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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Caco Ciocler

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.06.2019
27.09.1971 Brasil / São Paulo / São Paulo
Carlos Alberto Ciocler (São Paulo, São Paulo, 1971). Ator e diretor com diversos trabalhos em teatro, cinema e televisão. Interpreta personagens reconhecidos pelo público e pela crítica, como Geremias Berdinazzi, na novela O Rei do Gado (1996-1997), e Luís Carlos Prestes, no longa-metragem Olga (2004). Integra o elenco de espetáculos teatrais qu...

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Carlos Alberto Ciocler (São Paulo, São Paulo, 1971). Ator e diretor com diversos trabalhos em teatro, cinema e televisão. Interpreta personagens reconhecidos pelo público e pela crítica, como Geremias Berdinazzi, na novela O Rei do Gado (1996-1997), e Luís Carlos Prestes, no longa-metragem Olga (2004). Integra o elenco de espetáculos teatrais que marcam época, como Rei Lear (2000) e Os Sete Afluentes do Rio Ota (2002).

De origem judaica, Ciocler começa a praticar teatro aos 12 anos, no clube A Hebraica. Estuda Engenharia na Escola Politécnica e cursa simultaneamente a Escola de Artes Dramáticas (EAD), ambas na Universidade de São Paulo (USP). Nessa época, atua em Píramo e Tisbe (1995), adaptação teatral do mito latino dirigida por Vladimir Capella (1951-2015). Recebe o Prêmio Mambembe de ator coadjuvante por sua atuação na peça, o que lhe abre as portas da teledramaturgia na Rede Globo. Convidado pelo diretor Luiz Fernando Carvalho (1960) para participar da novela O Rei do Gado (1996-1997), Ciocler interpreta o jovem Berdinazzi e conquista mais um prêmio: Revelação Masculina na Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Atua em outros programas da emissora – como na novela Corpo Dourado (1998) e em alguns episódios da série Você Decide –, mas Ciocler continua a atuar no teatro. 

Em 2000, participa de Rei Lear, montagem de Ron Daniels (1942) da tragédia de William Shakespeare (1564-1616) sobre intrigas por herança. Ciocler interpreta Edgar, filho do Conde de Gloucester, que se refugia na floresta fantasiado de mendigo para escapar do pai. Pela interpretação, conquista o prêmio Qualidade Brasil de melhor ator. 

No mesmo ano, o ator aparece nas telas de cinema no drama Bicho de Sete Cabeças, de Lais Bodansky (1969). Ciocler é Rogério, usuário de drogas internado na mesma clínica psiquiátrica de Neto, protagonista interpretado por Rodrigo Santoro (1975). Por sua atuação, é indicado a dois prêmios de ator coadjuvante – concorre pelo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e vence o Prêmio Qualidade Brasil.

No ano seguinte, participa da montagem teatral Os Sete Afluentes do Rio Ota, com direção de Monique Gardenberg (1958). O espetáculo entrecruza a vida de sete personagens em pontos diferentes do mundo, no período entre 1945 e 1997. Ciocler faz três papéis e é indicado ao Prêmio Shell de melhor ator.

Em 2004, o ator encarna dois personagens políticos no cinema. Em Olga, de Jayme Monjardim (1956), interpreta o líder comunista Luís Carlos Prestes (1898-1990). Na trágica história que levou ao assassinato da militante Olga Benário (1908-1942), mulher de Prestes, ele é definido pelo crítico Rodrigo Fonseca como um dos melhores jovens intérpretes brasileiros da época, ao lado de Selton Mello (1972). Em Quase Dois Irmãos, de Lúcia Murat (1949), interpreta o senador Miguel, preso político que reencontra na cadeia um amigo de infância que atua como traficante de drogas. É indicado a melhor ator no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro por ambos os papéis.

Em 2011, no festival CinePE, em Olinda (Pernambuco), ganha o primeiro prêmio de melhor ator em um longa-metragem pela comédia Família Vende Tudo, do francês Alain Fresnot (1951). Ciocler interpreta Ivan Carlos, cantor casado assediado por uma mulher que planeja engravidar dele. A preparação vai viver o papel é experiência inusitada para o ator, já que teve que trabalhar com um personagem com biotipo diferente do seu.

Dois anos depois, Ciocler volta a trabalhar com Monique Gardenberg no teatro em O Desaparecimento do Elefante (2013), que adapta contos surrealistas do escritor japonês Haruki Murakami (1949). Na peça, nove atores interpretam tipos comuns, geralmente entediados em suas rotinas. Em um dos contos, Ciocler representa um desempregado que lida com o assédio de três mulheres. Em outro, interpreta um desempregado à procura do gato de uma mulher bem-sucedida. Em uma montagem cujos personagens flertam o tempo todo com o absurdo, avalia o crítico Dirceu Alves Jr., Ciocler se sobressai pela entrega e ousadia de se expor sem medo de parecer ridículo.

O ator volta a interpretar um músico, César Camargo Mariano (1943), no filme Elis (2016). Para viver o homem que teve papéis importantes na vida de Elis Regina (1945-1982) – pianista, arranjador, diretor musical, marido, pai de dois filhos –, Ciocler frequenta aulas de piano, em que grava o professor tocando e depois o imita. No filme, o som é do piano original, mas as mãos que tocam são do ator. O crítico Sérgio Martins escreve que o ator capta cada detalhe da timidez do músico. O papel vale mais uma indicação de coadjuvante no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Após 23 anos atuando, em 2006 ele começa a trabalhar como diretor no teatro e no cinema. Em 2014, dirige o documentário Esse Viver Ninguém me Tira, sobre Aracy Moebius de Carvalho (1908-2001), mulher do escritor Guimarães Rosa (1908-1967), que ajuda judeus a emigrarem da Alemanha para o Brasil durante o nazismo. O crítico Carlos Alberto Mattos define seu empenho como sincero e comovente, sobretudo quando coloca sua voz a serviço da memória de Aracy.

Caco Ciocler é um ator versátil. O sucesso na primeira novela não o impede de se dedicar com afinco também ao teatro e ao cinema, em papéis dramáticos e cômicos, pelos quais é reconhecido e premiado. Quando envereda pela direção, escolhe temas urgentes e que dizem respeito à própria biografia.

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