Artigo da seção pessoas Luís Melo

Luís Melo

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deLuís Melo: 13-11-1957 Local de nascimento: (Brasil / Paraná / Curitiba)

Biografia

Luís Alberto Melo (Curitiba, Paraná, 1957). Ator. No final da década de 1980, torna-se uma das referências no meio teatral brasileiro, pela potência interpretativa e pela dedicação ao teatro de pesquisa. Sob tutela de Antunes Filho (1929), no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), o ator ganha destaque pela sensibilidade e maestria em técnicas de corpo e voz. Em 1995, é convidado a atuar em televisão e conquista popularidade fora dos meios teatrais. A partir do início dos anos 2000, dedica-se também à formação de jovens profissionais do teatro em sua cidade natal.

A formação de Melo tem início em meados da década de 1970, com o ingresso no curso  permanente de teatro da Fundação Teatro Guaíra, em Curitiba. O ator entra em contato com os métodos clássicos de interpretação e estuda história do teatro, estética, ética e outras disciplinas que consolidam a formação técnica e teórica.

A partir de 1975, ministra aulas de interpretação e técnicas de corpo e voz. Entra para o Teatro de Comédia do Paraná e, em 1984, conhece o diretor Ademar Guerra (1933-1993), com quem trabalha no espetáculo Colônia Sicília. No ano seguinte, por indicação de Guerra, Luís ingressa no CPT para trabalhar com Antunes Filho em A Hora e a Vez de Augusto Matraga.

Com o novo diretor,  Luís passa algum tempo como “ator de centro”, expressão para designar atores que interpretam diversos papéis e servem de apoio ao protagonista. Seu primeiro papel principal ocorre em Paraíso Zona Norte (1989). Dois anos depois, atua como Lobo Mau em Nova Velha História, releitura de Antunes da lenda de Chapeuzinho Vermelho. Consagra-se ao interpretar Macbeth em Trono de Sangue (1992), papel que lhe rende os prêmios Shell, Mambembe e da Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca).

Sob direção de Antunes, realiza ainda Vereda da Salvação (1993), e Gilgamesh (1995). Nesse ano, depois de diversos convites, aceita atuar em uma novela televisiva e encerra seu ciclo no CPT. Em 1996, começa a consolidar sua carreira fora do CPT com Sonata Kreutzer, monólogo que conquista os prêmios Mambembe e Apca. Em 1999, ganha destaque com outro monólogo, Nijinski – Divino Bufão, baseado na vida do bailarino russo.

Em 2000, Melo volta a morar em Curitiba e, nos anos seguintes, dedica-se à construção do Ateliê de Criação Teatral (ACT), espaço voltado para formação e pesquisa em teatro. Em 2002, sob direção de Aderbal Freire-Filho (1941), atua em Cão Coisa e Coisa Homem, espetáculo ligado ao ACT. Igualmente ligadas ao ACT, trabalha nas montagens Daqui a 200 Anos (2004) e O que Eu Gostaria de Dizer. Atualmente, dedica-se à criação de outro espaço de pesquisa teatral, em região próxima de Curitiba.

Análise

Desde o início da década de 1990, Luís Melo destaca-se como um dos grandes nomes da interpretação teatral brasileira. Isso se deve, em primeiro lugar, ao estilo que, colocando-se no limiar entre intimismo e expressionismo, transmite a “verdade” do personagem sem recorrer à solução fácil de um simples naturalismo; em segundo lugar, à maestria técnica, na qual destacam-se os trabalhos de corpo e voz. Sob ponto de vista histórico, sua relevância associa-se às realizações ao lado do diretor Antunes Filho. Do final da década de 1980 até 1995, Melo é o grande responsável pela tradução física da inventividade cênica de Antunes.

O ator reitera a importância desse aspecto da tradução física de idéias, colocando que “o bom diretor é aquele que sabe propor, mas que não sabe muito bem como aquilo pode ser feito na prática. Você tem que ser a expressão física de um pensamento, de uma intuição do diretor”1. Porém, faz a ressalva:

Nunca fui alter-ego do Antunes [...]. O diretor precisa de alguém que provoque, que desconfie, que o faça rever alguns conceitos e até maneiras de passar esse conhecimento [...]. Eu dizia “não entendo, isso é teoria, enquanto não passar pelo meu organismo, não é verdade”2.

Tal espírito crítico surge nos primeiros anos de formação, mas os contatos iniciais com o tipo de realização cênica com a qual se identifica ocorrem apenas com a passagem da companhia da coreógrafa alemã Pina Bausch (1940-2009) por Curitiba e com Macunaíma, de Antunes. O senso crítico desenvolve-se com a curiosidade que perpassa todos os campos do conhecimento:

O que me ensinou muito foram as artes plásticas, a música, o cinema, a arquitetura, a medicina, a física. [...] O teatro que se fazia quando eu comecei (e por isso me encantei tanto com Macunaíma e com a Pina Bausch), era um teatro de expressão muito parecida com aquilo que eu via na televisão. Era de um naturalismo... Então onde eu fui procurar referências? No cinema mudo, por exemplo. [...] Tudo estava nas outras artes e não no teatro daquele momento3.

A busca de diálogo com outras artes é coroada com a entrada do ator no CPT. Depois de participar de Paraíso Zona Norte (1989), Luís estreia como protagonista em Nova Velha História (1992). O espetáculo surge de pesquisas e exercícios formulados em torno da “desconstrução” da palavra, ao trabalhar o som vocal sem recorrer aos sentidos gastos da linguagem corrente. Surge um novo sistema verbal, inventado e inventivo. Em Trono de Sangue (1992), percebe-se o quanto os exercícios com a linguagem servem para a reinvenção da maneira de dizer Shakespeare.

Os convites para trabalhar na televisão crescem. Em 1995, o ator aceita atuar em telenovela e abandona o CPT, à revelia de Antunes. O diretor lança uma provocação ao afirmar que o ator “sonha em distribuir autógrafos, comer de graça nos restaurantes da moda e comprar uns eletrodomésticos”4.

Contrariando o vaticínio do diretor da CPT, Luís Melo continua atuando no teatro e apresenta espetáculos de grande sensibilidade, como os monólogos Sonata Kreutzer, baseado em texto do escritor russo Anton Tchekhov (1860-1904), e Nijinski – Divino Bufão, rico trabalho de corpo inspirado no bailarino russo Vaslav Nijinski (1890-1950).

Notas

1 MONTENEGRO E RAMAN. Disponível em: < http://www.montenegroeraman.com.br >. Acesso em: 14 set. 2010.

2 MELO, LUÍS. Leona Cavali entrevista Luís Melo. Disponível em: < http://www.montenegroeraman.com.br/novosite/instituto_luis.html >. Acesso em: 14 set. 2010.

3 MELO, LUÍS. Leona Cavali entrevista Luís Melo. Disponível em: < http://www.montenegroeraman.com.br/novosite/instituto_luis.html >. Acesso em: 14 set. 2010.

4 SANTOS, Valmir. Série de entrevistas quer introduzir universo teatral aos jovens. Folha de S.Paulo, São Paulo, 26 ago. 2003. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u36155.shtml >. Acesso em: 15 set. 2010.

Outras informações de Luís Melo:

  • Outros nomes
    • Luís Alberto Melo
    • Luiz Melo
    • Luis Mello
  • Habilidades
    • Ator

Espetáculos (10)

Fontes de pesquisa (17)

  • JORDÃO, Cláudia. O peso de ser vilão. IstoÉ, São Paulo, 6 fev. 2006. Disponível em: < http://www.terra.com.br/istoegente/337/reportagens/luis_melo.htm >. Acesso em: 18 set. 2010.
  • MELO, LUÍS. Disponível em: < http://ondeanda.multiply.com/photos/album/697 >. Acesso em: 17 set. 2010
  • CONTE, Guilherme. Sua majestade, o ator. Digestivo Cultural, São Paulo, 18 jan. 2006. Disponível em: < http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1808 >. Acesso em: 15 set. 2010.
  • FACINTER. Perfil: Luis Melo. Disponível em: < http://www.facinter.br/revista/numeros/5perfil.htm >. Acesso em: 13 set. 2010
  • FARIA, Alan de. A arte de encenar a palavra. Trópico, [s.d.]. Disponível em: < http://www.revistatropico.com.br/tropico/html/textos/2744,1.shl >. Acesso em: 15 set. 2010.
  • LUÍS Melo em busca de um mocinho. Tribuna do Paraná, Curitiba, 23 mar. 2003. Disponível em: < http://www.parana-online.com.br/editoria/pais/news/42899 >. Acesso em: 15 set. 2010.
  • MELO, Luís. Bate-papo com Luís Melo, ator. Disponível em: < http://tc.batepapo.uol.com.br/convidados/arquivo/teatro/luis-mello-ator.jhtm >. Acesso em: 18 set. 2010.
  • MELO, LUÍS. Disponível em: < http://bichodoparana.com/2009/02/luis-mello.html >. Acesso em: 16 set. 2010.
  • MELO, LUÍS. Disponível em: < http://www.teatroguaira.pr.gov.br/tguaira/modules/conteudo_bio_teatro/conteudo_bio_teatro.php?conteudo_bio_teatro=82 >. Acesso em: 16 set. 2010.
  • MONTENEGRO E RAMAN. Luís Melo. Disponível em: < http://www.montenegroeraman.com.br/novosite/instituto_luis.html >. Acesso em: 14 set. 2010
  • MONTENEGRO E RAMAN. Leona Cavali entrevista Luís Melo. Disponível em: < http://www.montenegroeraman.com.br/novosite/instituto_luis.html >. Acesso em: 14 set. 2010.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Cão Coisa e a Coisa Homem - 2002. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - A Hora e a Vez de Augusto Matraga - 2004 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Gilgamesh - 1995 Não catalogado
  • SANTOS, Valmir. Série de entrevistas quer introduzir universo teatral aos jovens. Folha de S.Paulo, São Paulo, 26 ago. 2003. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u36155.shtml >. Acesso em: 15 set. 2010.
  • SP ESCOLA DE TEATRO. Luis Melo. Disponível em: < http://www.spescoladeteatro.org.br/enciclopedia/index.php?title=Lu%C3%ADs_Melo >. Acesso em: 13 set. 2010.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUÍS Melo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa400770/luis-melo>. Acesso em: 23 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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