Artigo da seção pessoas Chico Homem de Melo

Chico Homem de Melo

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deChico Homem de Melo: 1955 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Francisco Inácio Scaramelli Homem de Melo (São Paulo, 1955). Designer, professor e pesquisador. Em 1979, gradua-se pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo (FAU/USP). É colega de geração de designers como André Poppovic, Giovanni Vannucchi e Ronald Kapaz, sócios formadores da OZ Design; de Hélio Carvalho (1958) e César Hirata, diretores da FutureBrand; e de Kiko Farkas (1957) e Marcelo Aflalo. Conclui o mestrado em 1986, sob a orientação de Décio Pignatari (1927-2012). Nesse mesmo ano, ingressa como professor na Escola de Engenharia de São Carlos, USP.

Associa-se a Eliana Troia e inicia atividade no escritório Homem de Melo & Troia Design, em 1989. Nas décadas seguintes, atua nas áreas do design editorial e ambiental, em projetos relacionados à educação e cultura. No design editorial, dedica-se durante as décadas de 1990 e 2000 a projetos de livros didáticos junto às editoras Ática e Scipione. Em 1990, ministra a disciplina de programação visual na FAU/USP. Obtém o título de doutor em 1994, na mesma instituição, com a tese Cidade, Fotografia, Tipografia

Recebe, em 1996, o Prêmio Jabuti de Melhor Capa com o livro Clarice: uma Vida que se Conta, da autora Nádia Battella Gotlib. Entre 1999 e 2002, publica artigos nas revistas ADG – Associação dos Designers Gráficos e Arc Design. Nas comemorações para os 500 anos do descobrimento do Brasil, em 2000, realiza o projeto de comunicação visual da exposição Brasil +500, inaugurando projetos de exposições e catálogos. Publica Desafios do Designer, e, em 2005, Signofobia, coletâneas de textos, editados anteriormente.

Em 2007, publica O Design Como Ele É, portfólio de projetos realizados entre 2004 e 2006. Faz curadoria do módulo “Design Visual”, da 1ª Bienal Brasileira de Design. Em 2007, recebe o Prêmio Jabuti na categoria de melhor livro do ano na área de Arte, Arquitetura, Fotografia & Comunicações, com o livro O Design Gráfico Brasileiro: Anos 1960. Nesse ano, produz o catálogo da 1° Bienal Brasileira de Design. Também cria, em 2009, o cartaz da 2° Bienal. Inicia nesse período publicações regulares na revista Abc Design. Desde 1991, participa do júri das bienais de design da Associação dos Designers Gráficos (ADG), coordenando uma delas. É professor no departamento de projeto na FAU/USP.

Análise

Chico Homem de Melo amplia a atuação profissional que guia a maioria dos designers no Brasil, dedicando-se à docência e à reflexão prática e histórica do design. Obtém reconhecimento em todas essas vertentes. 

Formado na geração de 1970 da FAU/USP, evidencia em sua produção de design a herança modernista. Adere aos princípios racionalistas do “menos é mais”, do grid e da clareza das formas, derivados da Escola Superior da Forma de Ulm, presentes na FAU desde sua fundação. Como outros de sua geração, desenvolve um traço no qual essas premissas são seguidas de modo menos doutrinário. Revela um caráter subjetivo e informal em projetos que se permitem fugir, quando necessário, da rígida grade de construção. 

Segue o exemplo da primeira geração de designers no Brasil, que entende que o design deve ser uma ferramenta de desenvolvimento social. Em 1989, forma, com Eliana Troia, o Homem de Melo & Troia, escritório “dedicado a projetos relacionados à educação e à cultura”1, que direciona seu escopo à obras com amplo alcance social.

Exemplo desse trabalho é a produção gráfica dos livros de ensino fundamental que compõem o Projeto Radix, da editora Scipione. O projeto une as dificuldades da manutenção de um sistema gráfico inteligível cujas recorrências gráficas (boxes, seções, títulos, imagens) respondem às variações exigidas por uma coleção como essa. Trata-se de oito livros para cada série (história, geografia, matemática, literatura, português, espanhol, inglês e arte), do 5° ao 8° ano, totalizando 32 volumes. O escritório de Homem de Melo cria um conjunto de ícones para a capa que revela uma fundamentação modernista: baseia-se na tipografia informal do estêncil (participante do universo jovem), criando imagens que representam as disciplinas de cada volume, reduzidas a elementos essenciais que formam um claro sistema gráfico. O miolo dos volumes, também de acordo com o seu público, baseia-se num projeto flexível e informal, no qual o grid de construção, ainda presente, esconde-se por trás dos elementos gráficos. 

Outra via importante na carreira de Homem de Melo refere-se ao desenvolvimento de pesquisas sobre a história do design. Nesse segmento, ganha maior destaque a publicação de O Design Gráfico Brasileiro: Anos 1960, seu livro mais conhecido. Por meio de perspectiva histórica pautada na leitura de objetos visuais produzidos naquele período (cartazes, discos, marcas, revistas e livros), Homem de Melo mapeia o panorama da produção gráfica nacional. Essa leitura tem como pano de fundo o desenvolvimento do jornalismo, da publicidade e a criação de instituições de design, pautadas nos exemplos europeus, e no intercâmbio com a cultura americana após o período desenvolvimentista.

Nota

1 MELO, Chico Homem de. Os desafios do designer & outros textos sobre design gráfico. São Paulo: Edições Rosari, 2003.

Outras informações de Chico Homem de Melo:

  • Outros nomes
    • Francisco Inácio Scaramelli Homem de Melo
  • Habilidades
    • designer gráfico
    • Professor universitário
    • Pesquisador
  • Relações de Chico Homem de Melo com outros artigos da enciclopédia:

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (3)

  • MELO, Chico Homem de. O Design gráfico brasileiro: anos 1960. São Paulo: Cosac & Naify, 2006.
  • MELO, Chico Homem de. Os desafios do designer & outros textos sobre design gráfico. São Paulo: Edições Rosari, 2003.
  • MELO, Chico Homem de. Signofobia. São Paulo: Rosari, 2006. (Coleção Textosdesign).

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CHICO Homem de Melo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa414989/chico-homem-de-melo>. Acesso em: 12 de Mai. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7