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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Vivian Caccuri

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.04.2021
14.06.1986 Brasil / São Paulo / São Paulo
Vivian Martins Caccuri de Araújo (São Paulo, São Paulo, 1986). Artista visual. Seu principal veículo de trabalho é o som, que utiliza para propor experimentos de percepção e relacioná-los a questões históricas e sociais. Com objetos, instalações e performances, a artista busca quebrar narrativas preestabelecidas ao criar situações que deslocam o...

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Vivian Martins Caccuri de Araújo (São Paulo, São Paulo, 1986). Artista visual. Seu principal veículo de trabalho é o som, que utiliza para propor experimentos de percepção e relacioná-los a questões históricas e sociais. Com objetos, instalações e performances, a artista busca quebrar narrativas preestabelecidas ao criar situações que deslocam o espectador de suas experiências cotidianas. 

Desde criança tem contato próximo com a música por meio da avó pianista e do avô percussionista. Em 2007, conclui bacharelado em artes visuais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Entre 2009 e 2011, cursa mestrado em estudos do som musical pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pesquisa realizada na Universidade de Princeton, em Nova Jersey, Estados Unidos. Escreve o livro O que Faço É Música (2013), vencedor do Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música 2013. A obra traz uma investigação acerca das experimentações fonográficas nos anos 1970, 1980 e 1990 de artistas como Cildo Meireles (1948), Chelpa Ferro (1995) e Waltercio Caldas (1946)

Em 2012 desenvolve o projeto Caminhadas Silenciosas, em que convida 20 pessoas para uma deriva urbana com duração de 8 horas. O percurso transcorre lugares com características acústicas diversas e é feito sob o voto do silêncio. A primeira caminhada acontece no Rio de Janeiro, cidade onde vive Caccuri, e posteriormente passa por São Paulo, Niterói, Valparaíso, Helsinque, na Finlândia, Riga, na Letônia, e Manaus. A artista acredita que a experiência em estado silencioso, além de proporcionar uma vivência única com o espaço urbano, é capaz de ampliar a função da memória e a geração de novas ideias. 

O resultado do processo das Caminhadas Silenciosas é apresentado na primeira exposição individual da artista em São Paulo, na galeria Leme, em 2015. A mostra, intitulada Condomínio, traz também a série Pagode, criada a partir da caminhada silenciosa nº16, em 2014. São objetos construídos com escombros do Elevado da Perimetral, do bairro da Gamboa, no Rio de Janeiro, combinados com um instrumento típico de grupos de pagode, o "carrilhão". No mesmo ano, a série é ampliada e ganha uma montagem no Sesc Carmo, em São Paulo.

Em 2016, participa da 32ª Bienal de São Paulo, curada pelo alemão Jochen Volz (1971), para a qual desenvolve o projeto TabomBass. Feito em colaboração com músicos de Acra, Gana, trata-se de uma instalação que se apresenta na forma de um sistema de som composto de alto-falantes empilhados, referenciando as festas de rua. Diante das caixas que emitem somente sons graves de composições de artistas ganenses, há três velas acesas que se movem com a vibração do som, e os vazios deixados pela subtração dos agudos são mais tarde preenchidos ao vivo por músicos brasileiros. Num exercício de reconfiguração de narrativas e percepções naturalizadas, o trabalho surge dos trajetos percorridos pela artista na cidade africana com o intuito de refazer a rota dos escravizados expulsos do Brasil em 1832, depois da Revolta dos Malês1

Como resultado da indicação ao Future Generation Art Prize 2017, expõe no Palácio Contarini Polignac, em Veneza, Itália, numa mostra coletiva paralela à 57ª Bienal de Veneza (2017). Em um dos cômodos do palacete se encontra o trabalho Oratório, uma espécie de altar composto de caixas de som, em que, assim como em TabomBass, velas acesas são movidas por ritmos graves que compõem uma trilha sonora baseada numa partitura do século IV atribuída a Santo Ambrósio de Milão, o hino Aeterne Rerum Conditor2. Nele, Caccuri amplia conexões e significados acerca da sonoridade presente em determinados ritos e cultos. 

Além do caráter instalativo de sua obra, Vivian Caccuri também utiliza a performance como meio de criação. Em 2018 apresenta na Frieze Live, em Londres, a palestra performática Mosquitos Também Choram, desenvolvida durante o período que passa em residência na Delfina Foundation, em Londres. O trabalho multimídia traz um cruzamento de pesquisas sonoras, antropológicas e históricas. Com base no impertinente zumbido emitido pelos mosquitos, Caccuri traça algumas teorias, sem nenhum propósito científico, sobre a história das doenças tropicais e a narrativa colonial acerca da higiene como forma de controle populacional. 

Em 2016, lança o projeto musical Homa, que, segundo a própria artista, trata-se de seu alter ego musical. Feminino de "homo", é a persona a qual Caccuri incorpora quando se apresenta como DJ ou produz faixas sonoras e trilhas de outros artistas. Os trabalhos sonoros de Vivian Caccuri são transmitidos em estações de rádio como Resonance FM, de Londres, Kunstradio, de Viena, e Rádio Mirabilis, do Rio de Janeiro.

Vivian Caccuri nos ensina a olhar para um lugar e imaginar como ele pode soar. Deslocando a percepção do espectador por meio do som, que se torna material e palpável, a artista propõe a ressignificação de narrativas, lugares e símbolos pela exacerbação dos sentidos. Com uma trajetória ainda em construção, Vivian Caccuri coloca a experimentação sonora no centro de sua produção artística e investiga as dimensões corporais, afetivas e sociopolíticas do meio.

 

Nota

1. A Revolta dos Malês foi um levante de escravos de origem muçulmana que aconteceu em Salvador, Bahia, em janeiro de 1835.
2. Aeterne Rerum Conditor é uma das primeiras notações escritas para coral na história da música ocidental executada por monges católicos romanos.

Exposições 18

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