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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Veronica Stigger

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.12.2019
1973 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Registro fotográfico Marcus Leoni

Veronica Stigger, 2019

Verônica Antonine Stigger (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1973). Escritora, crítica de arte, curadora e professora. Seus escritos se concentram na arte moderna e contemporânea, especialmente nas tramas estabelecidas entre texto e imagem, literatura e arte e experiências que expandem os horizontes metodológicos para pensar a produção artística.

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Verônica Antonine Stigger (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1973). Escritora, crítica de arte, curadora e professora. Seus escritos se concentram na arte moderna e contemporânea, especialmente nas tramas estabelecidas entre texto e imagem, literatura e arte e experiências que expandem os horizontes metodológicos para pensar a produção artística.

O interesse por paradoxos conceituais e visuais – como mito e razão, arte e ciência, imagem e palavra – se manifesta nos primeiros escritos sobre arte e na produção literária da autora, que transita entre o trágico e o cômico, a leveza e a escatologia. Após se formar em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1994, publica textos críticos no caderno de cultura do jornal gaúcho Zero Hora.

Seu pensamento sobre arte constrói-se pelo diálogo entre imagem e palavra, como a presença do mito na arte moderna, tema investigado na pesquisa de mestrado Mitomorfose? A mitologia greco-romana na obra de Pablo Picasso, que desenvolve na Universidade do Vale do Rio dos Sinos entre 1998 e 2000.

Em 2001, muda-se para São Paulo e, em 2005, conclui doutorado em Teoria e Crítica de Arte pela Universidade de São Paulo. Nele, investiga o caráter mítico de obras dos pintores Piet Mondrian (1872-1944) e Kazimir Malevitch (1878-1935), bem como a dimensão ritual em Marcel Duchamp (1887-1968) e Kurt Schwitters (1887-1948). A pesquisa é ampliada no pós-doutorado, em 2009, com a análise desse campo mítico em um conjunto de obras pertencentes ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP).

Em Flávio de Carvalho: Experiências Romanas, pesquisa realizada em 2009 na  Sapienza Università di Roma, Stigger centra-se na Experiência n° 3. Conhecida como New look, a vestimenta masculina destinada aos trópicos é performada pelo artista em São Paulo em 1956. A respeito dessa obra, assim como da Experiência n°4 na selva amazônica, Stigger salienta o uso que Flávio de Carvalho (1899-1973) faz da provocação como ensejo para a busca por conhecimento. Em Experiência n°4, particularmente, aflora o debate sobre o encontro estético entre arte e ciência, que se materializa no estudo de teor etnográfico e psicanalítico da comunidade indígena, distante do contato com o homem branco1.

As curadorias realizadas por Stigger também sublinham aspectos que escapam à dimensão puramente formal das obras. Ao analisar a produção da escultora Maria Martins (1894-1973), por ocasião da mostra da artista em 2013, a curadora evidencia a existência de uma cosmologia amazônica nas formas orgânicas ambíguas da artista. Sem buscar demasiadamente filiações a correntes artísticas, a abordagem de Stigger se abre a cada signo interno construtivo e ao diálogo com a fortuna crítica das obras.

No Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), realiza em 2016 a curadoria da exposição Útero do Mundo (2016), expressão criada por Clarice Lispector (1920-1977) no livro Água Viva (1973) para definir o terreno emaranhado e movediço da poesia e da pintura. Ao apresentar a mostra, Stigger traça a genealogia de um feminino que desconhece o domínio de caráter apolíneo, claro e racional de criação. Inventariando a literatura médica, psicanalítica e artística, a autora resgata a noção de “impulso histérico”, associado a patologias femininas, ressignificado e revalorizado por parte da crítica surrealista como fenômeno estético e criativo. A densa expografia de Útero do Mundo reúne obras de artistas contemporâneos, perpassadas por manifestações viscerais e por rompimentos com a norma social. Os textos de Lispector A paixão segundo G.H. (1964), Água Viva (1973) e A Hora da Estrela (1977), compõem a linha condutora da mostra, chamando a atenção para a manifestação de uma vida primária nas obras, um lugar de origem que não se situa no passado, mas numa visceralidade que permanece sempre latente.

Ao lado do escritor Eduardo Sterzi (1973), realiza a curadoria da exposição Variações do Corpo Selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, fotógrafo (2017). A mostra apresenta a produção fotográfica do antropólogo, expondo mais uma vez o frutífero encontro entre campos distintos do saber.

Em 2017, recebe o Prêmio Jabuti pelo livro de contos e crônicas Sul, publicado pela primeira vez na Argentina em 2013. Como docente, coordena o curso de Criação Literária na Academia Internacional de Cinema (AIC), entre 2011 e 2017, e ministra disciplina de práticas curatoriais na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) em 2018.

A crítica de arte de Verônica Stigger estabelece diálogo entre psicologia, antropologia, filosofia e outros campos do saber, na medida em que elementos extraformais emergem das obras que analisa. O caráter mítico, ritual ou narrativo que observa na arte moderna e contemporânea indica o impulso de extravasamento para além da fruição puramente formal. Impulso também presente em sua produção literária, que explora diferentes gêneros e linguagens que se metamorfoseiam umas nas outras.

Nota

1. STIGGER, Verônica. “Flávio de Carvalho na selva amazônica”.  In: BONAN, Amanda; REZENDE, Renato (Org.). Flávio de Carvalho Expedicionário. 1ed. São Paulo: Caixa Cultural, 2018, v. 1, p. 92-107.

Eventos multiculturais 1

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Exposições 5

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Mídias (1)

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Veronica Stigger - Série Cada Voz (2019)
Veronica Stigger é escritora e crítica de arte. Formada em jornalismo, ela conta que ao realizar a cobertura da Bienal do Mercosul percebeu que gostaria de trabalhar com crítica de arte e, o caminho até a literatura, surge da apresentação de seus contos para o poeta Pádua Fernandes (1971). Publicados em um site português, os contos fizeram sucesso entre os editores e Veronica foi convidada a publicar um livro, chamado O Trágico e Outras Comédias (2004).

Pensando em sua trajetória como crítica de arte e curadora, ela comenta que a atuação como escritora nunca se dissociou da pesquisadora, sendo que a existência das duas personas só é possível na medida em que se completam e se alimentam.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig
Intérprete de Libras: Fabiano Campos (terceirizado)

Fontes de pesquisa 15

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  • BERTOLI, Mariza Bertoli; STIGGER, Verônica (Orgs.). Arte, Crítica e Mundialização. Crítica de Arte 4. São Paulo: ABCA; Imprensa Oficial, 2008.
  • HANSEN, João Adolfo. “Neste livro surpreendente, Verônica Stigger brinca perversa e divertidamente com o leitor...”. In: STIGGER, Verônica. Gran Cabaret Demenzial. [orelha]. São Paulo: Cosac & Naify, 2007.
  • STERZI, Eduardo; STIGGER, Verônica (Orgs). Variações do Corpo Selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, fotógrafo. São Paulo: Sesc, 2017.
  • STIGGER, Verônica et al. (Org.). Maria Martins: Metamorfoses. São Paulo: MAM, 2013.
  • STIGGER, Verônica et al. (Org.). Útero do mundo. São Paulo: MAM, 2016.
  • STIGGER, Verônica. Arte e Mito em Picasso. In: AJZENBERG, Elza. (Org.). Arte e Ciência: Mito e Razão. São Paulo: ECA/USP; Centro Mário Schenberg de Documentação e Pesquisa, 2001. p. 382-391.
  • STIGGER, Verônica. Arte, Mito e Rito na Modernidade: A Dimensão Mítica em Piet Mondrian e Kasimir Malevitch, a Dimensão Ritual em Kurt Schwitters e Marcel Duchamp. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.
  • STIGGER, Verônica. Currículo da artista. Plataforma Lattes, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Disponível em: http://lattes.cnpq.br/9316627869924202. Acesso em: 02 dez. 2019
  • STIGGER, Verônica. Lasar Segall. São Paulo: Folha de S.Paulo: Instituto Itaú Cultural, 2013. (Coleção Folha Grandes Pintores Brasileiros 6).
  • STIGGER, Verônica. Mitomorfose? A Mitologia Greco-Romana na Obra de Pablo Picasso. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2000.
  • STIGGER, Verônica. Os Anões. São Paulo: Cosac & Naify, 2010.
  • STIGGER, Verônica. Sul. São Paulo: Editora 34, 2016.
  • STIGGER, Verônica. “A Construção de Mitos Pessoais”: Schwitters, Beuys. In: BERTOLI, Mariza Bertoli; STIGGER, Verônica (Orgs.). Arte, Crítica e Mundialização. Crítica de Arte 4. v.1. São Paulo: ABCA; Imprensa Oficial, 2008, pp. 173-186.
  • STIGGER, Verônica. “Flávio de Carvalho na Selva Amazônica”. In: BONAN, Amanda; REZENDE, Renato (Orgs.). Flávio de Carvalho Expedicionário. v. 1. São Paulo: Caixa Cultural, 2018, p. 92-107.
  • STIGGER, Verônica; VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Onde a Onça Bebe Água. São Paulo: Cosac & Naify, 2015.

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