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Teatro

Jorge Amado

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.04.2020
10.08.1912 Brasil / Bahia / Itabuna
06.08.2001 Brasil / Bahia / Salvador
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Jorge Amado, 1972

Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna BA 1912 - Salvador BA 2001). Escritor. Na infância, vive com a família em Ilhéus, cidade que retrata em alguns de seus romances. Em 1930, muda-se para o Rio de Janeiro, para estudar na Faculdade de Direito, e ali trabalha como jornalista e escreve o seu primeiro romance, O País do Carnaval (1931), publicado qua...

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Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna BA 1912 - Salvador BA 2001). Escritor. Na infância, vive com a família em Ilhéus, cidade que retrata em alguns de seus romances. Em 1930, muda-se para o Rio de Janeiro, para estudar na Faculdade de Direito, e ali trabalha como jornalista e escreve o seu primeiro romance, O País do Carnaval (1931), publicado quando tem 19 anos. Em Cacau (1933), mostra a realidade social da população do interior baiano que trabalha no cultivo do cacau. O romance é censurado e tem exemplares apreendidos. Nos anos seguintes, Amado publica romances de temática urbana: Suor (1934), Jubiabá (1935), Mar Morto (1936) e Capitães de Areia (1937), que adotam um modelo narrativo e ideológico próximo ao do realismo socialista. Entre 1936 e 1937, o autor sofre duas prisões por motivos políticos e novamente tem os seus livros apreendidos. Em 1941, exila-se na Argentina, para escapar à perseguição do Estado Novo, e começa a redigir a biografia do líder comunista Luís Carlos Prestes, O Cavaleiro da Esperança (1942). Em 1945, é eleito deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) e participa da Assembleia Constituinte, mas o seu mandato é cassado, três anos depois, quando o PCB é colocado na ilegalidade. Entre 1948 e 1956 viaja por diversos países, como França, Tchecoslováquia (atual República Tcheca) e União Soviética (atual Rússia), experiência que relata no livro O Mundo da Paz (1951). Retorna ao Brasil em 1956, e publica, em 1958, o seu romance mais popular, Gabriela, Cravo e Canela. É eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1961. Volta a residir na Bahia em 1963. Jorge Amado recebe numerosos prêmios literários, entre eles destaca-se o Prêmio Camões (1995), pelo conjunto da obra. Em sua última viagem a Paris, em 1998, recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade de Sorbonne.

Análise

Jorge Amado é um escritor da segunda geração modernista, que tem entre os seus representantes, na prosa de ficção, autores de temática regionalista como Graciliano Ramos (1892 - 1953), José Lins do Rego (1901 - 1957) e Rachel de Queiroz (1910 - 2003), que estreiam em livro na década de 1930. Esses autores narram a realidade social do Nordeste brasileiro, e em especial o cotidiano das pequenas cidades sertanejas, assoladas pela seca, pela miséria e pela violência dos grandes proprietários de terras. Jorge Amado, já em seus primeiros romances, insere-se nessa tendência regionalista e define os elementos básicos de sua prosa narrativa, como o realismo social, os conflitos políticos, o folclore, as crenças e os costumes populares.

A economia cacaueira de Ilhéus, Bahia, cidade onde o escritor passa a infância, é o pano de fundo de diversos romances de sua primeira fase, como Cacau (1933), que retrata a exploração dos trabalhadores rurais; Terras do Sem Fim (1942), que aborda a disputa entre dois grandes fazendeiros, o coronel Horácio da Silveira e Sinhô Badaró; e São Jorge dos Ilhéus (1944), que narra a falência dos coronéis pela queda vertiginosa do preço do cacau. Dois outros romances que pertencem a essa fase são Jubiabá (1935), saga de um lutador de boxe que se transforma em líder grevista, e Capitães de Areia, que conta a história de um grupo de garotos que vivem de malandragem e pequenos furtos.

O ciclo de romances que Jorge Amado escreve nesse período tem forte influência do realismo socialista, modelo estético e ideológico desenvolvido na União Soviética na década de 1930. Essa tendência literária, baseada nas formas de narração tradicionais do século XIX, quer denunciar as injustiças sociais, e em especial a exploração da classe operária pela burguesia, ao mesmo tempo que aponta a necessidade de uma solução revolucionária, que emanciparia as camadas oprimidas da sociedade.

O caráter manipulador e reducionista dessa proposta é evidente. Antonio Candido (1918), em Literatura e Sociedade, já adverte que "nesse tipo de romance, o mais característico do período e frequentemente de tendência radical, é marcante a preponderância do problema sobre o personagem. É a sua força e a sua fraqueza. Raramente [...] a humanidade singular dos protagonistas domina os fatores do enredo: meio social, paisagem, problema político". Em outro comentário sobre o autor baiano, Candido afirma que "nesses romances há um intuito ideológico ostensivo demais, que, por não ser incorporado como elemento necessário à composição, parece com frequência superposição indigerida".

Apesar dessa limitação, Jorge Amado consegue alguns bons resultados estéticos, como em Capitães de Areia, que conquista a admiração de Glauber Rocha e Paulo Francis. Terras do Sem Fim, por sua vez, recebe elogios do mesmo Antonio Candido, que coloca o livro, ao lado de Fogo Morto, de José Lins do Rego, e de Sentimento do Mundo e Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), entre os mais bem realizados de nossa literatura na década de 1940. Alfredo Bosi (1936), em sua História Concisa da Literatura Brasileira, cita Terras do Sem Fim e São Jorge dos Ilhéus como "afrescos da região do cacau, certamente suas invenções mais felizes".

Com Gabriela, Cravo e Canela (1958), o autor inicia uma nova fase romanesca, em que, segundo Álvaro Cardoso Gomes, "Jorge Amado abandona a ficção engajada e adentra cidades baianas, carregadas de lirismo, que mostram casos pitorescos e característicos. Verifica-se também substancial mudança na linguagem, que descobre suas raízes populares, recebendo influências da literatura de cordel e tornando-se mais viva e sensual". A crônica social da vida baiana narrada por Jorge Amado nessa fase inclui títulos como Dona Flor e seus Dois Maridos (1967), Teresa Batista Cansada de Guerra (1973) e Tieta do Agreste (1977), livros que são bem recebidos pelos leitores e adaptados para o teatro, cinema e televisão, embora sejam pouco apreciados pela crítica literária, que aponta nessas fábulas populares a superficialidade.

Alfredo Bosi afirma que, na nova fase Jorge Amado oferece, ao leitor "glutão", "pieguice e volúpia em vez de paixão, estereótipos em vez de trato orgânico dos conflitos sociais, pitoresco em vez de captação estética do meio, tipos 'folclóricos' em vez de pessoas, descuido formal a pretexto de oralidade". Antonio Candido, apesar de reconhecer problemas flagrantes na literatura de Jorge Amado, tem opinião menos severa que a de Bosi, apontando "uma identificação afetiva com o povo, [...] numa prosa generosa, comunicativa, que faz de Jorge Amado o romancista mais popular do Brasil". Entre as narrativas mais originais da segunda fase do autor podemos citar Quincas Berro d'Água (1961), em que o autor se afasta dos padrões lógicos do realismo e incorpora o elemento fantástico-sobrenatural para contar a saga de um funcionário público oprimido pela família que se envolve com bebida, prostituição, vadiagem e alcança o feito de morrer duas vezes.

Obras 5

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Reprodução Fotográfica Horst Merkel
Reprodução Fotográfica Horst Merkel

Exposições 3

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Eventos relacionados 12

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Fontes de pesquisa 4

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  • COMPANHIA BAIANA DE PATIFARIA. Site oficial do grupo. Disponivel em .Acessado em 12 de setembro de 2012. Não catalogado
  • Catálogo de 15 anos de Ponto de Partida - 1995. Não catalogado
  • Jorge Amado, Angelina Muniz, Dona Flor e Seus Dois Maridos juntos no Brigadeiro. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. R791.430981 E56

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