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Umberto da Silva

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.01.2020
1951
Umberto da Silva (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1951 – São Paulo, São Paulo, 2008). Bailarino, professor de dança clássica e coreógrafo. Inicia seus estudos na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atual  Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. Integra, em 1968, o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 19...

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Umberto da Silva (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,1951 – São Paulo, São Paulo, 2008). Bailarino, professor de dança clássica e coreógrafo. Inicia seus estudos na Escola de Danças Clássicas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atual  Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. Integra, em 1968, o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1970, transfere-se para Curitiba e passa a atuar como bailarino do Balé Teatro Guaíra. Em 1972, em São Paulo, vai para o Ballet Stagium. Dois anos depois, entra para o então Corpo de Baile Municipal de São Paulo, atual Balé da Cidade de São Paulo, onde permanece até 1981. Na companhia, inicia sua trajetória como criador com Missa do Vaqueiro (1979), apresentada na 3a Mostra de Novos Coreógrafos. 

Em 1981, coreografa Cinderela Não é Mais Aquela, espetáculo do Grupo Andança, dirigido por José Possi Neto (1947), e Encosta Právêsidá, para Cisne Negro Companhia de Dança e Grupo Experimental de Dança (GED), dirigido por Penha de Souza (1935). Seguem-se Poemas de um Dia (1987), Palavras ao Vento e Talvez Nasça Qualquer Dia, ambas produções de 1988, e Como se Fosse (1990).

O Homem que Não Botava Ovo (1988) é seu primeiro solo. Com ele, recebe prêmio da Associação Paulista de Crítico de Artes (Apca). As produções não param: Três por Quatro (1988); Tambores, Suor e Lágrimas (1992), com direção Acácio Vallim Jr. (1948); Vinganças (1993), para o evento  Movimentos Sesc de Dança (Sesc Vila Nova) e realiza Cachorro sem Dono (1989) em parceria com Paula Nestorov. Com a coreógrafa Ana Maria Mondini (1953), sua mulher, cria e atua em quatro sucessivos duos: em 1992, Tristão e IsoldaO Caminho do Peixe e Stress sob as Estrelas; em 1993, Súbito Prazer e Mestre-Sala e Porta-Bandeira.  

Torna-se assistente de direção da Escola Municipal de Bailados de São Paulo. No ano seguinte, torna-se professor de Mímica da Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo. No fim de 1995, vai morar em Lisboa (Portugal) e atua como professor e assistente do Ballet Gulbenkian por curto período. Em 1996, entra na companhia de dança do Deutsches Nationaltheater, em Weimar (Alemanha), onde permanece até 2000. Retorna ao Brasil em 2002. 

Em 2003, realiza com a dançarina Zélia Monteiro (1960) a peça A Figura e o Fundo para a mostra Solos Duos e Trios do Centro Cultural São Paulo. Três anos depois, torna-se professor de dança-teatro do curso de Comunicação das Artes do Corpo da Pontifícia Unievrsidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Em 2007, assume o cargo de assessor de dança da Secretaria Municipal de Cultura. Em 2008 cria Cara Pálida. 

 

Análise

A habilidade de vincula-se a diferentes orientações artísticas não impede Umberto da Silva de, em cena, implementar uma economia gestual no próprio corpo. Ao mesmo tempo, ele se preocupa com a presença de objetos e materiais diversos – fruto da tentativa de desenvolver a atividade paralela de cenógrafo e figurinista.

A crítica Helena Katz (1950) ressalta: “A sua carreira é marcada por essa abrangência de tendências, sendo o indício claro desse traço de personalidade que o distinguia” 1. Quando realiza Missa do Vaqueiro e Encosta Právêsidá, procura soluções que escapem do mero treinamento da técnica de dança clássica. Essa inquietação é a chave para sua destacada atuação como intérprete em montagens do então Corpo de Baile Municipal de São Paulo, atual Balé da Cidade de São Paulo – em particular, Aquarela do Brasil, de Antonio Carlos Cardoso (1939), e Presenças, de Luís Arrieta (1951), ambos os espetáculos de 1979.

O desligamento da companhia paulista permite-lhe, durante os anos de 1980, intensificar a atuação pedagógica no Balé do Teatro Castro Alves, em Salvador. Além disso, ministra cursos e mantém estreita colaboração com diversas escolas paulistas, da capital e do interior, como o Stúdio 415, em Piracicaba. Em depoimento, declara: 

Com o Val Folly, eu descobri o meu autor-intérprete, e com o professor cubano Jorge Garcia, através das aulas dele, eu entendi a mecânica, como tornar esta coisa tão rígida numa coisa prazerosa, não mais aquele ensinamento da impossibilidade de fazer. Ele dava espaço, durante os exercícios, para o exercício acontecer, não para não acontecer, não para ficar difícil 2.

As novas parcerias, como a que ele estabelece com Val Folly, são essenciais para atualizar as ideias de dança que o inquietam. O resultado está no solo O Homem que Não Botava Ovo, no qual apresenta uma nova orientação artística. Helena Katz declara: 

Sua premissa básica enuncia que o mundo das coisas, na verdade, não existe. O que se apresenta para nós são apenas metáforas. Por isso, o material que (a)parece como verdadeiro são as imagens. Elas ocupam os lugares de tantas coisas, que ninguém sabe bem onde se encontram, se é que se encontram. [...] Uma vez lá dentro, o que se encontra são imagens portadoras de ação, pois nelas, em estado virtual, dorme o movimento. [...] a inerência imagem-movimento então, se atualiza. E irrompe a materialidade deste O Homem que Não Botava Ovo 3

Em Cachorro sem Dono, segundo trabalho com direção de Val Folly, ele intensifica a economia gestual em “arena” com a dançarina carioca Paula Nestorov. O embate entre “duas pessoas” realiza-se ao “vasculhar o arquivo da memória”. O trabalho nasce da parceria desenvolvida em um workshop ministrado pela alemã Heide Tegeder, em Salvador, naquele ano.

Com a mulher, Ana Maria Mondini, inaugura uma fase produtiva que rende os quatro espetáculos em coautoria: Tristão e Isolda – O Caminho do Peixe, Stress sob as Estrelas, Súbito Prazer e Mestre-Sala e Porta-Bandeira. O professor e pesquisador Marcos Bragato (1956) assinala que os trabalhos sintetizam o dilema enfrentado pela dança: “como corporificar histórias, relatos, temas, significados e sentimentos” e “buscar a especificidade de cada corpo para encontrar nele a organização gestual adequada que possam solucionar os dilemas?” 4. Sobressai a questão da impossibilidade do contato entre dois seres (Stress sob as Estrelas e Súbito Prazer) e as vantagens e desvantagens do contato entre um casal (Tristão e Isolda – O Caminho do Peixe e Mestre-Sala e Porta-Bandeira). Uma década depois, Umberto cria e interpreta com Zélia Monteiro A Figura e o Fundo, demonstrando o frescor da dança compartilhada por dois grandes intérpretes e criadores em cena.

Notas

1. MOTTA, Isabella. Umberto da Silva: um pioneiro na dança. 1 abr. 2012. Disponível em: http://www.idanca.net. Acesso em: 8 mai. 2012. 

2. NAVAS, Cássia. “Modos de fazer" na dança do Brasil: quatro traçados. Repertório – Teatro & Dança, ano 13, n. 14, p. 142, 2010.

3. KATZ, Helena. Umberto da Silva, encontro luminoso com novos gestos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 nov. 1988.

4. BRAGATO, Marcos. A assimetria nos processos de comunicação: natureza, cultura e dança. 2002. Tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2002, p. 109.

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Fontes de pesquisa 9

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  • BRAGATO, Marcos. A assimetria nos processos de comunicação: natureza, cultura e dança. 2002. Tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2002.
  • KATZ, Helena. A exata tradução da poética do corpo. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 abr. 2003.
  • KATZ, Helena. Corpo de Baile faz cinco anos outra vez. Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 out. 1979.
  • KATZ, Helena. Entrevista. Dançar, São Paulo, ano VII, n. 30, 1990.
  • KATZ, Helena. GED dá um salto na direção do futuro. Folha de S.Paulo, São Paulo, 29 ago 1981.
  • KATZ, Helena. Iniciativa revela novos coreógrafos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 7 nov. 1996.
  • KATZ, Helena. O novo passo de Umberto da Silva. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 12 nov. 1988.
  • KATZ, Helena. Só 10 cruzeiros para ver o Corpo de Baile. Folha de S.Paulo, São Paulo, 19 jul. 1980.
  • KATZ, Helena. Umberto da Silva, encontro luminoso com novos gestos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 nov. 1988.

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