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Reginaldo Faria

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.02.2021
1937 Brasil / Rio de Janeiro / Nova Friburgo
Reginaldo Figueira de Faria (Nova Friburgo, Rio de Janeiro, 1937). Ator e diretor. Na infância, dedica-se a estudos de violão clássico, paixão que o segue por toda a vida. Em 1956, muda-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafo no Banco Comércio e Indústria de Minas. 

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Reginaldo Figueira de Faria (Nova Friburgo, Rio de Janeiro, 1937). Ator e diretor. Na infância, dedica-se a estudos de violão clássico, paixão que o segue por toda a vida. Em 1956, muda-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafo no Banco Comércio e Indústria de Minas. 

Ingressa no cinema incentivado pelo irmão, Roberto Farias (1932). Em 1957, faz assistência de direção e produção do filme Rico Ri à Toa e, no ano seguinte, é convidado a protagonizar No Mundo da Lua (1958), ambos dirigidos pelo irmão. A convite de Watson Macedo (1919-1981), grande nome da chanchada carioca, participa da comédia Aguenta o Rojão (1958). Atua em Porto das Caixas (1962), de Paulo Cesar Saraceni (1933-2012), e em mais cinco filmes de Roberto Farias. São eles: Cidade Ameaçada (1959), Assalto ao Trem Pagador (1962)Selva Trágica (1964), Toda Donzela Tem um Pai que É uma Fera (1966) e Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968). A comédia Os Paqueras (1969) marca sua estreia na direção cinematográfica, levando aos cinemas mais de um milhão de espectadores. O repertório é repetido, sem grande êxito, em Pra quem Fica Tchau! (1970).

Em meados da década de 1970, investe no gênero dramático, protagonizando e dirigindo filmes que são sucessos de bilheteria e de crítica. Pela atuação em Lúcio Flávio o Passageiro da Agonia (1976), de Hector Babenco (1946-2016), é premiado como melhor ator em festivais no Brasil e no exterior. Escreve e dirige Barra Pesada (1977), uma adaptação da obra de Plínio Marcos (1935-1999) e, em 1982, protagoniza Pra Frente Brasil, cujo roteiro é baseado em um incidente presenciado no Rio de Janeiro. A comédia Aguenta Coração (1982) é seu sétimo longa-metragem e trata dos relacionamentos amorosos.

Sua primeira atuação na televisão ocorre em 1972, em Tempo de Viver, novela dirigida por Jece Valadão (1930-2006), na extinta TV TUPI. Em 1978, é contratado pela Rede Globo para atuar em Dancin’ Days, tornando-se um dos atores mais populares da teledramaturgia brasileira. Entre 1990 e 2003 escreve sua primeira peça teatral, Em Família (1995), e atua em pelo menos seis montagens cênicas. Depois de quase 30 anos afastado da direção cinematográfica, retorna à cena com a comédia O Carteiro (2011).

A trajetória de Reginaldo Faria é indissociável das de seus irmãos Roberto Farias (1932) e Rivanides Faria (1933), sócios na empresa R.F. Farias. A empresa atua na produção cinematográfica brasileira, sobretudo a partir da década de 1970.

A parceria com o irmão Roberto é intensa. Em 1958, Roberto convence-o a substituir o protagonista de No Mundo da Lua, abrindo caminho para sua consagração em Cidade Ameaçada e Selva Trágica. Em ambos, Reginaldo vive os dilemas do marginal-herói em luta contra a sociedade opressora. Na sua estreia como diretor, Reginaldo Faria aposta na comédia, apesar dos estigmas que o gênero carrega desde as chanchadas produzidas pela Atlântida Cinematográfica. Estruturadas em fórmulas comerciais de sucesso, Os Paqueras (1969) e Pra quem Fica Tchau! são comédias de costumes que retratam o meio social da classe média urbana carioca.

Na fase áurea do cinema brasileiro, a Embrafilme, dirigida por Roberto Farias, aparece como a grande incentivadora da indústria cinematográfica brasileira. À época, Reginaldo Faria volta-se para filmes com maior complexidade de temas e linguagens e alcança prestígio junto ao público e à crítica especializada. Dessa fase, destaca-se a atuação em Lúcio Flávio o Passageiro da Agonia, uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro. Pra frente Brasil, é outro filme emblemático na história do cinema brasileiro, que discute a tortura praticada durante o regime militar. Em Barra Pesada, o diretor resgata o marginalismo urbano e, pela forma direta com que aborda a violência, o filme é amplamente discutido por diferentes críticos como Alfredo Sternheim (1942), José Carlos Avellar (1936-2016) e Jean-Claude Bernardet (1936), e até mesmo por realizadores experientes como Nelson Pereira dos Santos (1928).

A partir dos anos 1970, a televisão passa por um momento de consolidação em sintonia com a modernização social imposta pelos militares. Personalidades consagradas no cinema e no teatro são convidadas a realizar trabalhos, sobretudo em telenovelas. Nos seus 35 anos de TV Globo, Reginaldo Faria interpreta uma gama diversificada de tipos sociais, urbanos e rurais, em gêneros que vão da comédia ao drama. É inegável sua contribuição à história da telenovela brasileira, mercadoria mais rentável da indústria audiovisual e que, cada vez mais, demanda um diálogo com o cinema e outras artes. Isso estimula, dentro da própria indústria cultural, uma renovação da dramaturgia e das formas de produção e veiculação das representações imagéticas do país.

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Fontes de pesquisa 12

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  • ALENCAR, Miriam. Reginaldo Faria: a comédia também é uma solução. Filme Cultura, Rio de Janeiro, v. 4, n. 18, p. 40-3, jan./ fev. 1971.
  • AVELLAR, José Carlos. Barra pesada. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 03. nov.1977.
  • AZEREDO. Para quem fica...tchau! Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 jan. 1971.
  • BERNARDET, Jean-Claude. “Barra pesada”, o grito contra a podridão total. Última Hora, Rio de Janeiro, 31 ago.1978.
  • COELHO, Lauro Machado. Tiros, murros e facas, em troca de vida. Jornal da Tarde, São Paulo, 18 ago.1978.
  • EWALD Filho, Rubens. Tiroteios em estilo internacional. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 ago.1978.
  • FLÓRIDO, Eduardo Giffoni. As grandes personagens da história do cinema brasileiro: 1930 – 1959. Rio de Janeiro: Fraiha, 1999.
  • MOCARZEL, Evaldo. A eterna luta entre o homem e a mulher. O Fluminense, Rio de Janeiro, 26 jan. 1984.
  • PAZ, Maria da. No dancin' de Reginaldo Faria. Folhetim, São Paulo, 10 dez. 1978. p. 6-7.
  • PENTEADO, Lea. Reginaldo Faria: Dancin’days, um herói solitário do som e da noite. O Globo, Rio de Janeiro, 25 jul.1978.
  • PEREIRA, Miguel. Barra pesada – radiografia de um sucesso. O Globo, Rio de Janeiro, 08 dez.1977.
  • XAVIER, Ismail. Disseram que o cinema não tem repertório. Diário de S.Paulo, São Paulo, 03 jun.1969.

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