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Teatro

Flávio Migliaccio

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.01.2021
26.08.1934 Brasil / São Paulo / São Paulo
04.05.2020 Brasil / Rio de Janeiro / Rio Bonito
Flávio Migliaccio (São Paulo, São Paulo, 1934 – Rio Bonito, Rio de Janeiro, 2020). Ator, diretor e produtor. Intérprete de tipos populares no teatro e na TV ao longo de seis décadas, é um dos rostos mais conhecidos da dramaturgia brasileira. Bem-humorado e admirador de comédia, marca gerações por trabalhos infantis como o Xerife e o Tio Maneco. ...

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Flávio Migliaccio (São Paulo, São Paulo, 1934 – Rio Bonito, Rio de Janeiro, 2020). Ator, diretor e produtor. Intérprete de tipos populares no teatro e na TV ao longo de seis décadas, é um dos rostos mais conhecidos da dramaturgia brasileira. Bem-humorado e admirador de comédia, marca gerações por trabalhos infantis como o Xerife e o Tio Maneco. Dedica-se a interpretar, por muitos anos, um mesmo personagem que se fixe no imaginário dos espectadores.

Nasce no bairro do Brás, em São Paulo, onde vive uma infância humilde ao lado de 16 irmãos. Apesar de o pai querer que Flávio siga a profissão de barbeiro, prefere tornar-se artista. No começo dos anos 1950, em passeio pelas ruas da cidade, assiste a uma peça nos fundos de uma igreja e, após a encenação, procura o diretor e pede para fazer um papel. Entre 1951 e 1954, faz teatro amador em diversas funções, inclusive na de diretor. Apesar dessas ocupações, trabalha em outros ofícios, como balconista e mecânico, para se sustentar.

Flávio cursa teatro com o cenógrafo italiano Ruggero Jacobbi (1920-1981), e, ao término das aulas, é encaminhado para atuar no Teatro Paulista do Estudante. Alguns dos integrantes desse grupo são o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) e o ator Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), colegas que, junto com Flávio, passam a integrar o Teatro de Arena a partir de 1956. Dessa fase vêm peças emblemáticas, como Eles Não Usam Black-tie (1958), com texto de Guarnieri e direção de José Renato (1926-2011). Flávio interpreta Chiquinho, filho mais novo do protagonista da história. 

Em outras peças, segue representando, com espontaneidade, pessoas do meio popular. Define seu método como “um jeito mais brasileiro e mais simples de atuar”, em contraponto ao “estilo mais europeu e pomposo de interpretar”, que percebe na época1. Assume influência do neorrealismo italiano e cita referências como os atores Totò (1898-1967) e Aldo Fabrizi (1905-1990), o hispano-brasileiro Oscarito (1906-1970) e Grande Otelo (1915-1993)

Estreia nos cinemas em O Grande Momento (1958), precursor do cinema novo e da estética herdada do neorrealismo. Participa de diversos longas-metragens até que, em 1963, dirige Os Mendigos. Na trama, a garota vivida pela atriz Vanja Orico (1931-2015) foge do reformatório e se junta a um grupo de moradores em situação de rua, que passam a organizar um casamento para ela. Na época, Os Mendigos é anunciado como a primeira comédia do cinema novo. Flávio tem dificuldades técnicas e financeiras na produção, e, segundo o produtor Robert Bakker, eles usavam o CPC (Centro Popular de Cultura) como escritório, pois não tinham dinheiro nenhum. Apesar dos esforços, o filme tem fracasso comercial, mas é redescoberto por novos públicos ao longo dos anos 2000. 

Em vários trabalhos, Flávio cria personagens de rápida identificação, inclusive para o público infantil. “Gosto de fazer comédias não para ficar rico ou ganhar fama. Fico feliz vendo as pessoas sorrirem, principalmente as crianças”[2]. É convidado para a TV Globo para interpretar o Xerife na novela O Primeiro Amor (1972 ), de autoria de Walther Negrão (1941). É tão adorado pela audiência que a emissora cria, no mesmo ano, o seriado Shazan, Xerife & Cia, protagonizado por Flávio ao lado do ator Paulo José (1937). No programa, Flávio e Paulo vivem dois mecânicos que andam pelo Brasil em busca de emprego e de construir a bicicleta voadora. Com elementos de dança e circo, Shazan, Xerife & Cia fica no ar por dois anos e tem 66 episódios. 

Flávio cria o personagem Tio Maneco para o filme Aventuras com Tio Maneco (1971), que também escreve e dirige. O personagem vive diversas situações de fantasia com os sobrinhos, em meio a discos voadores, extraterrestres, robôs e animais ferozes. Sucesso de bilheteria, recebe elogios pelo diálogo carismático com espectadores mirins. Nos anos 1980, o personagem vai para a televisão, e Flávio protagoniza 329 episódios como o Tio Maneco num seriado da TVE.

Dos papéis em novelas, seu favorito é o tio Vitinho, em A Próxima Vítima (1995). O descendente de italianos folgado e boa-praça que se apaixona pela prostituta vivida por Vera Holtz (1953) carrega personalidade e trejeitos similares aos de Flávio e tem contribuições do ator em sua criação: “Bolei que ele (Vitinho) vivia com o travesseiro e a roupa de cama embaixo do braço, porque não tinha lugar para dormir. Comecei a fazer uma cena dramática segurando o travesseiro, e ficava engraçado”3. Agraciado com o Troféu Oscarito pelo conjunto da obra no Festival de Gramado em 2014, Flávio comenta, no discurso, o sonho de juventude de ser o próprio Oscarito: “Eu não consegui ser, mas tive a mesma profissão que ele”. 

O jeito simpático que imprime nos papéis de cinema e TV, o respeito e orgulho às raízes familiares humildes e o talento em fixar figuras de grande apelo popular em tipos aparentemente comuns tornam Flávio Migliaccio presença constante no imaginário artístico brasileiro. Herdeiro espiritual das comédias italianas e das chanchadas dos anos 1940, mantém a vocação nacional de conseguir representar, na ficção, o encanto de homens simples que querem arrancar sorrisos e seguir a vida com liberdade. 

Notas:

1. ANDROVANDI, Adriana. Flávio Migliaccio recebe Troféu Oscarito em Gramado. Correio do Povo, Fortaleza, 12 ago. 2014. Arte e Agenda. Disponível em: https://www.correiodopovo.com.br/arteagenda/fl%C3%A1vio-migliaccio-recebe-trof%C3%A9u-oscarito-em-gramado-1.150322. Acesso em: 9 jul. 2020.

2. PERRONE, Marcelo. Flávio Migliaccio recebe o Troféu Oscarito no Festival de Gramado nesta terça. Zero Hora, Porto Alegre, 11 ago. 2014. Cultura e Lazer. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2014/08/Flavio-Migliaccio-recebe-o-Trofeu-Oscarito-no-Festival-de-Gramado-nesta-terca-4572650.html. Acesso em: 8 jul. 2020.

3. FLÁVIO MIGLIACCIO. Memória Globo. Disponível em: https://memoriaglobo.globo.com/perfil/flavio-migliaccio/perfil-completo/. Acesso em: 9 jul. 2020

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