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Literatura

Evandro Affonso Ferreira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 21.01.2020
1945 Brasil / Minas Gerais / Araxá
Evandro Affonso Ferreira (Araxá, Minas Gerais, 1945). Contista e romancista. Começa a trabalhar aos 10 anos de idade, na loja de calçados do pai, em Minas Gerais. Em 1963, radica-se com a família em São Paulo, após viver em Brasília de 1959 a 1962. Em São Paulo, torna-se bancário, profissão que exerce até 1978. Em seguida, trabalha como redator ...

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Biografia

Evandro Affonso Ferreira (Araxá, Minas Gerais, 1945). Contista e romancista. Começa a trabalhar aos 10 anos de idade, na loja de calçados do pai, em Minas Gerais. Em 1963, radica-se com a família em São Paulo, após viver em Brasília de 1959 a 1962. Em São Paulo, torna-se bancário, profissão que exerce até 1978. Em seguida, trabalha como redator publicitário, período em que vive a boêmia paulistana, na qual estabelece contato com artistas e escritores. Depois de sofrer um infarto em 1990, decide dedicar-se somente à literatura. Entre 1991 e 2002, cria o sebo Sagarana, mantido com o acervo de 3 mil volumes que tem em casa. Sua primeira obra publicada é a coletânea de humor Bombons Recheados de Cicuta (1996). A partir dos anos 2000, seu trabalho ganha destaque no cenário literário, com o livro de minicontos Grogotó! (2000) e os romances Erefuê (2004), Zaratempô! (2005) e Catrâmbias! (2006). Entre 2005 e 2008, retoma a atividade de livreiro e monta um novo sebo em São Paulo, o Avalovara. Seu livro Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus recebe o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (Apca) de melhor romance de 2010. Em 2012, publica O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam, vencedor do Prêmio Jabuti 2013 na categoria romance.

Análise

A prosa de Evandro Affonso Ferreira é marcada pela oralidade e uma pontuação pessoal. Esse ritmo peculiar aproxima o estilo da prosa poética, com emprego de palavras raras e criação lexical. Críticos qualificam sua prosa como concisa e exata, características visíveis nos minicontos de Grogotó!. Em relação à sonoridade, os textos utilizam-se com certa frequência de onomatopeias e interjeições, promovendo uma interlocução com o leitor ora em ritmo coloquial, ora em ritmo poético. Esse recurso confere mais lógica poética do que propriamente narrativa aos contos.

O segundo momento de sua produção estabelece-se a partir de Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus, quando o autor afasta-se das invenções linguísticas e adota uma narrativa mais fluida. O mesmo se observa no romance O Mendigo que Sabia de Cor os Adágios de Erasmo de Rotterdam, relato do narrador que decide tornar-se mendigo após ser abandonado por seu grande amor. O enredo acompanha sua busca para se encontrar com “N”, letra em homenagem à amada que ele registra em todos os lugares por onde passa. O personagem deseja terminar o período de dez anos de perambulação pela cidade, na esperança de uma improvável reconciliação. A narrativa é entrecortada por aforismos de Erasmo de Rotterdam – guia espiritual do erudito narrador-mendigo – e pelo refrão imaginado: “Oi, meu amado, voltei”. Coexistem no texto observações sobre a pobreza, o amor e a loucura, na intensa tentativa do narrador de traçar os contornos do abandono e da desesperança.

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Fontes de pesquisa 7

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  • FERREIRA, Evandro Affonso. Bombons Recheados de Cicuta. São Paulo: Pauliceia, 1993.
  • FERREIRA, Evandro Affonso. Catrâmbias! São Paulo: Editora 34, 2006.
  • FERREIRA, Evandro Affonso. Entrevista concedida pelo escritor Evandro Affonso Ferreira a Danilo Bueno. São Paulo, 4 nov. 2013.
  • FERREIRA, Evandro Affonso. Erefuê. São Paulo: Editora 34, 2004.
  • FERREIRA, Evandro Affonso. Grogotó!. Rio de Janeiro: Topbooks, 2000.
  • FERREIRA, Evandro Affonso. Minha mãe se matou sem dizer adeus. São Paulo: Record, 2010.
  • FERREIRA, Evandro Affonso. Zaratempô! São Paulo: Editora 34, 2005.

Como citar

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Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: