Artigo da seção pessoas Letícia Wierzchowski

Letícia Wierzchowski

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Literatura  
Data de nascimento deLetícia Wierzchowski: 04-06-1972 Local de nascimento: (Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre)

Letícia Wierzchowski Gomes (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1972). Escritora e roteirista. Sua principal produção literária compreende romances históricos inspirados em personagens e eventos reais, sobretudo da Região Sul do Brasil.  Com prosa de ritmo ágil e uma sucessão de imagens poéticas, o estilo ficcional da autora é marcado por ecos do romantismo. Entre seus livros, que englobam literatura infantil e adulta, um dos mais conhecidos é A casa das sete mulheres (2002), romance transformado em série de televisão exibida internacionalmente.

Ao sair do ensino médio, Letícia inicia uma graduação em arquitetura, que não chega a concluir. Na sequência, abre uma empresa de confecção de roupas e trabalha por um breve período no escritório de construção civil do pai. Estreia na literatura aos 26 anos, quando publica o romance O anjo e o resto de nós (1998), vencedor de um edital da prefeitura de Porto Alegre. O livro conta as estranhezas, amores e tragédias vividos por uma família do início do século XX, no interior do Rio Grande do Sul.

Depois da estreia, Letícia não passa mais de dois anos sem publicar um livro. Em 2002 lança sua obra mais conhecida, A Casa das Sete Mulheres, cuja história se passa em meados do século XIX, durante a Revolução Farroupilha (1835-1845). A influência romântica da autora é percebida sobretudo na representação das personagens femininas, que têm uma beleza idealizada e a felicidade normalmente ancorada no casamento. A realização pessoal delas é definida pelo sucesso da vida social, em especial das relações amorosas.

O livro é narrado em primeira pessoa pela personagem Manuela de Paula Ferreira e conta a trajetória das mulheres da família de Bento Gonçalves da Silva (1788-1847), o militar que liderou a tentativa de separar o Rio Grande do Sul do Brasil para constituir uma nação independente. As sete mulheres cuidam da estância e lutam pela sobrevivência durante os dez anos em que os homens da família estão envolvidos em batalhas. O romance é adaptado para a televisão pela Rede Globo em 2003 e transformado em uma série de 50 capítulos, veiculada em mais de 40 países.

Em 2004, Letícia publica o romance Um farol no Pampa, que retoma ambientes e personagens de A casa das sete mulheres e dá continuidade à saga. A narrativa é fragmentada e não linear; ela se estende de 1847 a 1903, período que abrange a Guerra do Paraguai (1864-1870) e a Proclamação da República (1889). Seu fio condutor é a história de amor entre Inácia e Matias Gutierrez, o sobrinho-neto de Bento Gonçalves. Matias herda a estância do tio, mas acaba se envolvendo na Guerra do Paraguai, reproduzindo em Inácia o lugar da mulher que espera seu amado voltar do conflito armado.

O Dragão de Wawel e outras lendas polonesas (2005) é o primeiro livro de literatura para crianças escrito por Letícia. Ele reúne e reconta lendas oriundas da tradição oral da Polônia, como a que fala da criação de Varsóvia e a que conta como o povo eslavo se dividiu em três após a separação dos irmãos Lech, Czech e Rus, que darão origem à Polônia, à Rússia e à Tchecoslováquia.

Segundo a crítica literária, as remissões à Polônia e à história da imigração polonesa no Rio Grande do Sul, frequentes nas obras de Letícia, são referências autobiográficas, uma vez que a autora é descendente de poloneses. No romance Os Getka (2010), ela apresenta a relação entre famílias polonesas fugidas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Andrzej é o narrador da história, um escritor que vasculha memórias na tentativa de reconstruir sua relação com Lylia, a mulher por quem é apaixonado desde a infância. O personagem escreve para compreender o seu passado e ao mesmo tempo para criar um sentido para suas memórias difusas.

Com o romance Neptuno (2012), a escritora vence o Prêmio Açorianos de Literatura. Narrado em primeira pessoa pelo advogado Key, o livro conta a história de M., de 19 anos, que durante um veraneio se envolve com June, uma jovem de 15 anos. A curta relação termina quando M. assassina June motivado por ciúmes e procura os conselhos jurídicos do advogado Key. Segundo a crítica especializada, o romance policial peca pelo excesso de lirismo, mas tem o mérito de fugir à fórmula desgastada da literatura de mistério, em que a descoberta da identidade do criminoso é o elemento principal.

Enquanto roteirista, Letícia escreve com Tabajara Ruas (1942) o roteiro para o filme e minissérie O tempo e o vento (2014), dirigidos por Jayme Monjardim (1956). O texto é uma adaptação cinematográfica de O Continente (1949), primeiro volume da série literária de romances históricos O tempo e o Vento (1949-1961), de Érico Veríssimo (1905-1975).

Com a publicação de Travessia: a história de amor de Anita e Giuseppe Garibaldi (2017), a autora conclui a trilogia iniciada em A casa das sete mulheres. O romance histórico, escrito com influências do romantismo, retorna ao universo gaúcho do século XIX para se inspirar em seus eventos.

Letícia define a si própria como uma "contadora de histórias", e as obras mencionadas evidenciam isso ao associar realidade e criação, conhecimento histórico e romantismo, fato e ficção.

Outras informações de Letícia Wierzchowski:

  • Outros nomes
    • Leticia Wierzchowski Gomes
  • Habilidades
    • Escritora
    • Roteirista

Obras de Letícia Wierzchowski: (30) obras disponíveis:

Todas as obras de Letícia Wierzchowski:

Fontes de pesquisa (13)

  • ALHANATI, Yuri. Trágico amor de verão. Caderno G, Gazeta do Povo, 25 out. 2012. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/tragico-amor-de-verao-23hspuygvylwrer2grrdhg572/. Acesso em: 7 jun. 2020.
  • BERND, Zilá. Retraçando a memória da imigração polonesa no RS: uma leitura da obra de Letícia Wierzchowski a partir dos rastros. Alea: Estudos Neolatinos, vol. 15, núm. 1, janeiro-junho, p. 29-40. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2013.
  • GARCIA, Letícia. Leticia Wierzchowski: Escrever é uma forma de liberdade. Cultura Gaúcha, Jornal do Mercado, 21 nov. 2017. Disponível em: https://jornaldomercado.com.br/leticia-wierzchowski-escrever-e-uma-forma-de-liberdade/. Acesso em: 1 jun. 2020.
  • KLACEWICZ, Anna; WIERZCHOWSKI, Letícia. O dragão de Wawel e outras lendas polonesas. Rio de Janeiro: Record, 2005.
  • LACERDA, Denise Pérez. Do imaginário o real: a História (re)contada em A casa das sete mulheres. Rio Grande do Sul: Fundação Universidade Federal do Rio Grande, 2006.
  • LEONHARDT, Daniela. Ecos do Romantismo em A casa das sete mulheres. Dissertação  apresentada  ao Programa  de Mestrado em Letras da Universidade Estadual do Centro-Oeste –UNICENTRO, 2014.
  • LITERÁRIO, Paiol. Leticia Wierzchowski. Texto publicado na edição #221. Disponível em: http://rascunho.com.br/leticia-wierzchowski/. Acesso em: 1 jun. 2020.
  • MAESTRI, Mário. A casa das sete mulheres e as negras sem rosto. Leituras cotidianas, nº 116, 22 de dezembro de 2004.
  • MARTINS, Kelly Renata Santos. A História (re)contada em Um farol no pampa, de Letícia Wierzchowski. Dissertação de mestrado da Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista, Araraquara, 2008.
  • TOFANELO, Gabriela Fonseca. A (des)construção da dominação masculina em Prata do tempo, de Letícia Wierzchowski, In Revell. V.3, nº19. 2018.
  • TOFANELO, Gabriela Fonseca. A importância da memória em romances de Leticia Wierzchowski. Palimpsesto, nº 27, Ano 17, p. 29-39, 2018.
  • WIERZCHOWSKI, Leticia. A casa das sete mulheres. Rio de Janeiro: Record, 2002.
  • WIERZCHOWSKI, Leticia. O anjo e o resto de nós. Rio de Janeiro: Record, 2001.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LETÍCIA Wierzchowski. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa406602/leticia-wierzchowski>. Acesso em: 08 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7