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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Gésio Amadeu

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.04.2021
14.06.1947 Brasil / Minas Gerais / Santos Dumont
05.08.2020 Brasil / São Paulo / São Paulo
Gésio Amadeu (Santos Dumont, Minas Gerais, 1947 – São Paulo, São Paulo, 2000). Ator. Em uma trajetória sólida de mais de 50 anos atuando na televisão, no teatro e no cinema, transforma com maestria personagens coadjuvantes em figuras cativantes. Muitas delas, especialmente na teledramaturgia, fixam-se na memória popular.

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Gésio Amadeu (Santos Dumont, Minas Gerais, 1947 – São Paulo, São Paulo, 2000). Ator. Em uma trajetória sólida de mais de 50 anos atuando na televisão, no teatro e no cinema, transforma com maestria personagens coadjuvantes em figuras cativantes. Muitas delas, especialmente na teledramaturgia, fixam-se na memória popular.

Seus numerosos trabalhos atravessam momentos importantes da história da dramaturgia brasileira, e comentários críticos o exaltam por valorizar “papéis pequenos”1 e “transformar personagens em experiências”2.

Nascido no interior de Minas Gerais, no distrito rural de Conceição do Formoso, município de Santos Dumont, em uma família com nove irmãos, Gésio Amadeu pratica música e teatro desde cedo, em celebrações da igreja. Aos 8 anos, em busca de uma vida menos árdua do que a da roça, passa a morar com uma família libanesa em Juiz de Fora (MG), onde completa o ensino médio e o serviço militar. Integra o Batuque Afro-Brasileiro Nelson Silva, faz teatro amador e estreia sua primeira peça de teatro, O Coronel de Macambira (1966), com texto de Joaquim Pedrozo (1897-1978).

Muda-se para São Paulo em 1968 e, no ano seguinte, é contratado pela TV Tupi a convite de Bráulio Pedroso (1931-1990). Assume a função de levar capítulos da novela Beto Rockfeller (1969), de Bráulio Pedroso, para copiar no mimeógrafo e distribuir aos atores do elenco. Por essa via, conhece artistas como Cassiano Gabus Mendes (1929-1993) e Lima Duarte (1930), e faz sua estreia em telenovelas com um personagem com seu próprio nome.

Participa do elenco da peça A Moreninha (1969), com direção de Osmar Rodrigues Cruz (1924-2007). No papel de um homem escravizado, contracena com atores como Marília Pera (1943-2015), Perry Salles (1939-2009) e Zezé Motta (1944). No ano seguinte, atua no filme homônimo, também adaptação da obra do romancista Joaquim Manoel de Macedo (1820-1882), com direção de Glauco Mirko Laurelli (1993-2013) e Sônia Braga (1950) no elenco.

Gésio mantém-se em intensa atividade no teatro até a década de 1980. Em 1974, viaja ao Irã para o Festival de Shiraz e à Europa com a Companhia Ruth Escobar, onde apresenta a peça Los Auto Sacramentales, do dramaturgo espanhol Calderón de La Barca (1600-1681), com direção do argentino Victor García (1934-1982). Os ensaios, em seus momentos críticos, são filmados pelo diretor italiano Andrea Tonacci (1944-2016) para o documentário Jouez Encore, Payez Encore (1975).

Em 1980, atua na peça Calabar, o Elogio da Traição, do cantor e compositor Chico Buarque (1944) e do diretor Ruy Guerra (1931). Nas palavras do crítico Jefferson Del Rios (1943), o trabalho do ator é “engraçadíssimo, valorizando os pequenos detalhes de sua presença”3. No ano seguinte, recebe a alcunha de “o grande coadjuvante“ pelo crítico Sábato Magaldi (1927-2016), por sua atuação na sátira político-social Os Órfãos de Jânio, dirigida por Antônio Abujamra (1932-2015). O crítico destaca os gestos medidos, “a malícia e a voz poderosa”.4

Na década de 1980, ausenta-se dos palcos e concentra-se na teledramaturgia. No papel de Fulgêncio, um homem escravizado na primeira versão de Sinhá Moça (1986), contracena em momentos comoventes com Grande Otelo (1915-1993) e Ruth de Souza (1921-2019). Este é o primeiro de uma série de papéis em novelas do autor Benedito Ruy Barbosa (1931).

Nos anos seguintes, entre numerosos trabalhos em telenovelas e seriados, erige seu rol de personagens carismáticos, entre os quais o cozinheiro Chefe Chico da novela infantil Chiquititas (1997), do SBT, cujas gravações o levam a viver durante um ano e meio na Argentina. Segundo ele, foi sua risada no teste que lhe garantiu o papel. Seguem-se outras figuras memoráveis, como o cocheiro Damião, de Terra Nostra (1999); o tio Barnabé, do Sítio do Pica-Pau Amarelo (2007), e o dono de bar Chico Criatura, de Velho Chico (2016).

Retorna ao teatro em 2011, no elenco de O Grande Grito, escrito por Gabriela Rabello (1943), sua esposa. Em 2012, atua em montagens de A Falecida e Boca de Ouro, de autoria de Nelson Rodrigues (1912-1980), sob a direção de Marco Antônio Braz (1966).

Em um intenso percurso nos palcos desde o fim dos anos 1960 até a década de 1990 e com presença cativa nas telas de televisão, Gésio Amadeu confere humor, delicadeza e grandeza ao seu panteão de coadjuvantes. 

 

Notas:

1. BRASIL, Ubiratan. Livro reúne críticas de Jefferson del Rios. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 10 mar. 2020. Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/noticias/teatro-e-danca,livro-reune-criticas-de-jefferson-del-rios,70003226207. 

2. VEREZA, Carlos. Gésio Amadeu. Programa Contraplano. Cinemateca Brasileira/TV Escola, maio 2020.

3. DEL RIOS, Jefferson. Teatro, literatura, pessoas. São Paulo: Edições Sesc, 2020.

4. MAGALDI, Sábato. Amor ao teatro. São Paulo: Edições Sesc, 2016.

Espetáculos 8

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