresentação como recitalista é ao lado do bailarino português Francis Graça (1902-1980), no Municipal. Em 1949, deixa os palcos e assume a direção do Corpo de Baile e da EEDMO. Em 1950, assume a função de auxiliar de coreógrafa do Corpo de Baile, então sob a direção de Tatiana Leskova (1922). Em 1951, vai para Nova York onde estuda no American Ballet School e participa de programas de televisão. Em 1952, volta a lecionar, reconhecendo Clélia Serrano (19?) como sua aluna principal. Passa a ela a coroa de cisne que recebe da bailarina russa Anna Pavlova (1881-1931). Em 1952, retorna ao Rio de Janeiro e monta a Companhia de Ballet Madeleine Rosay 4. A estreia acontece em 1953  e marca a volta de Rosay aos palcos. Em seguida, reassume a função de assistente de coreógrafa do Corpo de Baile do Municipal, e monta Mancenilha (1953), com música de Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Em 1959, já com sua academia, assume a direção da EEDMO, cargo em que permanece por sete anos. É responsável por importantes mudanças no currículo da escola, inclusive pela alteração do tempo de formação de sete para nove anos. Sua estreia nos cassinos acontece em 1941, desde então, os shows nos cassinos, bem como nos teatros de revista e nas chanchadas, tornam-se parte de seu cotidiano. Participa, também, de programas de televisão. Escreve, em 1965, Dicionário de Ballet e, em 1966, aposenta-se no serviço público. Nesse mesmo ano, trabalha como diretora cultural da Liga Feminina Israelita e escreve uma coluna mensal no Jornal Israelita, chamada “No mundo da dança”. Organiza a caravana de professores e bailarinos brasileiros para o Congresso Mundial de Ballet, em Moscou, no ano de 1973. De 1979 a 1983, leciona na escola Danças Clássicas Clélia Serrano, na cidade de Campos. Em 1983, retorna ao Rio de Janeiro, onde falece em 1996.

A busca por uma dança “nacional” está presente no fazer de Madeleine Rosay e de outros artistas da época como Eros Volúsia (1914-2004) que clama por “um bailado brasileiro”. Ela e Rosay dançam Tico-tico no Fubá nas pontas. Os motivos populares, indígenas e africanos e os temas brasileiros ganham evidência na época em que o regime do Estado Novo (1937-1945) está em fase de implementação: “A organicidade desse novo nacionalismo anseia por ligar o presente ao passado, 'respeitando as tradições, costumes, raças' de acordo com a 'alma nacional', ou seja, com a sua identidade”5.

Rosay investe no ensino e na divulgação do balé. Como professora, inicia suas atividades no Ballet da Juventude (1945-1956), profissão que ganha evidência em sua carreira. Tanto na EEDMO como em sua própria escola, Rosay amplia as ações em dança. No ano em que assume a direção da EEDMO, introduz outras disciplinas no currículo: “História de Danças, Teoria, Dança Moderna e Característica”6. Reestrutura o Corpo e, na ficha técnica, passam a constar as funções de: um coreógrafo assistente, um auxiliar de coreógrafo, um pianista e 60 bailarinos divididos em 3 categorias (A, B, C) com diferenças salariais. O Dicionário de Ballet, que tem o prefácio escrito por Paschoal Carlos Magno (1906-1980), cumpre função importante, e é Rosay quem escreve: “Repito que este livro não se destina a ensinar, ou a substituir o professor; é um esboço do que se poderia chamar de Gramática do Ballet”7. Vale sublinhar aqui os dizeres do bailarino, coreógrafo e professor de dança, Eduardo Sucena (1920-1997): “Dizem que não possuímos tradição artística; torna-se então, necessário adquiri-la. Por isso é preciso que comecemos a preservar nosso patrimônio de artes, respeitar e incentivar os nossos valores, não só os que estão em evidência, como também os que por motivos vários se afastaram”8.

Notas

1. Olenewa sugere que o sobrenome Rosenzveig seja diminuído para Rosay, facilitando a pronúncia e o reconhecimento por parte do público e da imprensa. Em 1936, resolve afrancesar seu nome, aparecendo pela primeira vez no programa do Theatro Municipal como Madeleine Rosay.

2. Outras acepções: Temporada Oficial de Bailados, em SUCENA (1988, p. 271), e Primeira Temporada Internacional de Bailados, em MELGAÇO (2008, p. 143).

3. A expressão refere-se a um programa constituído por coreografias da recitalista ou de outro coreógrafo, sendo a recitalista a intérprete principal. 

4. Fazem parte do elenco os bailarinos Antônio Barros, Dicléa Ferreira, Inês Litowsk, Johnny Franklin (1931-1991), Josemary Brantes, Márcia Haydée (1937), Yellê Bittencourt (19? - 2013), Yvonne Meyer.

5. PEREIRA, Roberto. A formação do balé brasileiro. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003. p. 276. 

6. SUCENA, Eduardo. A dança teatral no Brasil. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura: Fundação Nacional de Artes Cênicas, 1989. p. 338.

7. ROSAY, Madeleine. Dicionário de Ballet. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Nórdica LTDA, 1980. s/p.

8. SUCENA, Eduardo, op. cit., p. 339.

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Fontes de pesquisa 8

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  • CERBINO, Beatriz. Madeleine Rosay: a poetisa do gesto. Série Memória do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, n. 28. Rio de Janeiro: Faperj, 2002.
  • FARO, Antonio José. Pequena história da dança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986.
  • FARO, Antonio José; SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de balé e dança. Rio de Janeiro: Zahar, 1989. R792.8 F237d
  • Museu do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso em: 02 jun. 2011. Não catalogada
  • PEREIRA, Roberto. A formação do balé brasileiro. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003.
  • ROSAY, Madeleine. Dicionário de Ballet. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Nórdica LTDA, 1980.
  • SILVA JUNIOR, P. M. Os grand-jetés que constroem uma história. In: FREITAS, A. L. R. Um sonho feito de cores – Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. Rio de Janeiro: Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, 2008.
  • SUCENA, Eduardo. A dança teatral no Brasil. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura: Fundação Nacional de Artes Cênicas, 1989.

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