Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Jaime Lauriano

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.09.2022
24.05.1985 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica arquivo do artista/Itaú Cultural

Novus Brasilia Typus: Invasão, etnocídio, democracia racial e apropriação cultural, 2016
Jaime Lauriano
Desenho feito com pemba branca e lápis dermatográfico sobre algodão preto
116,00 cm x 151,00 cm

Jaime Lauriano (São Paulo, São Paulo, 1985). Artista plástico. Suas peças audiovisuais, seus objetos e seus textos críticos evidenciam os processos de subjetivação da sociedade por meio das violentas relações de poder entre instituições e sujeitos. A produção do artista busca realizar uma revisão e reelaboração coletiva histórica.

Texto

Abrir módulo

Jaime Lauriano (São Paulo, São Paulo, 1985). Artista plástico. Suas peças audiovisuais, seus objetos e seus textos críticos evidenciam os processos de subjetivação da sociedade por meio das violentas relações de poder entre instituições e sujeitos. A produção do artista busca realizar uma revisão e reelaboração coletiva histórica.

Entre 2006 e 2011, cursa bacharelado em Artes Visuais no Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo. Durante a graduação, desenvolve pesquisas sobre as relações entre memória e audiovisual, além de complementar a formação com o curso de direção cinematográfica oferecido pela Stein Produções e a oficina Imagotopia: Cartografia Imagética Urbana, realizada pela Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo.

Em 2007, participa do programa de residência "Atelier Amarelo", da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Em 2010, organiza a primeira exposição individual, Olhares, escutas e outras histórias, no Sesc Ribeirão Preto, no interior paulista. A proposta é criar um gabinete com o acervo pessoal do artista que conta com biblioteca e midiateca, espaços de leitura e debates. A partir de Em exposição (2013), mostra coletiva apresentada no Sesc Consolação, em São Paulo, o artista exibe suas pesquisas sobre a concentração demográfica da cidade de São Paulo e questiona a exagerada exposição das moradias em bairros pouco habitados.  

O artista continua sua formação ao participar do Programa Independente da Escola São Paulo (Piesp), dirigido pelo curador Adriano Pedrosa (1965), cuja proposta é desenvolver linguagens e projetos para jovens artistas. O curso resulta na Exposição Piesp 2013-14, realizada na Casa do Povo, em São Paulo.

No ano seguinte, realiza duas exposições individuais na Galeria Leme (São Paulo) e no Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro). Na primeira, Autorretrato em branco sobre preto, a narração é utilizada para reelaborar a história atual a partir do sujeito-artista. O autorretrato é o testemunho de um sujeito histórico, localizado e contextualizado. Na exposição Nesta terra, em se plantando, tudo dá, retoma a questão colonial e seus processos violentos de exploração, escravização e catequização, bem como os resquícios desse período na contemporaneidade. A proposta da exposição é pensar criticamente o que foi plantado na história e o que se dá e se colhe no presente atravessado por desigualdades. O título, que alude à carta de Pero Vaz de Caminha, é também o nome de uma das obras: um pequeno espécime de pau-brasil instalado em um viveiro, como peça de museu, sugerindo que o crescimento da planta pode destruir as estruturas que a aprisionam. A obra atualmente integra o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

A pesquisa do artista ganha mais visibilidade com a exposição Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 Anos (2017), com curadoria-geral de Paulo Herkenhoff (1949), que ocupa todo o edifício da Oca, no Parque Ibirapuera. O curador dedica o segundo piso ao núcleo "Uma invenção simbólica do Brasil: África e barroco", com uma seção inteira com a obras de Jaime Lauriano. Entre os trabalhos escolhidos está Novus Brasilia Typus: invasão, etnocídio, democracia racial e apropriação cultural (2016), pintura em forma de bandeira que denuncia a falácia da “democracia racial”, defendida durante décadas no Brasil para encobrir a política neocolonialista de opressão e apagamento das histórias afrobrasileiras.

Em 2017, é convidado para promover a segunda exposição individual na Galeria Leme. A exposição Assentamento apresenta oito trabalhos que prosseguem com as pesquisas sobre o colonialismo no Brasil e os tensionamentos entre violência e resistência. O título faz referência aos assentamentos dos trabalhadores sem-terra do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e, ao mesmo tempo, alude ao candomblé, no qual "assentar" significa "plantar o axé" na comunidade.

No ano seguinte, realiza a individual Brinquedos de furar moletom, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, Rio de Janeiro, em que utiliza o ferro de balas armamentícias utilizadas pela Polícia Militar para desenvolver pequenas esculturas. Com elas, criar uma genealogia de transportes, desde navios até tanques de guerra, utilizados pelo braço armado do Estado. O título da exposição faz referência a um verso da canção "Vida Loka PT1", do grupo de rap Racionais MC's.

No mesmo ano, apresenta nova mostra individual, dessa vez na Fundação Joaquim Nabuco, em  Recife, Pernambuco. Em Marcas, o artista convida o público a pensar como os museus lidam com o presente e quais estruturas são responsáveis para a reprodução da história. A mostra é resultado de cinco meses de pesquisas realizadas nos acervos do Museu do Homem do Nordeste e da Coordenação-Geral de Estudos de História Brasileira, ambos na capital pernambucana. Na exposição, o artista une imagens e registros históricos e contemporâneos, na tentativa de articular passado e presente.

Em 2021, lança o projeto Enciclopédia negra, pesquisa e edição realizada em parceria com os historiadores Flávio Gomes (1964) e Lilia Schwarcz (1957), resultando no livro homônimo com 550 biografias de personalidades históricas negras do Brasil. O projeto também se estende na exposição que apresenta obras de 36 artistas negros, realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_).

As pesquisas de Jaime Lauriano produzem obras que tensionam e questionam as diversas histórias alicerçadas pelo colonialismo. Ao mesmo tempo, o artista se utiliza das linguagens das artes para criar um diálogo sobre as possíveis mudanças no presente.

 

Obras 2

Abrir módulo

Exposições 39

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 7

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: