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Literatura

Ascenso Ferreira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.03.2017
09.05.1895 Brasil / Pernambuco / Palmares
05.05.1965 Brasil / Pernambuco / Recife
Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (Palmares, Pernambuco, 1895 - Recife, Pernambuco, 1965). Poeta e escritor. Filho do comerciante Antônio Carneiro Torres e da professora primária de escola pública Maria Luísa Gonçalves Ferreira, que lhe ensina as primeiras letras. Órfão aos 13 anos, começa a trabalhar como balconista em loja de propriedade do ...

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Biografia

Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (Palmares, Pernambuco, 1895 - Recife, Pernambuco, 1965). Poeta e escritor. Filho do comerciante Antônio Carneiro Torres e da professora primária de escola pública Maria Luísa Gonçalves Ferreira, que lhe ensina as primeiras letras. Órfão aos 13 anos, começa a trabalhar como balconista em loja de propriedade do padrinho de batismo. Passa a residir no Recife aos 24 anos, e a trabalhar como escriturário do Tesouro do Estado de Pernambuco. Em 1922, começa a publicar seus poemas nos jornais Diário de Pernambuco e A Província. Em 1925, participa das manifestações modernistas em Pernambuco. Viaja a vários estados brasileiros para promover recitais. Em 1955, toma parte ativa na campanha de Juscelino Kubitschek (1902-1976) para a Presidência do Brasil e, em 1956, é nomeado para dirigir o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, no Recife. A nomeação, entretanto, é cancelada em seguida, devido à pressão de um grupo de intelectuais locais que não aceitam nesse cargo o poeta com fama de boêmio e irreverente. É, então, nomeado assessor do Ministério da Educação e Cultura. Morre em 5 de maio de 1965, poucos dias antes de completar 70 anos.

Análise

Ascenso Ferreira inicia a carreira como poeta fazendo uso de modelos poéticos tradicionais, compondo sonetos, baladas e madrigais. Só depois da Semana de Arte Moderna e sob a influência de Mário de Andrade (1893-1945), Joaquim Cardozo (1897-1978) e Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) é que sua poesia se volta para os temas regionais ligados ao universo dos engenhos, das casas-grandes, da cana-de-açúcar, dos vaqueiros, dos cangaceiros, dos cegos violeiros, dos folguedos e das lendas populares. Manuel Bandeira (1886-1868) observa que os poemas de Ascenso Ferreira "são verdadeiras rapsódias nordestinas, nas quais se espelha amoravelmente a alma ora brincalhona, ora pungentemente nostálgica das populações dos engenhos".

A adesão ao modernismo responde não apenas pelo retorno às fontes regionais e ao folclore. Há também a incorporação de procedimentos caracteristicamente modernistas, como o aproveitamento poético da linguagem popular e o humor, inclusive na forma de poema-piada. O humorismo é empregado para explorar com irreverência ou malícia temas e costumes ligados à cultura local, além de certos atributos "nacionais", como o mito da "preguiça inata" dos brasileiros, que os modernistas, a exemplo de Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter de Mário de Andrade, tendem a valorizar, com a intenção de ironizar a ética do trabalho. É esse também o tema de um famoso poema do autor, Catimbó: "Hora de comer - comer! / Hora de dormir - dormir! / Hora de vadiar - vadiar! / Hora de trabalhar? / - Pernas pro ar que ninguém é de ferro!".

A poesia de Ascenso Ferreira é ainda marcada por um senso aguçado de ritmo, como se percebe nos famosos versos dedicados ao trem de Alagoas, correndo sobre os trilhos e passando pelo município pernambucano de Catende, vizinho à cidade natal do poeta: "Vou danado pra Catende, / vou danado pra Catende, / vou danado pra Catende / com vontade de chegar [...]". Mário de Andrade chega a dizer que o poeta pernambucano inventa um tamanho compromisso entre fala e musicalidade que "mais sistematização sonora seria diretamente música". O próprio modo de divulgação dessa poesia, em forma de recitais do poeta pelo Brasil, parece evidenciar esse compromisso referido por Andrade. Ainda com relação às estratégias de divulgação, com a publicação de seus Poemas, em 1951, tem-se pela primeira vez no país a edição de um livro que traz encartado um disco de poemas recitados pelo seu autor, incluindo-se aí o referido poema O Trem de Alagoas, musicado por Heitor Villa-Lobos (1887-1959).

Fontes de pesquisa 8

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  • BANDEIRA, Manuel. Ascenso do brejo e do sertão. In: ______. Andorinha, andorinha. Sel. e coord. Carlos Drummond de Andrade. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1966. p.306-307.
  • CORREYA, J. (org.). Ascenso, o nordeste em carne & osso: perfil biográfico do poeta Ascenso Ferreira. Recife: Panamerica Nordestal/Edições Bagaço, 2001.
  • FRANCESCHINI, Marcele Aires. Ascenso Ferreira e o modernismo brasileiro. In: Magma Revista. São Paulo, n. 9, p. 103, 2004/2006.
  • INOJOSA, Joaquim. O movimento modernista em Pernambuco. Rio de Janeiro: Gráfica Tupy, 1968-1969, 3v.
  • LUNA, Luiz. Ascenso Ferreira: menestrel do povo. Rio de Janeiro: Editora Paralelo, 1971.
  • PROENÇA, Ivan Cavalcanti. Ascenso Ferreira. In: POETAS do modernismo: antologia crítica. Org. Leodegário A. Azevedo Filho. Brasília: INL, 1972. v.5, p.15-17. (Literatura brasileira, 9).
  • SILVA, Jorge Fernandes da. Vidas que não morrem. Recife: Departamento de Cultura, 1982.
  • SOUSA BARROS (org.). 50 Anos de Catimbó. Rio de Janeiro: Editora Cátedra/Instituto Nacional do Livro, 1977.

Como citar

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